Começa mais uma edição do projeto Videoarte no MAM

29/11/2010
Na próxima terça-feira, 30 de novembro, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) dará início a mais uma edição do projeto Videoarte no MAM. O programa apresenta, nesta edição, 22 obras da publicação online do FF>>Dossier: o peruano Diego Lama, o uruguaio Martín Sastre e os brasileiros Daniel Lima e coletivo BijaRI. Realizado pela Associação Cultural Videobrasil, em parceria com o SESC São Paulo, o projeto tem curadoria geral de Solange Farkas, diretora do MAM. Desta vez, o projeto será dividido em dois eixos. O primeiro reúne a Trilogia Iberoamericana – composta por um ensaio em que o artista uruguaio, Martín Sastre, se apropria de formatos consagrados pela cultura de massa para ironizar as diferenças culturais entre os hemisférios Norte e Sul; e exemplos da instigante produção de Diego Lama, ferrenho crítico da posição em que se encontram os artistas de países em desenvolvimento, em relação às grandes potências. Já o segundo eixo terá como tema central a relação entre indivíduo e cidade, com obras de Daniel Lima e do coletivo BijaRI. Lima é o autor do monumento de luz projetado no MAM-BA em direção a África durante a Mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea (2005) e tem como marca a busca de espaços inusitados de expressão. As fissuras sociais, latentes nos grandes centros urbanos, são foco das ações e instalações do coletivo BijaRI. Lançado em 2009, o projeto permanente Videoarte no MAM tem como objetivo apresentar o vasto universo da produção contemporânea de videoarte do Brasil e do mundo, formando novos públicos e valorizando a diversidade de linguagens e estratégias artísticas. Programação Programa 1 (90’)
Martín Sastre
Diego Lama
30/11 a 09/12 (terça a quinta), às 14h, exceto no dia 02/12, quando a sessão começará às 13h.
Cinema do MAM
Videoart: The Iberoamerican legend
Vídeo, 15’, Martín Sastre, 2002
Início de La Trilogía Iberoamericana, narra como a América Latina passou a dominar o mundo depois da morte de Hollywood e de sua substituição por sonhos ibero-americanos, “mais baratos”.
Montevideo: The dark side of the pop
Vídeo, 15’, Martín Sastre, 2004
Em um novo episódio da aventura ibero-americana, Martín Sastre mostra a capital do Uruguai, seu “pequeno segredo” e o desastroso “resultado final do pós-modernismo”.
Bolivia 3: Confederation Next
Vídeo, 15’, Martín Sastre, 2004
A trilogia termina. Corre o ano 2876. A Batalha pelo Controle da Ficção passa por seus momentos finais. O chamado “mundo desenvolvido” é subjugado pela Confederação de Nações Americanas, liderada pela Bolívia.
Beyond somewhere
Diego Lama, Vídeo, 2’51”, 2000
O vídeo mostra o processo mental de um suicida. O personagem tenta fugir da dor através da negação da própria morte durante o seu transcurso.
Desir
Diego Lama, Vídeo, 4’11’’, 2003
O vídeo é criado a partir do texto do poeta e artista peruano Cesar Moro, e narra o desenrolar de uma relação amorosa na qual a dor é um elemento comum e a reconciliação esta implícita.
Interdicciones
Diego Lama, Vídeo, 1’43”, 2001
Baseado no postulado de Bataille sobre o interdito, o vídeo cria um confronto entre o socialmente aceito e o proibido, utilizando uma cena do filme O Cão Andaluz, de Luis Buñuel, e a imagem de um violoncelista interpretando uma sonata de Bach.
La muerte de eros
Diego Lama, Vídeo, 22’55”, 2003
Tomando como base as obras da tragédia grega Édipo Rei e Electra, e utilizando seus personagens como padrões universais de caráter humano, o vídeo relata o processo de maturação e de decomposição da mente, em um referencial psicanalítico.
No-latin party
Diego Lama, Vídeo, 2’16”, 2003
A famosa cena do bolo do filme O Poderoso Chefão II é transformada em paródia quando o símbolo da Bienal de Veneza é colocado sobre o bolo e a trilha sonora é South American Way,  na voz de Carmen Miranda.  Uma irônica metáfora de como os megaeventos  europeus costumam deixar de lado os artistas que estão na periferia.
Schizo Uncopyrighted
Diego Lama, Vídeo, 5’24”, 2001
Utilizando a teoria pós-moderna, o artista faz uma apropriação ao incluir nela um elemento irônico. A cena do chuveiro do filme Psicose, de Alfred Hitchcock, é contraposta à versão de Gus Van Sant em total sincronia. Na trilha sonora, I love you, com Frank Sinatra.
Programa 2
BijaRI
Daniel Lima
14/12 a 22/12 (terça a quinta), às 14h*, exceto nos dias 14 e 16/12, quando a sessão começará às 13h.
Cinema do MAM
Estão vendendo nosso espaço aéreo
BijaRI, vídeo, 12’24”, 2004
Intervenção com balões, placas e volantes, no largo da Batata, em São Paulo, discute o que era vendido como projeto de “revitalização” local. O conceito de “gentrificação” – reforma de propriedade urbana que resulta na remoção da população de baixo poder aquisitivo – fundamenta a obra.
468
BijaRI, vídeo, 5’46”, 2006
As ações do grupo durante o processo de reintegração de posse do edifício Prestes Maia, no centro de São Paulo. Em uma delas, uma colagem com folhetos sobre gentrificação formou, no asfalto, o número 468, quantidade de famílias que ocupavam o prédio e estavam ameaçadas de despejo.
Galinha
BijaRI, vídeo, 4’19”, 2002
Uma galinha circula pelo largo da Batata e pela calçada do Shopping Iguatemi. As diferentes reações por parte de públicos tão distintos, apesar de próximos geograficamente, expõem o abismo entre classes na cidade.
¿Porque luchamos?
BijaRI, vídeo, 1’01”, 2007
Levados à 1ª Bienal do Fim do Mundo, na argentina Ushuaia, cartazes, vídeo, plotter, coquetéis molotov de cachaça e barril de petróleo integraram a ação, à qual se juntaram reivindicações locais por melhores condições de trabalho, educação e saúde.
