Anunciados os vencedores da 3ª edição do Prêmio Cultura Viva

21/12/2010
Representantes de iniciativas culturais de diversos cantos do País reuniram-se na tarde do dia 15 de dezembro no histórico Palácio Gustavo Capanema, na capital carioca, para receber o 3º Prêmio Cultura Viva. Nessa edição, foram selecionadas ações que articulam cultura e comunicação no campo das artes e do patrimônio cultural. A cerimônia, comandada pelo grupo Nós do Morro, foi marcada por um clima descontraído e informal e pela emoção dos premiados. Intervenções teatrais, apresentações de dança e música intercalaram a entrega dos prêmios. Premiados A revista Tu Visse?!, produzida pela Fundação Municipal de Cultura de Bombinhas (SC), foi a grande vencedora na categoria Gestor Público. A publicação, que já se encontra na 15ª edição, procura registrar os costumes e tradições de Bombinhas e região. Segundo Patrícia Pires da Silva, representante da Fundação, o prêmio deve ser investido no incremento da tiragem da revista. “Também pretendemos oferecer oficinas para jovens para que eles próprios produzam o site da revista. Queremos criar uma versão online para dialogar mais com os jovens e fomentar o debate em cima do patrimônio imaterial da comunidade”, justificou Patrícia. Em 2º e 3º lugar, ficaram, respectivamente, a iniciativa Do Auto dos Navegantes ao Auto da Conceição, da Secretaria Municipal de Assistência Social de Areia Branca (RN), e a Noite do Canto e do Conto, da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Recreação de Itaguaçu (ES). Na categoria Grupo Informal, o 1º lugar foi para o Teatro Lambe-Lambe, de Salvador e outros municípios. A representante da iniciativa recebeu, bastante emocionada, o prêmio das mãos da gerente de Patrocínios da Petrobras, Eliane Costa. Em sua fala de agradecimento, leu um trecho do manifesto do grupo. Também foram premiadas nessa categoria as iniciativas Sacolão das Artes, de São Paulo /SP (2º lugar) e Kundun Balé, de Guarapuava / PR (3º lugar). Dos Pontos de Cultura, o grande vencedor foi a revista Menisquência, produzida por jovens do distrito da Brasilândia, região noroeste da capital paulista. Também foram premiados a TV OVO, de Santa Maria (RS) (2º) e o Circo de Todo Mundo, de Betim, Nova Lima e Belo Horizonte (MG) (3º). “Como nós não aparecemos de maneira positiva na grade mídia, criamos a nossa própria mídia”, explica um dos idealizadores da Menisquência, Luis Flavio Lima. Para ele, o prêmio, além de reconhecer e valorizar a iniciativa, coloca em evidência a Brasilândia para o Brasil inteiro. “Vai tirar de lá o estigma de bolsão de violência, de exclusão, de carências. Mostra que lá também existem coisas boas acontecendo”, acredita. A fala da jovem indígena Ana Claudia de Souza tem o mesmo tom. Ana Claudia estava ali como representante das Oficinas de Audiovisual da Ação de Jovens Indígenas de Dourados (MS), iniciativa premiada com o 2º lugar na categoria Organização da Sociedade Civil. “Dourados tem a sua imprensa local e eles só vão a aldeia para mostrar coisas ruins: brigas, mortes. Então, as oficinas foram importantes para podermos mostrar quem somos, o que a gente faz e o que acontece dentro da nossa aldeia”, explica. A primeira colocada nessa categoria foi a Agência de Notícias Favela é Isso Aí, de Belo Horizonte e interior de Minas Gerais. O 3º lugar foi para a iniciativa Mergulho Teatral do Vale do Jaguaribe, de municípios do Vale do Jaguaribe. Poder transformador da cultura Para a superintendente do Cenpec, Maria do Carmo Brant, “a comunicação é chave, é por ela que se dá a transmissão de saberes, se promovem identidades”. Mas ponderou: “Não basta ter ferramentas de comunicação. É preciso ter valores, atitude. Pela comunicação, podemos desenvolver uma convivência mais saudável e pacífica”. Representando o Ministro da Cultura, o secretário de Cidadania Cultural, TT Catalão, destacou a importância do Prêmio que, mais do que premiar, possibilita mapear as diversas iniciativas culturais existentes no Brasil todo. Falou também sobre o poder transformador da cultura e como as UPP''s seriam desnecessárias se antes fossem instalados pontos de cultura nas comunidades. “Estamos criando uma realidade muito diferente, na qual o povo passa a ser protagonista”, afirmou.