12/11/2010
Técnicos do IPAC ensinam sobre a origem do papel, tipos de livros na Ásia, Oceania, Américas, África e Europa, e sobre agentes de danificação de papéis, técnicas e outros métodos de conservação
Com apoio do Fundo de Cultura da Bahia, gerido pela secretaria estadual de Cultura (SecultBA), termina hoje, dia 12 (novembro, 2010), no final da tarde, em Cachoeira, na região do Recôncavo baiano, a Oficina de Conservação de Papel com técnicos especialistas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).
A iniciativa é da Fundação Hansen Bahia, entidade cultural privada criada na década de 1970 que cuida e divulga o acervo do artista alemão Karl Hansen (1915–1978) – mais conhecido como Hansen Bahia – composto de 13 mil itens, entre os quais centenas de gravuras em papel. O curso conta com restauradores do IPAC especialistas na restauração de papel.
Estima-se que o papel foi inventado cerca de 2.000 anos atrás por chineses, que antes utilizavam a seda para escrever. Diversas outras civilizações asiáticas, européias, a egípcia, ou das Américas e Oceania já procuravam superfícies adequadas para registros em tinta. O objetivo era para uso na época ou deixar para a posteridade. Cascas de árvores prensadas, palmeiras amarradas, tecidos, cerâmicas, pedras e madeira, foram alguns dos materiais utilizados. Os chineses conseguiram criar o papel triturando com água e prensando retalhos de seda, cascas de madeira e restos de rede de pescar.
“São justamente essas informações que trabalhamos, já que são oficinas pontuais, que não formam restauradores, mas subsidiam futuros profissionais da área de restauração”, alerta a coordenadora de restauro do IPAC, Káthia Berbert. Segundo a especialista, além de variadas técnicas de produção do papel, são ensinados efeitos que a luminosidade, temperatura, ventilação, poeira, umidade do ar, acidez do papel, poluição atmosférica e até as tintas podem causar nesse material tão frágil. “Como degradadores do papel, temos ainda brocas ou carunchos, traças, baratas e cupins, entre outros”, explica a restauradora do IPAC e coordenadora do curso, Verônica Rohrs, que ministra aulas com apoio da técnica em restauração do IPAC, Ana Lúcia Rocha.
Grande parte da história de um povo ou nação está registrada em papel, existentes nos museus, casas de cultura, bibliotecas, centros de documentação, arquivos públicos ou com colecionadores particulares. “É imprescindível que esses acervos passem por ações preventivas constantes de higienização e desinfecção”, avalia Rohrs. Mas, segundo a restauradora do IPAC nem todo detentor de papéis tem conhecimento para manter e manusear tecnicamente esses acervos e por isso devem ser convocados profissionais qualificados, para evitar danos irreversíveis. Técnicas de limpeza, armazenamento e acondicionamento também são explicadas aos inscritos no curso.
De 2007 a 2010 o IPAC já realizou 30 oficinas do seu Programa de Educação Patrimonial, que inclui cursos de conservação de papel, de fotografia, conscientização do patrimônio arquitetônico, arte rupestre, e outras áreas culturais, em diversos municípios da Bahia, principalmente no Recôncavo, Baixo Sul e Chapada Diamantina. Até agora cerca de 5.000 pessoas participaram dessas atividades, as transformando em potenciais multiplicadores da educação patrimonial na Bahia.
Na oficina de conservação em Cachoeira o IPAC recebeu 30 alunos da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB). “Mas em quatros anos elaboramos outros projetos na região, como a exposição 40 Anos do IPAC que contou com participação de estudantes de museologia e história da UFRB, além de cursos de fotografia, exposições, palestras e oficinas sobre bens culturais, materiais e imateriais”, conclui a coordenadora de Educação Patrimonial do IPAC, Ednalva Queiroz. Outras informações sobre atividades do IPAC na conservação de papéis são obtidas através dos telefones (71) 3117-6386 e 3117-6387.