Encontro sobre arte, educação e política cultural

21/11/2011

Mais de 120 pessoas participaram do debate realizado no Centro Histórico

Debates interessantes e diferentes apresentações artísticas foram os principais atrativos do Encontro de Cultura da Bahia, realizado neste sábado (19/11), no auditório da Faculdade de Medicina da UFBA, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. Mais de 120 pessoas participaram das atividades e mantiveram o espaço repleto durante todo o dia. A relação entre arte e educação, política e economia da cultura foram alguns dos temas em discussão. “Parabenizo a todos pela realização do Encontro que favorece o debate mais político sobre a cultura, o que é muito escasso no Brasil. Espero que outros partidos, principalmente os de esquerda sigam este exemplo”, disse o secretário Estadual de Cultura, Albino Rubim. Ele participou do encontro ao lado da deputada federal, Alice Portugal (PCdoB) e da deputada estadual, Luiza Maia (PT). Para Rubim, é preciso admitir que existem conflitos na área da cultura, pois nem toda cultura merece ser difundida e fomentada. “Nós temos que ter meta quantitativa e qualitativa da cultura. Não temos interesse em desenvolver uma cultura machista, racista, homofóbica e preconceituosa, como ainda existe algumas por ai. É preciso sim desenvolver culturas que favoreçam o desenvolvimento da sociedade”, afirmou, defendendo o projeto da deputada Luíza Maia, que proíbe o Estado de patrocinar artistas que desvalorizem a imagem da mulher. A deputada federal Alice Portugal falou das discussões no Congresso Nacional sobre a cultura, como a possibilidade de diminuição do orçamento da Ministério da Cultura para o próximo ano, inclusive nas emendas parlamentares. Para a deputada, a perda destes recursos é provocada em parte pela gestão atual do Ministério, que até o momento só executou 67% da pasta. “Nós precisamos nos mobilizar e cobrar avanços. Mesmo tendo os melhores nove anos de governo que este país já experimentou, nós não podemos esquecer que viemos e somos dos movimentos sociais. Precisamos ir para as ruas e forçar a barra para alcançar avanços também na área cultural. O acesso a cultura deve ser uma política de Estado, pois é uma política emancipatória”, conclui Alice Portugal. Debates consistentes “O Encontro, tanto na parte da manhã, quanto pela parte da tarde surpreendeu a todos pela consistência dos debates. Quem não veio perdeu uma a oportunidade de um excelente curso, um curso mesmo do que é cultura e política cultural. Como nós pretendíamos, o encontro é para abrir perspectivas de mobilização. A gente quer criar uma corrente pública de opinião que se envolva mais diretamente na pressão sobre o Estado, para mudarmos a relação de arte, cultura e educação, no sentido de uma nova educação, qualitativamente diferente, a nível do ensino fundamental, médio e universitário, passando também por uma relação mais produtiva, criativa e livre com a economia de interesse de mercado, a gestão pública e os produtores dos artistas”, avaliou o coordenador do Coletivo de Cultura do PCdoB na Bahia, Javier Alfaya. O primeiro tema em debate foi a relação entre arte, educação e cultura. Na mesa, Rui Cezar, Antonio Godi, Sérgio Farias e Graça Campos deram excelentes contribuições à discussão, mostrando através de abordagens diferentes que esta interação é essencial para a produção e difusão de cultura no país. A parte da tarde foi iniciada com música, poesia e teatro. Logo em seguida, Carlos Paiva e Messias Bandeira fomentaram as discussões sobre a relação entre arte, cultura e Estado, trazendo suas experiências na suas áreas de atuação, o Estado e o mercado, respectivamente. Vital Vasconcelos falou sobre sua experiência à frente da Secretaria de Cultura do município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.