Temos álcool para dar e vender / Ethanol Molotov for Yankee Target
BijaRI, vídeo, 1’18”, 2007
Intervenção nas vias pelas quais o presidente norte-americano George W. Bush passou com sua comitiva durante visita a São Paulo, por conta de acordo entre Brasil e Estados Unidos em relação à produção de etanol.
Várzea
BijaRI e Ricardo Iazzetta, vídeo, 8’30”, 2006
Videodança em que o futebol dispara reflexões sobre territórios, fronteiras, periferia e centro, enquanto a cidade de São Paulo é transformada em um grande campo de várzea.
Futebol
Daniel Lima, vídeo, 25’10”, 2005
A performance da Frente 3 de Fevereiro, no 15º Festival Internacional de Arte Eletrônica Videobrasil, usa música, texto e trechos de ações urbanas para expor os mecanismos às vezes sutis que dificultam o reconhecimento do racismo como questão social. Para lançar o tema, o grupo cria e abre uma bandeira gigantesca com a pergunta “Onde Estão os Negros?”, em um estádio de futebol lotado.
Liberte-se
Daniel Lima, vídeo, 18’45”, 2003
Registro de ação urbana em três atos reunindo A Revolução Não Será Televisionada e o grupo de teatro Cia. Cachorra. Os artistas testam a reação de passantes à frase-título em rua de São Paulo (Placa), convidam ambulantes a vender a frase em um farol (Bala) e levam a palavra-de-ordem a passeatas na Argentina (Faixa). Os anônimos que participam vão revelando do que precisam libertar-se.
DJ Malocca – Mutant Break
Daniel Lima, Fernando Coster e Thiago Dotori, vídeo, 4’10”, 2004
No primeiro videoclipe do DJ Malocca, projeto musical de Will Robson, Noizyman e Clara Moreno, planos parados de b-boys dançando se sucedem com uma fluidez que lembra o movimento dos performers.
Monumento horizontal
Daniel Lima, vídeo, 3’50”, 2004
Registro do ato simbólico em que o coletivo Frente 3 de Fevereiro marca o local do assassinato do jovem negro Flávio Sant’Ana pela polícia militar de São Paulo com uma placa de metal cimentada no asfalto. O vídeo mostra a refação da placa, em concreto, depois que a primeira é arrancada por policiais.
Racismo policial – Quem policia a polícia?
Daniel Lima, vídeo, 14’45”, 2004
Em intervenções concebidas para o projeto Zona de Ação, do SESC São Paulo, Frente 3 de Fevereiro e ARNSTV distribuem cartazes com a pergunta do título pela zona sul de São Paulo. Parado em frente a uma delegacia, Daniel Lima desafia o conceito de “atitude suspeita”, segunda maior causa de morte de civis envolvendo policiais militares.
Xuxa em chamas
Daniel Lima, vídeo, 1’55”, 2002
Quase um readymade, a obra do grupo A Revolução Não Será Televisionada apropria-se de trecho do programa infantil Xou da Xuxa em que um número de dança é subitamente interrompido por um incêndio no cenário. Desacelerado, o fragmento revela a trajetória rápida e surpreendente da criação à destruição da imagem.
Tudo que está no alto é como o que está embaixo
Daniel Lima, vídeo, 3’, 2003
O artista se prende a uma ponte levadiça e acompanha seu deslocamento para cima, como um passageiro clandestino. À medida que seu mundo se verticaliza, murmura a frase do título, que soa ao mesmo tempo real e irônica. No registro da ação, a presença do corpo se apresenta como tensão e como assinatura.
Artistas
BijaRI
Criado em 1997 por um artista plástico e nove estudantes de arquitetura, o coletivo paulistano ostenta como marca a déia da unidade na diversidade. Com projetos artísticos e comerciais realizados em meios variados – web arte, vídeo, performance, instalação, manipulação de som e imagem, design gráfico, videoclipe, videodança, intervenção e ativismo –. Empreendem uma permanente discussão sobre onde estão, quais são e por que se constituem limites e fronteiras na paisagem urbana, físicos ou psicológicos, camuflados ou explícitos.
Daniel Lima
Apoiado em uma reflexão sólida sobre a arte capaz de criar situações potencialmente desestruturadoras, Daniel Lima busca no tecido da cidade espaços a ocupar e ações possíveis. Ao sabor delas, move-se com liberdade incomum nas mais diversas direções artísticas: ora trabalha só, ora se articula com grupos e parcerias; ora se põe em cena, ora recua para criar estratégias e dar forma a ideias coletivas; ora se aproxima do desenho, da escultura, ora cria espetáculos híbridos que somam do teatro à fotografia sem parecer muito com nada disso.
Diego Lama
Exibidos em festivais, mostras e exposições, os vídeos de Diego Lama se estruturam em torno de uma intensa mistura de significados, através de tensas relações entre som e imagem, e entre montagem e ritmo. Em suas obras, conhecidas imagens vindas do cinema, são rearticuladas e ganham novos sentidos quando colocadas em outro contexto e reeditadas com novo som. O ingrediente mais importante nessa mistura de pessimismo e prazer é uma potente dose de ironia.
Martín Sastre
Com um mínimo de recurso e ironia fina, o artista uruguaio Martín Sastre constrói um universo onde a fama pode ser de todos – e onde dançam, ao compasso da mesma narrativa iconoclasta, de Michael Jackson a Hello Kitty, de Britney Spears a Matthew Barney. A fantasia, o glamour, a edificação de uma realidade habitada por luzes, riqueza e poder aqui se reproduzem em tom de paródia e ao sabor do gosto latino-americano. Seus vídeos e performances estiveram nas bienais de Veneza, São Paulo, Havana e Praga.
Serviço
Videoarte no MAM | FF >> Dossier
Período: 30 de novembro à 22 de dezembro (terças e quintas)
Horário: a partir das 14h. *Nos dias 2, 14 e 16.12, a sessão acontece às 13h
Local: Sala de Cinema do MAM
Entrada Franca

