25/08/2011
Camila Baker, uma comédia estranha faz suas últimas apresentações na Sala do Coro do TCA. A peça de Fernando Guerreiro só tem mais este final de semana em cartaz, com exibições de sexta-feira a domingo (26, 27 e 28 de agosto), nesta primeira temporada. O elenco é formado por Fernando Marinho, Diogo Lopes Filho, Widoto Áquila, Rafael Medrado e Pisit Mota, todos eles comediantes de talento e vasta experiência de palco.
A versão montada por Guerreiro foi revisada em maio deste ano em curso pelo próprio autor Emílio Boechat. Mas esta não é a primeira montagem do diretor baiano do hilário e intrincado texto de Boechat. Duas peças anteriores de Camila Baker estrearam e fizeram sucesso em São Paulo sob sua direção, costumeiramente bem cuidada em mínimos detalhes: a primeira foi em 1999, com Raul Gazzola, Caco Ciocler, Dalton Vigh, Claudio Fontana e Mateus Carrieri, e a segunda, em 2005, interpretada por Daniel Boaventura, Marcos Mion, Leonardo Brício, Otavio Muller e Danton Mello.
O elenco da montagem atual é de craques do riso. Fernando Marinho, de volta a justo lugar de destaque na cena como protagonista, interpreta a personagem-título Camila, uma diva do teatro em decadência. Rafael Medrado, que vem se revelando comediante de primeira grandeza, representa a invejosa irmã da diva em ocaso Virgínia, atriz que nunca alcançou o sucesso e sempre esteve à sombra da mana talentosa. Conhecido do público por sua extensa e bem-sucedida carreira teatral, Widoto Águila faz Dorothy, a fiel camareira e acompanhante de Camila. Pisit Mota dá expressão ao esquisito filho da diva Wolfgang. E o versátil ator Diogo Lopes Filho faz sua versão de Jennifer, personagem que é a principal detonadora das incríveis reviravoltas dessa trama hilária.
“A comédia Camila Baker é uma homenagem ao teatro” como entende Fernando Guerreiro. Faz referência a suas mais caras convenções cênicas, assim como seus clichês e propósitos humanitários, sociais, psicológicos e existenciais. Percorre com deboche e picardia os seus principais gêneros e subgêneros. Assim, os flashbacks da carreira de sucesso de Camila reproduzem cenas de tragédia grega com as impostações próprias desse constructo milenar; visitam o melodrama e seu rico código; passam pela “peça de protesto” demolindo seus elevados objetivos, com muita perspicácia humorística; também aportam em “montagem de vanguarda”, evidenciando seu risível nonsense; e ainda curte uma peça infantil carregada de lugares-comuns ao filão.
O recurso dos flashbacks das encenações outrora protagonizadas por Camila proporciona a cada um dos atores da comédia interpretar vários outros personagens, o que acaba por imprimir um ritmo acelerado à montagem, assim como permite performances variadas ao elenco.
Embora se situe em zona de comédia aberta e escancarada, Guerreiro observa que ela exige do público referência e reflexão. Não se trata de um humor raso, fácil e muitas vezes ofensivo, como se tem visto muito pelos palcos Brasil afora. É humor inteligente, crítico, sutil. A concepção do espetáculo aposta que o público de comédias é atualmente mais qualificado, exigente e com espírito disponível a se deliciar com situações cômicas mais sofisticadas.
Sinopse:
Camila Baker conta a saga da fictícia atriz de teatro (do título da peça) que abandonou tudo para tentar a sorte no show business. Sua história é contada a partir de flashbacks que relembram trechos de sua vida e de seus grandes espetáculos, entre eles, uma tragédia grega, uma peça de protesto, uma montagem teatral de vanguarda e outra infantil. Quando o espetáculo começa, a ex-diva do teatro está louca e desterrada em sua própria mansão, com aspecto decadente. Além da própria Camila (interpretada por Fernando Marinho), moram lá sua irmã Virgínia (Rafael Medrado), seu filho Wolfgang (Pisit Mota) e sua fiel camareira Dorothy (Widoto Áquila), entrevada em uma cadeira de rodas. A história sobre a loucura e o fim da carreira de Camila Baker vem à tona quando a mansão recebe a inesperada visita de Jennifer (Diogo Lopes Filho). A trama guarda muitas reviravoltas e surpresas rocambolescas. Mas o humor negro e o nonsense ainda são a marca registrada do texto.
Serviço:
Comédia teatral: Camila Baker, uma comédia estranha
Autor: Emílio Boechat
Direção: Fernando Guerreiro
Temporada: na Sala do Coro do TCA, de sexta-feira a domingo, às 20h, até 28 de agosto de 2011
Elenco: Fernando Marinho, Diogo Lopes Filho, Widoto Áquila, Rafael Medrado e Pisit Mota.
Realização: Canto Claro Produções Artísticas/ Responsável: Edyna Pereira
Ingressos: Sexta-feira - R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia),
sábado e domingo - R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves (Campo Grande, Salvador - BA, fone: (71) 3535-0600
Quando: De sexta-feira a domingo, às 20 horas, até 28 de agosto de 2011
Quanto: Sexta-feira R$30,00 (inteira) e sábado e domingo R$40,00 (inteira)