20/07/2011
por Antonio Albino Canelas Rubim
Secretário de Cultura do Estado da Bahia
O Pelourinho ocupa lugar vital na cultura baiana e brasileira. Centro Histórico da cidade e ícone da cultura afro-baiana, ele se tornou na atualidade o nosso lugar de maior visibilidade. Com a proximidade das copas das Confederações e do Mundo, esta visibilidade nacional e internacional será muito ampliada. Cabe buscar maneiras de reanimar rapidamente sua vida cultural.
A atração e instalação de novas Instituições e centros culturais para o Centro Histórico é uma das medidas mais adequadas e de maior potencial para desenvolver o ambiente cultural, pois a movimentação contínua de pessoas, atrações e recursos propiciada por estas organizações fortalecerá em muito a dinâmica daquela região da cidade. O Pelourinho comporta uma grande diversidade de instituições e centros culturais.
A organização de calendário anual de festas periódicas se apresenta como outra medida apropriada para dinamizar o Pelourinho. O Carnaval, o festival do Ülodum, as festas Juninas e o Natal fazem parte deste possível calendário de atividades periódicas. A festa carnavalesca vem se afirmando como um carnaval da diversidade, pois seus diferentes largos e praças comportam estilos musicais e atrações bem variadas, contemplando públicos e gostos bastante diferenciados.
O festival de artes do ülodum é uma tradição do Pelourinho. Ele aglutina um conjunto de manifestações relevantes da cultura afro-baiana, que tem no Pelourinho e no Olodum dois de seus maiores expoentes. O umbilical enlace do Pelourinho com a cultura afro-baiana configura mesmo sua singular Identidade.
As festas Juninas - Santo Antônio, São João e São Pedro - produziram recentemente uma boa animação no Pelourinho, que funciona como um belo ambiente para tais festejos. O Natal aparece como uma alternativa para este território especial da cidade. Suas ruas e casarios parecem propícios para abrigar decorações, presépios, corais, autos de rua inovadores e muitas iniciativas que atraiam a população baiana e brasileira.
Outras comemorações podem ser imaginadas para complementar este calendário anual: o festival literário (Flipelô), pensado pela Casa de Jorge Amado para o próximo ano; um festival cultural da diáspora africana no mundo; feiras de artesanato e de antigüidades, bem como encontros e seminários. A atração de eventos é um dos pilares da política cultural para o Pelourinho.
A estas festas devem ser agregadas outras atividades eventuais de grande impacto, tais como a Festa de Santa Bárbara e o cortejo do Dois de Julho. Além deles, cabe destacar os acontecimentos realizados co-tidianamente nas áreas de: música, teatro, dança, culturas populares, cinema, artes visuais, literatura, livros, debates etc. Instalação de residências artístico-culturals e, em especial, a inauguração de uma instituição público-privada voltada para o Carnaval baiano emergem como relevantes neste conjunto de idéias.
O Carnaval da Bahia, por sua envergadura, requer e comporta a construção de uma Casa do Carnaval que, através de recursos tecnológicos avançados, documente a festa e mostre Interativamente musicas, imagens, depoimentos, histórias, fantasias e possibilite estudos, pesquisas e o debate do Carnaval, inclusive em seminários Internacionais sobre os carnavais do mundo.
O recurso às tecnologias informáticas deve garantir o Pelourinho como uma zona livre para a utilização da internet, visando atrair usuários e permitir a Instalação de um polo de empreendimentos de economia criativa. O potencial criativo de Pelourinho necessita ser estimulado para que possa se renovar de modo contínuo.
Por óbvio, tais idéias culturais não bastam para resolver o Pelourinho. Em conjunto com elas, são necessárias multas outras medidas em diversas áreas de políticas, em especial aquelas voltadas para a infraestrutura, a exemplo de suas dimensões: urbanas, de segurança pública, de serviços públicos, de saúde, educacionais, de desenvolvimento social e de turismo. Mas, por certo, a implantação de tais Idéias pode dinamizar bastante a vida do Pelourinho.