Na próxima terça-feira, 30 de novembro, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) dará início a mais uma edição do projeto Videoarte no MAM. O programa apresenta, nesta edição, 22 obras da publicação online do FF>>Dossier: o peruano Diego Lama, o uruguaio Martín Sastre e os brasileiros Daniel Lima e coletivo BijaRI. Realizado pela Associação Cultural Videobrasil, em parceria com o SESC São Paulo, o projeto tem curadoria geral de Solange Farkas, diretora do MAM. Desta vez, o projeto será dividido em dois eixos. O primeiro reúne a Trilogia Iberoamericana – composta por um ensaio em que o artista uruguaio, Martín Sastre, se apropria de formatos consagrados pela cultura de massa para ironizar as diferenças culturais entre os hemisférios Norte e Sul; e exemplos da instigante produção de Diego Lama, ferrenho crítico da posição em que se encontram os artistas de países em desenvolvimento, em relação às grandes potências. Já o segundo eixo terá como tema central a relação entre indivíduo e cidade, com obras de Daniel Lima e do coletivo BijaRI. Lima é o autor do monumento de luz projetado no MAM-BA em direção a África durante a Mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea (2005) e tem como marca a busca de espaços inusitados de expressão. As fissuras sociais, latentes nos grandes centros urbanos, são foco das ações e instalações do coletivo BijaRI. Lançado em 2009, o projeto permanente Videoarte no MAM tem como objetivo apresentar o vasto universo da produção contemporânea de videoarte do Brasil e do mundo, formando novos públicos e valorizando a diversidade de linguagens e estratégias artísticas. Programação Programa 1 (90’)Martín Sastre Diego Lama

