Últimos dias para visitação da mostra Farnese de Andrade na CAIXA Cultural Salvador

14/01/2011
Exposição reúne o melhor da criação do artista mineiro de Araguari A CAIXA Cultural Salvador encerra, neste domingo (16), às 18 horas, a exposição "Farnese de Andrade", que reúne 30 obras oriundas da coleção de Sebastião Abreu, um dos mais importantes colecionadores da arte contemporânea brasileira, com curadoria de Romaric Sulger Büel. A mostra foi aberta no dia 07 de dezembro de 2010 e a visitação, gratuita, continua nesta sexta, sábado e domingo, das 9 horas às 18 horas. A CAIXA Cultural fica na Rua Carlos Gomes, 57, no centro de Salvador. O crítico Frederico Moraes foi, com certeza, um dos que escreveram com mais precisão a respeito do trabalho misterioso desse artista, mas longe ainda de revelar todos os seus segredos: "A linguagem de Farnese é uterina, placentária, abismal: o dentro do dentro, a caixa na caixa. Há um encadeamento de coisas dentro de coisas: fotos envoltas de resinas, objetos dentro de armários, gavetas, redomas e gametas (ventre?). Há nele um jogo complexo e contraditório: O artista quer revelar o que esconde, ou vice-versa. É nesse esconder de coisas que reside muito do seu caráter mineiro. A transparência de alguns materiais e objetos acentua o jogo abismal, desnuda os sentimentos mais recônditos, o fundo da mina e da alma, o final do veio, Narciso e Anunciação". As expressões do barroco brasileiro, em toda a sua diversidade, estão presentes na obra de Farnese de Andrade. Ele nasceu em 1926, em Araguari, coração de Minas Gerais, que, na época, era um estado ainda preso à sua própria geografia. Religioso, patriarcal e com uma tradição intelectual e artística. Bolsista do governo brasileiro, em 1970 viajou e morou na Europa, mais precisamente em Barcelona, onde ficou até 1975. Mas, enquanto todos pensavam que viveria no estrangeiro para sempre, voltou. A atração pelo Brasil tornou-se mais poderosa que qualquer outra. A volta deu frutos e a fama de Farnese fortaleceu a paisagem artística brasileira. Mas não é por seu trabalho na gravura, sempre abstrato, nem como desenhista, sempre figurativo, que ele é, hoje, conhecido e reconhecido, mas com sua criação de objetos chamados BoxForms. Ainda nos anos 60, antes da sua viagem para a Europa, Farnese já havia desenvolvido um trabalho profundamente singular, cuja matriz explodida e iconoclasta é o barroco da sua infância. Oratórios, pedaços de madeira de igreja, bonecos de plástico com o rosto do Menino Jesus constituíram, até a sua morte, um mundo estranho, às vezes mórbido e com fortes referências eróticas. Resultado de uma infância secreta, a obra sempre onírica e poética dá força e senso a um trabalho sem igual. Preso pela tuberculose, sempre procurou estudar, experimentar, refletir, escrever. Foi gravador e ilustrador, o que fez dele um artista brasileiro à parte, escapando das classificações. Esse aluno de Guignard, em Belo Horizonte, tornou-se, mais tarde, no Rio de Janeiro, jornalista, crítico e professor, até acumular um conhecimento amplo da realidade artística brasileira e mundial. Serviço Encerramento da Mostra: Farnese de Andrade Encerramento: 16 de janeiro, domingo, às 18 horas Visitação: Sexta, Sábado e Domingo, das 9 horas às 18 horas Local: Caixa Cultural Salvador; Galeria Mirante e Sala dos Jesuítas Endereço: Rua Carlos Gomes, 57, Centro Salvador (BA) Acesso: Gratuito