28/02/2011
Blocos afro, afoxés, de reggae, samba, percussão e de índio possibilitam a moradores da cidade curtirem a folia em todos os circuitos do Carnaval.
Pelo quinto ano consecutivo, o desfile das entidades de matriz africana do Carnaval de Salvador está garantido graças ao apoio financeiro do Carnaval Ouro Negro, programa de fomento da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA. Ao todo serão investidos R$ 5 milhões, distribuídos entre 137 agremiações, entre afoxés, blocos afro, de samba, de índio, de reggae e de percussão. O valor a ser recebido por cada bloco varia entre R$ 15 mil a R$ 100 mil e depende de critérios objetivos como dias de desfile, quantidade de associados, uso de fantasias específicas e o tempo de fundação da entidade.
Para dezenas de comunidades carentes da cidade, a presença na Folia de Momo só é possível graças a entidades como os blocos afro e afoxés que, além de preservarem as heranças africanas fundamentais para a cultura baiana, realizam ações sociais envolvendo moradores de bairros da periferia da cidade, possibilitando o caráter democrático do Carnaval.
Boa parte dessas agremiações carnavalescas faz distribuição das fantasias gratuitamente, em associações comunitárias e culturais, ou cobram valores bem abaixo do mercado carnavalesco. Com o crescimento dos camarotes e blocos de trio, que cobram preços altos para os foliões, as entidades de matriz africana mantêm as características que fazem do Carnaval baiano a maior festa popular do planeta. O desfile dessas agremiações acontece, diariamente, nos três principais circuitos da Folia (Dodô, Osmar e Batatinha), além de animarem o Carnaval do Pelourinho.
No trajeto Barra-Ondina (circuito Dodô), o mais disputado por camarotes e veículos de comunicação, também acontece o desfile de entidades do Programa Carnaval Ouro Negro, a exemplo dos blocos afro Cortejo Afro, Olodum e A Mulherada, os afoxés Filhos de Gandhy e Filhas de Gandhy e o bloco de reggae Banana Reggae. Os dois primeiros dias, quinta e sexta-feira, do circuito Osmar (Campo Grande) ainda atraem uma multidão ao Centro de Salvador por conta do desfile dos blocos afro, afoxés e de reggae e, principalmente, dos blocos de samba, que enchem a Avenida com os ritmos musicais da herança africana. O mesmo se repete em todos os dias da Folia Momesca.
Crescimento - Os recursos oriundos do Ouro Negro se destinam à aquisição e à contratação de material, insumos e serviços necessários para a composição da proposta estética e cultural da entidade. O programa foi iniciado em 2008, com 104 entidades que dividiram um montante de R$3,6 milhões. Ou seja, em quatro anos, houve um aumento de mais de 26% no volume dos investimentos. Neste período, o Carnaval Ouro Negro, além de ampliar o número de entidades beneficiadas, incluiu 25 agremiações que desfilam na Micareta de Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia.
Outra importante mudança que o Programa Ouro Negro trouxe para a relação governamental de apoio às entidades de matriz africana foi a antecipação do repasse de recursos. Os blocos beneficiados recebem os valores em tempo suficiente para uma melhor organização do desfile. Para o ano de 2011 foram mantidos os critérios já praticados desde o primeiro ano do Ouro Negro, sendo realizadas algumas modificações na pontuação, visando ao aperfeiçoamento do projeto. As modificações dizem respeito a forma de custeio, circuito de desfile e número estimado de participantes.
Catálogo Ouro Negro – Além do apoio financeiro, o Carnaval Ouro Negro inclui a capacitação de dirigentes das associações em gestão e empreendedorismo, por meio de parceria com o Sebrae, e a promoção de uma maior visibilidade desses blocos, que são um dos componentes mais relevantes na tradição do Carnaval de Salvador. Entre as estratégias de divulgação do Carnaval das entidades negras estão a parceria com o IRDEB, para cobertura dos desfiles pela TVE e Rádio Educadora, e a publicação do Catálogo Ouro Negro.
Parceria da Secretaria de Cultura com a Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) e o Sebrae, o Catálogo é uma edição ilustrada e bilíngüe (português e inglês) com informações de todas as entidades que se inscreveram no programa, e textos analíticos de pesquisadores. A terceira edição do catálogo, traz o perfil de 176 entidades, incluindo as agremiações de Feira de Santana que desfilaram na Micareta em 2010 com apoio do projeto. A ideia do catálogo é dar visibilidade aos grupos, atraindo novos foliões e patrocinadores. A distribuição será realizada antes e depois do Carnaval em agências de viagens, hotéis, jornais e revistas especializadas, entre outros públicos, do Brasil e do exterior. Clique aqui para baixar o PDF do Catálogo 2011.
“Com o Programa Carnaval Ouro Negro a SecultBA garante que o Carnaval não perca sua diversidade, sua riqueza cultural e a participação popular, elementos fundamentais para a dinâmica da festa. É muito importante que moradores de comunidades do Centro e ou da periferia da cidade possam curtir a folia em todos os circuitos, mantendo o caráter democrático do Carnaval. Isso tem sido possível graças à ação desses blocos de matriz africana, que realizam um desfile de beleza, história e consciência social e política, enriquecendo nosso Carnaval”, afirma o secretário de cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim.
Programação do Carnaval Ouro Negro 2001, consulte aqui
Confira outras atrações do Carnaval 2001 no site www.carnaval.ba.gov.br