30/11 a 09/12 (terça a quinta), às 14h, exceto no dia 02/12, quando a sessão começará às 13h. Cinema do MAM

VIDEOART: THE IBEROAMERICAN LEGENDVídeo, 15’, Martín Sastre, 2002 Início de La Trilogía Iberoamericana, narra como a América Latina passou a dominar o mundo depois da morte de Hollywood e de sua substituição por sonhos ibero-americanos, “mais baratos”.

MONTEVIDEO: THE DARK SIDE OF THE POPVídeo, 15’, Martín Sastre, 2004 Em um novo episódio da aventura ibero-americana, Martín Sastre mostra a capital do Uruguai, seu “pequeno segredo” e o desastroso “resultado final do pós-modernismo”.

BOLIVIA 3: CONFEDERATION NEXTVídeo, 15’, Martín Sastre, 2004 A trilogia termina. Corre o ano 2876. A Batalha pelo Controle da Ficção passa por seus momentos finais. O chamado “mundo desenvolvido” é subjugado pela Confederação de Nações Americanas, liderada pela Bolívia.

BEYOND SOMEWHEREDiego Lama, Vídeo, 2’51”, 2000 O vídeo mostra o processo mental de um suicida. O personagem tenta fugir da dor através da negação da própria morte durante o seu transcurso.

DESIRDiego Lama, Vídeo, 4’11’’, 2003 O vídeo é criado a partir do texto do poeta e artista peruano Cesar Moro, e narra o desenrolar de uma relação amorosa na qual a dor é um elemento comum e a reconciliação esta implícita. INTERDICCIONESDiego Lama, Vídeo, 1’43”, 2001 Baseado no postulado de Bataille sobre o interdito, o vídeo cria um confronto entre o socialmente aceito e o proibido, utilizando uma cena do filme O Cão Andaluz, de Luis Buñuel, e a imagem de um violoncelista interpretando uma sonata de Bach.

LA MUERTE DE EROSDiego Lama, Vídeo, 22’55”, 2003 Tomando como base as obras da tragédia grega Édipo Rei e Electra, e utilizando seus personagens como padrões universais de caráter humano, o vídeo relata o processo de maturação e de decomposição da mente, em um referencial psicanalítico.

NO-LATIN PARTYDiego Lama, Vídeo, 2’16”, 2003 A famosa cena do bolo do filme O Poderoso Chefão II é transformada em paródia quando o símbolo da Bienal de Veneza é colocado sobre o bolo e a trilha sonora é South American Way,  na voz de Carmen Miranda.  Uma irônica metáfora de como os megaeventos  europeus costumam deixar de lado os artistas que estão na periferia.

