Ciganos, livro fotográfico de Rogério Ferrari, será lançado hoje no Foyer do TCA

16/12/2011
Rogério Ferrari lançará no dia 16 de dezembro, no Foyer do Teatro Castro Alves, em Salvador, o seu novo livro Ciganos. O livro é resultado de sua itinerância pelas comunidades ciganas da Bahia. Durante três meses, entre 2010 e 2011,Ferrari percorreu um total de 40 municípios. O resultado é a visão de um povo com identidade própria, e imagens numa perspectiva distinta dos estereótipos e estigmas comuns que marcam a percepção sobre os ciganos. Apesar das perseguições sofridas ao longo de séculos, os ciganos seguem sendo ciganos. Através do livro será possível obter uma informação ampla e contrária ao preconceito. O livro Ciganos, na sua versão baiana, significa a primeira etapa e publicação de um projeto que tem caráter nacional. Com duzentas páginas, 96 imagens, em preto e branco, e fotografado com película, a publicação trás ainda o prefácio da antropóloga Florencia Ferrari, um mapa e o texto do autor. O livro é uma produção independente e foi parcialmente financiado através de edital da Fundo de Cultura da Bahia. O livro Ciganos se inscreve dentro do projeto Existências-Resistências que o fotógrafo desenvolve há alguns anos e que inclui outras publicações sobre povos e movimentos sociais como os palestinos, os curdos, os saarouís, os zapatistas, e os sem terra no Brasil. Ciganos, o livro, como publicação inédita e sem precedentes mostrará, portanto, a vida dos ciganos tal como ela é agora. O cotidiano de um povo que como outros faz parte da formação da sociedade brasileira. Céu de Estrelas "...Daquele tempo em Ipiaú até iniciar a itinerância desse trabalho os ciganos estiveram sempre próximos ao sentido comum dos temas que fotografo. Imagens de uma analogia entre povos e movimentos populares que lutam por autodeterminação e democracia verdadeira. Palestinos, Curdos, Zapatistas, o povo do Saara Ocidental, e o MST. Seria forçoso e equivocado incluir os ciganos nesse barco se perdêssemos de vista a relação da luta política com a luta pela defesa de uma cultura. O chumbo macio das TVs e a massificação antecede e cumpre a tarefa de eliminar existências, resistências e povos distintos. A passividade e o engano tornaram-se conduta. Não sem motivos Exército e Policia passaram ao lugar de retaguarda. No entanto, nem todos abdicaram da necessidade e da possibilidade de re-existir." R.F E o que tem a ver a fotografia com isso? A fotografia é algo que nos pega pela mão e diz, venha ver (…) Esse Ver depende do discernimento de cada Olhar. Sendo a foto um fragmento, e estando submetida ao crivo de uma interpretação pessoal, ela não fica impossibilitada de mostrar a realidade, e por essa realidade propor uma ação. O projeto não surgiu de uma escolha estética ou da busca do exótico para fotografar. Se fez pelo propósito de retratar os ciganos numa perspectiva distante dos estigmas e dos estereótipos, e próxima o possível para tentar revelar o cotidiano desse povo." R.F Desdobrar a vida cigana Neste livro, a idéia de captura se estende ainda a um outro campo semântico, a fotografia. Nota-se a dificuldade de capturá-los em uma única imagem. Rogério Ferrari é sensível a esse impedimento e sabe desdobrar a vida cigana em uma descrição visual complexa e aditiva. Uma fotografia sozinha não é capaz de representar “o que são os ciganos”. Seu trabalho se dá por aproximação, por acumulação, por deslocamentos de perspectivas. Sua fotografia parece incorporar princípios tipicamente ciganos de estar e lidar com o mundo. (Prefácio/Florencia Ferrari). SERVIÇO O quê: Lançamento do Livro Ciganos, de Rogério Ferrari e exposição de fotos Lançamento - 16/12/2011(sexta-feira) - horário - 19:00 Exposição - 17/12 a 21/12/2011 (sábado a quarta-feira) - horário 12:00 às 18:00 - 02 a 12/01/2012 (segunda a quinta) - horário - 12:00 às 18:00 Foyer do TCA