Exposição “Kuarup – a última viagem de Orlando Villas Boas” lança um novo olhar sobre a vida e obra do indianista
A CAIXA Cultural Salvador inaugura, na próxima terça-feira (30), às 20 horas, a exposição Kuarup – a última viagem de Orlando Villas Bôas, que poderá ser visitada até 30 de janeiro de 2011. O projeto foi aprovado pelo Edital de ocupação de pauta da CAIXA Cultural para 2011. A visitação da exposição é gratuita, no período das 9h às 18h, de terça a domingo.
Boa parte do conhecimento e experiência adquiridos pelo sertanista Orlando Villas Bôas será transmitida ao visitante da exposição, que tem curadoria de Denise Carvalho, Gilberto Maringoni e Noel Villas Bôas. A intenção é mostrar a cultura indígena do Alto-Xingu, na qual não só Orlando, como também os seus irmãos Cláudio e Leonardo, tiveram período de imersão intensa em sua cultura e sociedade. Contrariando concepções equivocadas, eles identificaram, ali, uma sociedade equilibrada, estável e erguida sobre sólidos princípios morais, em que o comportamento ético sustentava uma organização tribal harmônica.
Na exposição, o visitante é convidado a desbravar esses costumes, sobretudo a maneira como encaravam a morte. Isso acontecerá por meio do olhar sensível de Renato Soares, que captou uma série de fotos do ritual de homenagem aos indígenas ilustres mortos, o Kuarup, feito especialmente para Orlando em 2003.
A mostra ainda reúne mapas, textos explicativos, retratos antigos e utensílios pessoais do sertanista. Entre os objetos dos Villas Boas, apresentados na exposição, estarão duas obras do pintor Poty Lazzarotto e uma aquarela do artista plástico Carybé, ambos muito amigos de Orlando.
Quatro espaços distintos foram pensados para a concepção cenográfica. Na primeira sala, a biografia de Orlando é representada por fotos pessoais, além de agrupar mapas e textos explicativos. A segunda parte reúne objetos pessoais. Em seguida, o visitante é levado a um ambiente multimídia, no qual poderá assistir a um vídeo que traz uma entrevista com Orlando Villas Boas, preparada pela fotógrafa Maureen Bisilliat. Para finalizar, serão exibidas 34 fotografias de Renato Soares.
A importância de Orlando e seus irmãos no contato do homem "branco”"com os indígenas é inegável. Eles tiveram papel fundamental na implantação de políticas de proteção à saúde e à cultura locais. Tal luta, pelos direitos indígenas a uma cultura própria, representou uma verdadeira ruptura intelectual e política e, acima de tudo, o reconhecimento das comunidades indígenas envolvidas.
Por esses motivos, o Kuarup feito em homenagem a Orlando foi a maior honraria que um caraíba (homem branco) poderia receber. Mais de dois mil índios, vindos de diversas regiões, se concentraram na aldeia Yawalapiti para celebrar o que eles mesmos consideraram o maior Kuarup já realizado na região. Através da mostra, os habitantes das grandes cidades se aproximarão da relevância e força dessa cerimônia.
KUARUP:
O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres, celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu. Em sua origem, o Kuarup teria sido um rito que objetivava trazer os mortos de novo à vida. Também é o nome de uma madeira.
É a celebração de passagem onde o espírito do homem vai habitar a aldeia dos mortos. Uma tora de madeira da árvore mari é cortada e tem a base enterrada no pátio da aldeia. Os homens se juntam ao redor da tora para entalhar e pintar formas humanas. Depois, ela é adornada com o tucanapi, um cocar de penas de tucano, arara, japim e as penas sagradas do Gavião Real. Por fim, amarram em sua volta abraçadeiras coloridas, e o colar de caramujo muirapeí decora seu pescoço. Neste momento, o espírito do homenageado ganha direito a uma nova vida nas formas do Kuarup.