SCHIZO UNCOPYRIGHTEDDiego Lama, Vídeo, 5’24”, 2001 Utilizando a teoria pós-moderna, o artista faz uma apropriação ao incluir nela um elemento irônico. A cena do chuveiro do filme Psicose, de Alfred Hitchcock, é contraposta à versão de Gus Van Sant em total sincronia. Na trilha sonora, I love you, com Frank Sinatra.

Programa 2 BijaRI Daniel Lima 14/12 a 22/12 (terça a quinta), às 14h*, exceto nos dias 14 e 16/12, quando a sessão começará às 13h. Cinema do MAM

ESTÃO VENDENDO NOSSO ESPAÇO AÉREOBijaRI, vídeo, 12’24”, 2004 Intervenção com balões, placas e volantes, no largo da Batata, em São Paulo, discute o que era vendido como projeto de “revitalização” local. O conceito de “gentrificação” – reforma de propriedade urbana que resulta na remoção da população de baixo poder aquisitivo – fundamenta a obra.

468BijaRI, vídeo, 5’46”, 2006 As ações do grupo durante o processo de reintegração de posse do edifício Prestes Maia, no centro de São Paulo. Em uma delas, uma colagem com folhetos sobre gentrificação formou, no asfalto, o número 468, quantidade de famílias que ocupavam o prédio e estavam ameaçadas de despejo.

GALINHABijaRI, vídeo, 4’19”, 2002 Uma galinha circula pelo largo da Batata e pela calçada do Shopping Iguatemi. As diferentes reações por parte de públicos tão distintos, apesar de próximos geograficamente, expõem o abismo entre classes na cidade.

¿PORQUE LUCHAMOS?BijaRI, vídeo, 1’01”, 2007 Levados à 1ª Bienal do Fim do Mundo, na argentina Ushuaia, cartazes, vídeo, plotter, coquetéis molotov de cachaça e barril de petróleo integraram a ação, à qual se juntaram reivindicações locais por melhores condições de trabalho, educação e saúde.

TEMOS ÁLCOOL PARA DAR E VENDER / ETHANOL MOLOTOV FOR YANKEE TARGETBijaRI, vídeo, 1’18”, 2007 Intervenção nas vias pelas quais o presidente norte-americano George W. Bush passou com sua comitiva durante visita a São Paulo, por conta de acordo entre Brasil e Estados Unidos em relação à produção de etanol.

VÁRZEABijaRI e Ricardo Iazzetta, vídeo, 8’30”, 2006 Videodança em que o futebol dispara reflexões sobre territórios, fronteiras, periferia e centro, enquanto a cidade de São Paulo é transformada em um grande campo de várzea.

FUTEBOLDaniel Lima, vídeo, 25’10”, 2005 A performance da Frente 3 de Fevereiro, no 15º Festival Internacional de Arte Eletrônica Videobrasil, usa música, texto e trechos de ações urbanas para expor os mecanismos às vezes sutis que dificultam o reconhecimento do racismo como questão social. Para lançar o tema, o grupo cria e abre uma bandeira gigantesca com a pergunta “Onde Estão os Negros?”, em um estádio de futebol lotado.

LIBERTE-SEDaniel Lima, vídeo, 18’45”, 2003 Registro de ação urbana em três atos reunindo A Revolução Não Será Televisionada e o grupo de teatro Cia. Cachorra. Os artistas testam a reação de passantes à frase-título em rua de São Paulo (Placa), convidam ambulantes a vender a frase em um farol (Bala) e levam a palavra-de-ordem a passeatas na Argentina (Faixa). Os anônimos que participam vão revelando do que precisam libertar-se.

DJ MALOCCA – MUTANT BREAKDaniel Lima, Fernando Coster e Thiago Dotori, vídeo, 4’10”, 2004 No primeiro videoclipe do DJ Malocca, projeto musical de Will Robson, Noizyman e Clara Moreno, planos parados de b-boys dançando se sucedem com uma fluidez que lembra o movimento dos performers.

