Política de territorialização amplia acesso aos acervos dos museus da Bahia

10/01/2012
Em 2011, exposições itinerantes, atividades culturais, fóruns de debate, oficinas e cursos realizados nos diversos Territórios de Identidade do estado colaboraram para a democratização do acesso aos museus e para a articulação e qualificação do setor museológico na Bahia. A partir de uma ação pioneira no estado, a 1ª Feira de Museus da Bahia, o público de Salvador também pôde conhecer um pouco mais da história e do acervo de 26 espaços museais da capital e do interior. O evento integrou a programação da 9ª Semana Nacional de Museus e foi realizado em maio pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC) em plena Praça Municipal. Através do Projeto Rodin Itinerante, 11 mil pessoas de quatro municípios baianos (Itabuna, Feira de Santana, Porto Seguro e Santo Amaro) tiveram acesso à arte do escultor francês Auguste Rodin que tem esculturas em gesso expostas no Palacete das Artes Rodin Bahia. Atualmente a exposição está montada em Ilhéus e, em fevereiro de 2012, chega a Maragogipe. Pela primeira vez, uma cidade do interior, escolhida através de votação por profissionais do setor, sediou o Encontro Baiano de Museus, que teve como tema “Museus, Territórios e Inclusão Sociocultural”. Durante o evento, promovido em setembro no Teatro Municipal de Ilhéus, foi lançada a mostra itinerante Museus da Bahia: identidade e territórios, que é resultado de um trabalho de articulação e mapeamento de instituições museológicas baianas, realizado pela DIMUS desde 2009. Em seguida, a exposição foi montada no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima (Vitória da Conquista) por ocasião da IV Conferência Estadual de Cultura. A itinerância de Museus da Bahia integra ainda um projeto de ampliação da atuação dos museus em diferentes comunidades de Salvador. Em novembro, escolas dos bairros de Cajazeiras e Itapuã abrigaram a mostra e contaram com oficinas voltadas à valorização do patrimônio cultural local. “Estas ações reforçam nosso objetivo de desenvolver políticas públicas que promovam a integração dos vários espaços museais existentes no estado”, pontua a Diretora de Museus do IPAC, Maria Célia T. Moura Santos. Se o público em geral foi beneficiado por esta programação descentralizada, 124 estudantes, pesquisadores, museólogos e funcionários de espaços museais da capital e do interior da Bahia e de outros estados do país foram contemplados com atividades de formação e capacitação. Em meados de dezembro, o Museu de Arte da Bahia sediou a oficina “Plano museológico: implantação, gestão e organização dos museus”. No mês de novembro, foi encerrado em Barreiras o Ciclo de Oficinas de Capacitação que vem sendo promovido desde o ano passado nas sete macrorregiões museais que atendem aos 26 territórios de identidade da Bahia. E para estimular a formação de doutores na área, foi realizado em Salvador o II Curso de Estudos Avançados em Museologia a partir de uma parceria entre a DIMUS, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia de Lisboa, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto Brasileiro de Museus e Associação Brasileira de Museologia. O apoio e mobilização dos profissionais do setor também foram fundamentais para o avanço do processo de criação do Instituto Baiano de Museus (IBAM). A proposta de Política Setorial para os Museus do Estado também foi elaborada e discutida com diversos setores da sociedade ao longo do segundo semestre de 2011. Alinhada com as diretrizes da Política Nacional de Museus e da Secretaria de Cultura do Estado, a proposta de projeto de lei para a criação do instituto já está sendo avaliada pela Secretaria da Administração do Estado da Bahia e deve ser votada na Assembleia Legislativa em 2012. O IBAM terá a finalidade de assessorar e acompanhar a política museológica do estado para que ela seja colocada em prática nos museus e irá administrar os espaços museais que hoje estão sob a responsabilidade do IPAC.