OS IRMÃOS VILLAS BÔAS:
A partir da máxima, segundo a qual “O índio só sobrevive na sua própria cultura”, os irmãos Vilas Bôas conseguiram implantar uma nova forma de Relacionamento entre nossa sociedade e as comunidades indígenas brasileiras. Eles Implantaram uma política indigenista que, basicamente, consiste na defesa dos valores culturais dos índios, como único meio de evitar a marginalização e o desaparecimento dos grupos tribais.
Os irmãos Villas Bôas – Orlando, Cláudio e Leonardo – mostraram que a nossa sociedade tinha uma visão equivocada, acerca dos índios, e que não se tratavam de selvagens sem regras e sem estrutura social, mas sim de uma sociedade equilibrada, estável, erguida sobre sólidos princípios morais e donos de um comportamento ético, que sustentava uma organização tribal harmônica.
Para os índios do Xingu, os Villas Bôas tiveram papel fundamental na implantação de políticas de proteção à saúde e à cultura locais. A luta pelos direitos indígenas a uma cultura própria, representou uma verdadeira ruptura intelectual e política, na qual os Villas Bôas tiveram um papel decisivo.
Por isso, o Kuarup de Orlando Villas Bôas representou uma reafirmação política dos ideais de diversidade cultural, pelos quais lutaram os três irmãos. Orlando era considerado por eles um herói e, em um discurso, no final do ritual, os chefes Yawalapiti lembraram que sua tribo, hoje reunindo mais de 140 pessoas em uma belíssima aldeia, esteve reduzida a sete indivíduos dispersos em outras tribos. Eles não se esqueceram que Orlando foi convencer cada um dos sobreviventes a reconstruir sua aldeia Yawalapiti.
RENATO SOARES fotógrafo e documentarista da arte e da cultura brasileiras. Desde 1986, percorre o território nacional, registrando a diversidade biológica de plantas e animais e documentando ritos e costumes da cultura popular. Seus focos principais tem sido as nações indígenas do norte e do centro-oeste do Brasil. Com vários livros publicados, é também colaborador das revistas Scientific American e National Geographic.
DENISE CARVALHO - Produtora Executiva e Curadora:
Formada em Línguas e Letras pela PUC-Rio, com mestrado em Integração da América Latina (curso multidisciplinar com ênfase em Comunicação Social) pela USP. Possui vivência de 20 anos em agências de publicidade - nas quais dirigiu contas públicas e privadas - e em empresas de grande porte.
Foi diretora de Inteligência de Mercado do UOL, diretora de Marketing Interativo do AOL e vice-presidente da Master Propaganda. Há sete anos fundou a AORI Comunicação e Produções Culturais, editando diversos livros de arte, realizando exposições fotográficas para a Caixa Econômica Federal, Petrobras, Banco do Brasil, BB Previdência, Aliança de Seguros, Sebrae Nacional, Governo Federal, Apex, Distribuidora Martins, Banco Triângulo, ArcelorMittal, Dana, CSN, Cemig, Nortel, Usiminas, Alcoa e Cia. Vale, entre outros.
É editora do livro Quilombolas – tradições e cultura da resistência; Artesanato Brasileiro; Paladar Brasileiro; Serra da Canastra; Barão de Mauá – o empreendedor; Diário de Bordo – a história da indústria naval brasileira; e Capoeira: luta, dança e jogo da liberdade; entre outros.
Realizou curadoria das exposições: Barão de Mauá – o empreendedor, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e na Universidade de Fortaleza - Unifor, em Fortaleza; Serra da Canastra, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Serviço
Mostra: Kuarup – a última viagem de Orlando Villas Bôas
Abertura: 30 de novembro, terça-feira, às 20 horas;
Visitação: 01 de dezembro a 30 de janeiro, de terça a domingo, das 9 às 18 horas;
Local: Galeria Arcos – Caixa Cultural Salvador;
Endereço: Rua Carlos Gomes, 57, Centro Salvador/BA;
Acesso: Gratuito
Classificação etária: Livre
Conveniência:
Estacionamento gratuito ao lado da CAIXA Cultural Salvador, no dia de lançamento.
Visitas guiadas para grupos avulsos e programa Gente Arteira:
Agendar pelo (71) 3421-4200 das 10h às 17h