MONUMENTO HORIZONTALDaniel Lima, vídeo, 3’50”, 2004 Registro do ato simbólico em que o coletivo Frente 3 de Fevereiro marca o local do assassinato do jovem negro Flávio Sant’Ana pela polícia militar de São Paulo com uma placa de metal cimentada no asfalto. O vídeo mostra a refação da placa, em concreto, depois que a primeira é arrancada por policiais.

RACISMO POLICIAL – QUEM POLICIA A POLÍCIA?Daniel Lima, vídeo, 14’45”, 2004 Em intervenções concebidas para o projeto Zona de Ação, do SESC São Paulo, Frente 3 de Fevereiro e ARNSTV distribuem cartazes com a pergunta do título pela zona sul de São Paulo. Parado em frente a uma delegacia, Daniel Lima desafia o conceito de “atitude suspeita”, segunda maior causa de morte de civis envolvendo policiais militares.

XUXA EM CHAMASDaniel Lima, vídeo, 1’55”, 2002 Quase um readymade, a obra do grupo A Revolução Não Será Televisionada apropria-se de trecho do programa infantil Xou da Xuxa em que um número de dança é subitamente interrompido por um incêndio no cenário. Desacelerado, o fragmento revela a trajetória rápida e surpreendente da criação à destruição da imagem.

TUDO QUE ESTÁ NO ALTO É COMO O QUE ESTÁ EMBAIXODaniel Lima, vídeo, 3’, 2003 O artista se prende a uma ponte levadiça e acompanha seu deslocamento para cima, como um passageiro clandestino. À medida que seu mundo se verticaliza, murmura a frase do título, que soa ao mesmo tempo real e irônica. No registro da ação, a presença do corpo se apresenta como tensão e como assinatura. Artistas BijaRI Criado em 1997 por um artista plástico e nove estudantes de arquitetura, o coletivo paulistano ostenta como marca a déia da unidade na diversidade. Com projetos artísticos e comerciais realizados em meios variados – web arte, vídeo, performance, instalação, manipulação de som e imagem, design gráfico, videoclipe, videodança, intervenção e ativismo –. Empreendem uma permanente discussão sobre onde estão, quais são e por que se constituem limites e fronteiras na paisagem urbana, físicos ou psicológicos, camuflados ou explícitos. Daniel Lima Apoiado em uma reflexão sólida sobre a arte capaz de criar situações potencialmente desestruturadoras, Daniel Lima busca no tecido da cidade espaços a ocupar e ações possíveis. Ao sabor delas, move-se com liberdade incomum nas mais diversas direções artísticas: ora trabalha só, ora se articula com grupos e parcerias; ora se põe em cena, ora recua para criar estratégias e dar forma a ideias coletivas; ora se aproxima do desenho, da escultura, ora cria espetáculos híbridos que somam do teatro à fotografia sem parecer muito com nada disso. Diego Lama Exibidos em festivais, mostras e exposições, os vídeos de Diego Lama se estruturam em torno de uma intensa mistura de significados, através de tensas relações entre som e imagem, e entre montagem e ritmo. Em suas obras, conhecidas imagens vindas do cinema, são rearticuladas e ganham novos sentidos quando colocadas em outro contexto e reeditadas com novo som. O ingrediente mais importante nessa mistura de pessimismo e prazer é uma potente dose de ironia. Martín Sastre Com um mínimo de recurso e ironia fina, o artista uruguaio Martín Sastre constrói um universo onde a fama pode ser de todos – e onde dançam, ao compasso da mesma narrativa iconoclasta, de Michael Jackson a Hello Kitty, de Britney Spears a Matthew Barney. A fantasia, o glamour, a edificação de uma realidade habitada por luzes, riqueza e poder aqui se reproduzem em tom de paródia e ao sabor do gosto latino-americano. Seus vídeos e performances estiveram nas bienais de Veneza, São Paulo, Havana e Praga. Serviço: Videoarte no MAM | FF >> Dossier Período: 30 de novembro à 22 de dezembro (terças e quintas) Horário: a partir das 14h. *Nos dias 2, 14 e 16.12, a sessão acontece às 13h Local: Sala de Cinema do MAM Entrada Franca