Tradições da Semana Santa podem ser vistas no Museu de Arte da Bahia

19/04/2011
Um bom programa para quem vai passar o feriadão da Semana Santa em Salvador é visitar o acervo do Museu de Arte da Bahia relacionado ao evento. O MAB, localizado no Corredor da Vitória, só não vai abrir no feriado da sexta-feira, mas vai funcionar na terça e quarta das 14 às 19 horas e na Quinta-feira Santa, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa, das 14 às 18 horas. Obras como os painéis da Procissão do Senhor dos Passos da Ajuda, pintados por José Rodrigues Nunes, a imagem do Cristo Crucificado, de autor desconhecido do século XVIII e os painéis da Procissão dos Fogaréus, de autoria de José Joaquim da Rocha, fazem parte do acervo permanente do Museu e representam, com solene magnificência, momentos de penitência e dor como o caminho do Calvário, a Flagelação e a Crucificação, entre outros. PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS DA AJUDA A Procissão do Senhor dos Passos da Ajuda foi introduzida no Brasil pelos frades carmelitas calçados. Tradicionalmente, o cortejo saía de segunda a sexta-feira da quaresma e percorria as ruas do centro de Salvador. Parava nas “Estações da Via Sacra”, onde se colocavam retábulos ou pinturas representando os Passos da Paixão. Estas grandes telas eram visitadas pela procissão e ficavam assim distribuídas nas diversas fachadas das casas por onde passava: o primeiro, no Oitão direito da Sé. O segundo, no alto do Largo do Pelourinho. O terceiro, na fachada lateral da antiga Casa dos Pires, à rua do Paço do Saldanha, esquina do terreiro. O quarto, na mesma rua, na fachada do Liceu de Artes e Ofícios. O quinto, no Oitão esquerdo da Sé. O sexto, no frontispício do Palácio do Governo. O sétimo, na curta passagem da rua direita do Palácio para a rua do Pão-de-Ló. Os painéis, num total de sete, faziam parte da procissão da Sexta-feira Santa dos “Passos da Paixão de Cristo”, também chamada de “Encontro”, e foram pintados por José Rodrigues Nunes, em 1855. Em 1933, os painéis foram doados ao Museu de Arte da Bahia pela Irmandade do Senhor dos Passos da Ajuda. Dos painéis existentes no Museu, três estão aqui expostos: “A Flagelação”, “A Caminho do Calvário” e “Ecce-Homo”. CRISTO CRUCIFICADO Este Senhor do Bom Caminho de autor desconhecido do século XVIII é de madeira policromada (cedro engessado e pintado). A Imagem do Cristo Crucificado era venerada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, sendo encontrada na casa forte desta Igreja. Em dezembro de 1828 houve um incêndio que principiou no trono do altar e se estendeu pelo teto da capela-mor, causando sérios danos. Embora a imagem tenha escapado das chamas, ficou esfumaçada. Diante do ocorrido, a mesa da Irmandade mandou restaurar a capela-mor, confiando a obra de talha a Joaquim Francisco de Mattos e o douramento a José Teófilo de Jesus. Em setembro de 1834, quando se concluiu o restauro, a mesa decidiu que a imagem, por ser muito grande e estar enegrecida, não voltaria a seu antigo lugar. Em 1933, a escultura foi transferida para o Museu do Estado. A PROCISSÃO DOS FOGARÉUS Na Bahia, as notícias sobre a Procissão dos Fogaréus reportam ao ano de 1584. Foi instituída pelos jesuítas e, posteriormente, incorporada pela Santa Casa de Misericórdia. Reproduzia a busca e prisão de Cristo no Monte das Oliveiras. A procissão saía da Igreja da Santa Casa de Misericórdia na Quinta-Feira Santa, à meia noite, vindo a recolher-se às primeiras horas da madrugada do dia seguinte. O cortejo organizava-se em várias alas. À frente, destacava-se a bandeira da Irmandade, seguida dos sete Passos da Paixão, em painéis, cada um conduzido por dois sacerdotes e dois irmãos da Misericórdia. As outras alas compunham-se de irmãos que carregavam tocheiros e varas. Entre os dois últimos Passos da Paixão vinham o provedor e o escrivão, que tradicionalmente carregava a imagem do Crucificado sobre o pálio. Por fim, os músicos que acompanhavam os cânticos e as ladainhas. A procissão visitava sete igrejas, percorrendo os templos da Freguesia da Sé. Notícias remotas contam que o cortejo visitava as igrejas da Ajuda e São Bento. A população comparecia em massa, destacando-se autoridades eclesiásticas, políticas e militares. Havia dois personagens que tinham participação obrigatória, quebrando o tom solene da procissão. Um era o ‘Gato da Misericórdia’, que vestido em túnica azul tocava a matraca. O toque indicava a parada e o prosseguimento do cortejo. O ‘gato’ era perseguido com insultos e até apedrejado por populares insubordinados. O outro, era o ‘enxota-cães’ ou ‘farricoco’. Vestia túnica e capuz com dois orifícios para os olhos na cor roxa. A sua função era afastar com chicote ou baliza os que investiam agressivamente contra o ‘gato’. A força policial encarregada de manter a ordem, entrava em confronto com os desordeiros e na forma como agiam, aumentava o tumulto e o desrespeito ao ato religioso. Os conflitos ganharam tais proporções que a Procissão dos Fogaréus saiu pela última vez em Salvador, no ano de 1872. Os painéis da Procissão dos Fogaréus foram encomendados a José Joaquim da Rocha pela Santa Casa de Misericórdia, em 1786. Pintados a óleo e duplos, representam em uma face, cada um dos Passos da Paixão e na oposta, anjos com as insígnias e instrumentos relativos a cada etapa do Calvário. Em 1934, estes painéis passaram a integrar o acervo do Museu de Arte da Bahia. SERVIÇO: SEMANA SANTA NO MUSEU DE ARTE DA BAHIA VISITAÇÃO GRATUITA NA TERÇA E QUARTA DAS 14 ÀS 19 HORAS QUINTA-FEIRA DAS 14h30min ÀS 18h30min SEXTA FEIRA, FERIADO DA SEMANA SANTA, O MAB NÃO FUNCIONA SÁBADO E DOMINGO DAS 14h30min ÀS 18h30min