Peças de Rodin na Bahia estão com padrão internacional de conservação

25/11/2010

François Blanchetière

O conservador oficial do Museu Rodin-Paris, o especialista François Blanchetière, garante que as esculturas originais do artista francês Auguste Rodin (1840-1917), expostas no Palacete das Artes em Salvador estão sob os mais rígidos padrões internacionais de cuidados técnicos de conservação.

Blanchetière está na capital baiana até amanhã, sexta-feira (26) para participar do Seminário Internacional de Restauro de Bens Móveis promovido pela Secretaria de Cultura, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), que administra o Palacete das Artes Rodin-Bahia onde estão 62 obras originais em gesso do mestre da escultura mundial. O evento reúne especialistas franceses, italianos e de 10 estados brasileiros no anfiteatro Alfredo Britto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, no Centro Histórico de Salvador.

Segundo o conservador francês, desgastes de esculturas são naturais. “Enfrentamos problemas de oxidação na França, assim como, em qualquer parte do mundo em peças de gesso e outros materiais, como bronze”, diz François. O especialista destaca ainda a conservação das quatro peças em bronze dispostas nos jardins do Palacete, localizado no bairro da Graça, em Salvador. “A equipe do Rodin-Bahia está utilizando técnica de conservação preventiva, com a aplicação de cera micro-cristalina nas obras em bronze para evitar oxidações, comuns em cidades com índices de umidade”, comenta o especialista francês.

Blanchetière elogiou a limpeza adequada que tem sido feita na famosa escultura O Grande Pensador que está exposta no secular palacete Martins Catharino restaurado e tombado pelo IPAC como Patrimônio da Bahia. "Não se deve limpar a escultura excessivamente sob risco de comprometer as características originais da peça artística e de ocorrer lesões irreversíveis", explicou François.

A explicação de Blanchetière responde algumas ponderações errôneas externadas por pessoas que desconhecem os padrões internacionais de conservação. "Desde 2009, quando as peças de Rodin chegaram a Salvador, observações inadequadas, como a de que o gesso estaria comprometido por ter tons amarelados nas esculturas em gesso, têm sido feitas e até publicadas, o que é uma desinformação para o público", constata a diretora científica do Palacete das Artes Rodin-Bahia, Heloísa Helena Costa.

Em maio deste ano (2010), o restaurador paulista Raul Carvalho também esteve em Salvador e averiguou a excelência de conservação das obras de Rodin na Bahia. "As peças apresentam sinais de desgaste naturais de envelhecimento desde sempre, pois são centenárias, e não houve nenhuma alteração na Bahia", concluiu na época o consultor.

Para Blanchetière não se devem promover intervenções drásticas nas conservações de obras de arte antigas. "No museu Rodin-Paris algumas obras já estão protegidas em vitrines, como em Salvador, e por isso não limpamos frequentemente", comentou. O conservador destacou os domingos como os dias mais críticos para a conservação das obras expostas em museus. "É o dia que se registram mais visitantes, e nas segundas-feiras fazemos um trabalho extenso de limpeza", revelou o representante francês.

Além de conservador oficial de Patrimônio do Rodin-Paris, adjunto do serviço de coleções desse museu, François Blanchetière é especialista de Arte Francesa do século 19, particularmente das obras de Rodin. Entre suas funções no museu francês figuram a responsabilidade sobre a conservação preventiva dos edifícios e das coleções.

O Seminário Internacional de Restauro de Bens Móveis e Integrados prossegue até amanhã (26), na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, sempre das 9 às 19 horas. Integra também o evento, o Fórum de Políticas Culturais. Mais informações através do endereço eletrônico seminario.ipac@gmail.com ou telefone (71) 3117-6492. As mesas e palestras abordam os temas de Conservação e restauro no Museu Rodin Paris, Técnicas em metal e gesso, Técnicas em cantaria, Novas Tecnologias, Panorama do Restauro na Bahia, Formação e técnicas de restauro de azulejos, Experiências brasileiras na estruturação de centros de restauro e Formação de profissionais de restauro.