15/08/2011
Fundação Pierre Verger e Casa Oxumarê remontam a história do centro cultural e religioso, através de publicação
“Casa de Oxumarê: Os cânticos que encantaram Pierre Verger” é o livro organizado por Angela Lühning e Sivanilton Encarnação da Mata (Babá Pecê) que será lançado na próxima quinta-feira, dia 18 de agosto, no Espaço Cultural da Barroquinha, às 18h. A publicação conta com 2 CDs e narra a história da Casa Oxumarê - tombada pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia) desde 2004 -, reunindo melodias gravadas por Pierre Verger durante sua passagem pela instituição religiosa. O projeto é fruto da parceria entre a Comunidade Oxumarê e a Fundação Pierre Verger e conta com o patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura. Idealizado por Verger e Mãe Simplícia, o projeto levou mais de 50 anos para se tornar documento público por causa da falta de recursos e dificuldades enfrentadas pelo candomblé, principalmente em épocas de muito preconceito. Construído através de entrevistas, pesquisas de cartas trocadas por Verger com personalidades baianas (como o primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba, Martim Gonçalves), além de documentos do acervo da Fundação Pierre Verger, todo o levantamento deste livro foi realizado por Angela Lühning, pesquisadora da instituição. “Tentei reunir informações que pudessem sustentar e explicar o processo das gravações feitas há cinco décadas. Foi como procurar “agulha no palheiro”, tive de começar a partir de um ponto até encontrar uma pista e seguir. Demorou um pouco isso, mas, juntando pedacinhos, documentações escritas e lembranças de pessoas que participaram do projeto, o livro se tornou possível”, conta Lühning. O que se destaca entre as diversas fontes utilizadas para remontar a história do terreiro é o contato pessoal de Verger com as pessoas e suas tradições religiosas. Tal interação foi o que o motivou a mostrar a força das vozes e dos atabaques daquela casa secular, evidenciadas nas gravações feitas com os alabês (no culto dos jejês é o encarregado do instrumental do candomblé) e de um grupo de filhas de santo, em dezembro de 1958, quando a Casa de Oxumarê ainda estava sob a administração de Mãe Simplícia. O atual pai de santo do terreiro, Babá Pecê, com o apoio da comunidade ajudou a fazer o levantamento da história da casa. Consultaram arquivos e reconstruíram a trajetória do local, contando com a memória dos mais velhos, documentos, fotos pessoais e testemunhos do povo-de-santo. Para o Babá Pecê o trabalho foi difícil, mas foi também satisfatório. “Existem muitos livros que falam de terreiros. Antes havia antropólogos, historiadores, pesquisadores, sempre alguém que falava da gente. Mas nada é mais importante do que a nossa capacidade de contar a nossa própria história. Assim a gente ajuda a preservar a cultura, nossa identidade, a firmar a nossa história perante a sociedade”, declara o Babalorixá. A publicação não se restringe apenas ao espaço interno do terreiro. Se propõe a mostrar também aspectos do desenvolvimento urbano de Salvador, da região da Vasco da Gama, onde estão localizados, tanto a Casa de Oxumarê, quanto a Fundação Pierre Verger. SERVIÇO Lançamento do Livro “Casa Oxumarê: Os cânticos que encantaram Pierre Verger”, de Angela Lühning e Sivanilton Encarnação da Mata (Babá Pecê). Livro com 2 CDs, 154 páginas., Editora Vento Leste (Salvador). Quando: dia 18 de agosto de 2011 Onde: Espaço Cultural da Barroquinha [Praça Castro Alves, s/n, Barroquinha, Salvador] Preço de venda: R$60 Evento aberto ao público. Detalhes da programação: 18h30: Abertura musical com apresentação do Coral “Espaço Cultural Pierre Verger” Toque de abertura dos Alabês com o Coral Oxumarê e apresentação de dança de Thais e Negrizu 18h45 - Apresentação do livro por Luis Nascimento (representante da Petrobras), Babá Pecê e Ângela Lühning 19h - Abertura: Toque dos Alabés Reflexões: “ A história da percussão na Bahia. O papel que os terreiros de candomblé desempenharam para a disseminação desta tradiçao. Toques e cânticos do candomblé”. Apresentações de Jaime Sodré (PhD em História da Cultura Negra, professor da Uneb e Cefet, doutorando em História Social pela Uneb) e Jorge Sacramento (percussionista/assistente da Orquestra Sinfônica da Bahia, professor de percussão e Mestre em Educação Musical pela Ufba) 19h30 - Encerramento: Toque de encerramento dos Alabês com o Coral Oxumarê com apresentação de dança de Thais e Negrizu Apresentação do Coral “Espaço Cultural Pierre Verger” 20h - Abertura da Exposição “ A viagem dos tambores: da África às Américas”, acompanhada de coquetel, momento no qual os autores autografarão os livros comercializados.
