Intercâmbio Internacional reúne Patrimônios da Humanidade em Santo Amaro

17/02/2011
Acontece nesse final de semana (19 de fevereiro), às 17 horas na Casa do Samba em Santo Amaro da Purificação,  encontro internacional de samba de roda (Brasil)  e maloya (Ile de Réunion), patrimônios da humanidade. O encontro contará com a presença dos grupos de samba de roda Samba Chula de São Braz e Raízes de Santo Amaro, e de maloya Lindigo. A apresentação fica por conta de Rosildo do Rosário, coordenador geral da ASSEBA, e Katharina Doring, pesquisadora. Na ocasião será apresentado o documentário Samba Chula de São Braz na Womex 2010, de Tadeu Mascarenhas, onde mostra a trajetória do grupo na maior feira de world music do mundo em Copenhague, passando por Lisboa e São Paulo. O evento visa contribuir com a difusão das riquezas e tradições culturais, mostrando o que há de melhor  da música tradicional do recôncavo e da ilha de Réunion, no outro lado do mundo. Lindigo ­Maloya é uma forma de música, canto e dança nativa da Ilha de Reunion, que tem origens mistas desde seu início. Maloya foi criado por escravos e descendentes deles da África e Madagascar nas plantações do açúcar de cana e foi aos poucos apropriado e executado pela população inteira da Ilha. LINDIGO é atualmente "o" grupo de referência do maloya da Ilha da Reunião. Revelado no show de encerramento do Festival AFRICOLOR (França), Lindigo lança seu terceiro álbum e multiplica shows. Depois de "Misaotra mama" (2004) e "Zanatany" (2006),  « Lafrikindmada » (2008) traduz as raízes do maloya**  e do povo da ilha da Reunião:   encontro da África, da Índia e mais especificamente de Madagascar,  com um grande interesse voltado ao idioma e tradições. Influenciados pelos "sevis kabaré", cerimônias em homenagem aos seus antepassados, a musica do grupo LINDIGO provoca a transe. Fundado em 1999 pelo cantor líder Olivier Araste, o show de LINDIGO é conhecido pela energia cênica e a comunicação com o publico. Pontuados de gaita e sanfona, LINDIGO é uma fúria de vozes e percussões que deixa marcas por onde passa. Nicinha Raízes - Santo Amaro Após a Abolição da escravatura em 1888, Mestre Popó de Santo Amaro da Purificação tornou-se o primeiro ex-escravo a levar para as ruas as festividades e as manifestações africanas, tais como o maculelê e o samba de roda, em homenagem à cultura afro brasileira. Seu filho adotivo deu continuidade a essas atividades e tornou-se conhecido como Mestre Vavá. Mais tarde, Nicinha e outros santamarenses formaram o Grupo Nicinha Raízes de Santo Amaro, continuando a apresentar o inestimável e relevante legado da música e da dança afro brasileira, para as platéias do Brasil e do exterior. Nicinha tornou-se a primeira Mulher a representar o maculelê (dança mais comumente praticada por homens). Em 1982, participou de uma turnê pela Alemanha, Itália, Holanda e Senegal. Em 1988, apresentou-se novamente na Alemanha. O Raízes do Samba tem mais de 30 integrantes que tocam pandeiro, reco-reco, agogô, tamborim, maraca. As sambadeiras preservam seu jeito particular de sambar com movimentos lentos e graciosos que, mesmo quando o ritmo começa a acelerar, não perdem sua qualidade sensual e sutil, o que permite a cada mulher se expressar de forma singular. O Grupo se apresentou  no Cowell Theater - San Francisco na Califórnia Estados Unidos; como parte da programação o espetáculo mistura brasileira IV edição no período de 19 à  21 de Janeiro de 2001, com absoluto sucesso. Na oportunidade, o grupo apresentou o samba de roda e o maculelê e samba de caboclo num animado afoxé. Recentemente o grupo foi contemplado pelo edital Petrobrás Cultural 2011, que prevê gravação e disponibilização das musicas no meio digital. Samba Chula de São Braz O Samba Chula tem uma trajetória profissional interessante que ao longo dos anos foi crescendo, com participações em shows e programas de Roberto Mendes, Maria Bethania, Gilberto Gil, Regina Casé, Antônio Nóbrega, como também varias viagens para a realização de apresentações musicais em São Paulo (SESCs e ITAU Cultural), Goiás e várias cidades da Bahia (Salvador, Recôncavo, Ilhéus, Jequié). O reconhecimento para este grupo musical que continua preservando e aprimorando o Samba Chula de raiz da região de Santo Amaro,  passou a ser significativo com o Premio Pixinguinha - Bahia, 2008-2009 que resultou na gravação de um CD de qualidade profissional: "Quando dou minha risada, há, há...".  Em 2010 o grupo Samba Chula de São Braz realizou uma série de apresentações importantes, tendo como objetivo final se apresentar na Womex Copenhague 2010, passando por Lisboa (Centro Cultural Interacidade) e São Paulo (Museu AfroBrasil). Intercâmbio Internacional: Samba de Roda - Brasil e Moloya - Ile de Réunion Patrimônios da Humanidade 19 de Fevereiro de 2011 17 horas Casa do Samba - Santo Amaro - BA Entrada Franca