[caption id="attachment_9950" align="aligncenter" width="300" caption="Foto: Roberto Nascimento"]
[/caption]
A primeira grande reforma da Casa de Oxóssi, localizada no Terreiro da Casa Branca, será concluída ainda este mês (Julho/2011). Iniciada em dezembro de 2010, a intervenção contempla boa parte da estrutura do local. O projeto foi financiado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (Secult/Ba), através do Programa de Editais do Fundo Estadual de Cultura, em um investimento de quase R$ 20 mil.
Os editais integram ações da
Secult/BA que possibilitam a participação efetiva da sociedade civil nas políticas culturais. Segundo o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, desde que foram criados, em 2008, 72 projetos vem sendo executados, em um investimento de cerca de R$ 2 milhões do Fundo de Cultura, beneficiando vários municípios da Bahia. Para a realização da obra da Casa de Oxóssi, a Associação São Jorge do Engenho Velho – entidade responsável pelo terreiro – apresentou um projeto em que justificava a importância do local passar por reestruturação.
A Casa de Oxóssi faz parte do terreiro mais antigo do Brasil, a Casa Branca, conhecida em yorubá como Ilê Axé Iyá Nassô Oká. Construída no século 19, a Casa Branca está localizada no Engenho Velho da Federação e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 1984, como primeiro centro religioso não-católico a ser reconhecido como patrimônio nacional pelo Ministério da Cultura. Com 6.800 metros quadrados, a Ilê Axé Iyá Nassô Oká possui, além do barracão, casas de santo, praça com fonte e barco, entre outros itens sagrados, tendo o Templo principal de Xangô.
Com o recebimento da 1ª parcela, no valor de R$ 11.997,93, a laje e o telhado foram ampliados. “Antes, a área era aberta e quando tinham festas, as pessoas acabavam se molhando, por não ter nenhuma proteção ao redor da Casa. Agora, com a área coberta, vai ficar bem melhor. O espaço ficará mais amplo e ainda teremos mais pessoas participando”, disse Ekedy Sinha, uma das responsáveis pela casa e conselheira de Ingá, também conhecida como Mãe das Águas.
Ekedy Sinha ainda ressaltou que sentiu satisfação por ter ganhado o Edital, um dos 72 realizados pelo
IPAC, e ainda ser mantida a cultura do Terreiro da Casa Branca e da Casa de Oxóssi: “Achei justo pelo fato de não ser uma vaidade e sim uma necessidade da reforma da Casa. Não era uma obrigação e sim respeito à nossa cultura”, afirmou Ekedy Sinha.
[caption id="attachment_9952" align="aligncenter" width="244" caption="Foto: Roberto Nascimento"]
[/caption]
Sobre a Casa Branca
O Barracão que tem o nome de Casa Branca é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências das principais pessoas do Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Orixás, quarto de Axé, Salão onde são realizadas as festas públicas, bem como a cozinha onde as comidas sagradas são preparadas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o caráter sagrado deste espaço. No telhado do Barracão, símbolos de Xangô identificam o Patrono do Templo.
A Sociedade Beneficente e Recreativa São Jorge do Engenho Velho – que representa o candomblé da Casa Branca – foi fundada em 25 de julho de 1943, registrada no Cartório Especial de Títulos e Documentos em 2 de maio de 1945 sob o nº. 15.599. Declarada de utilidade pública pela Lei Municipal 759, de 31 de dezembro de 1956, é regida por Estatuto e tem personalidade jurídica.
Mais informações com um dos proponentes do projeto, Antônio Luiz, pelo telefone (71) 8122.4252. Os Editais do IPAC são publicados sempre no
site. Mais informações pelo endereço eletrônico
editais@ipac.ba.gov.br e telefones (71) 3117.6491 ou 3117.6492.