CARNAVAL DA CULTURA E DA DIVERSIDADE

22/02/2012

A força da festa e da alegria vence o medo e o Carnaval de 2012 acontece marcado pela diversidade e espontaneidade do Pelourinho, pela singularidade do Carnaval de Maragojipe, pela beleza dos desfiles do Ouro Negro e pela mistura e democracia do Carnaval Pipoca, um modelo que se espalha pela cidade

Através de quatro programas, Ouro Negro, Pelourinho, Pipoca e Outros Carnavais – Maragojipe, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) estimulou a diversidade e a democratização da maior festa popular do país, com investimentos de mais de R$ 13,5 milhões. No clima de paz e de alegria que marcou o Carnaval deste ano - e que representou a capacidade de superação do povo e a força que a festa e a alegria têm na Bahia -, o Pelourinho se consolidou com um dos espaços mais interessantes da programação, por sua mistura de ritmos, pelos encontros promovidos entre diferentes artistas e pela espontaneidade do público. Além dele, o Carnaval de Maragojipe comprovou a sua singularidade e foi o toque especial no Carnaval promovido este ano pela Secult, que apoiou ainda os desfiles do Ouro Negro, representante dos momentos de maior beleza e afirmação da identidade cultural da Bahia, e as atrações do Carnaval Pipoca, que levaram a ousadia da mistura, com rock, reggae, pop, samba, rap e soul para a avenida. Este ano, o Carnaval foi antecedido por um momento dramático para a sociedade baiana, que gerou muito pânico e insegurança. “Apesar deste episódio, que poderia quebrar o clima do Carnaval, a capacidade festiva da Bahia foi superior  a essa sensação de medo. O Carnaval se realizou, e se realizou bem, porque as pessoas foram ganhando confiança na segurança das ruas. Foi bonito ver que a festa e a alegria do povo conseguiram superar tudo isso”, afirma o secretário de Cultura, Albino Rubim, que viu o Carnaval do Pelourinho se consolidar como espaço da diversidade e segurança, com público de 600 mil pessoas (100 a mais do que em 2011, segundo dados da Polícia Militar), e comemorou o sucesso da aposta do Carnaval de Maragojipe, que este ano teve um público 30% maior que em 2011, atraindo 26 mil pessoas e conseguindo 100% de lotação em seus hotéis e pousadas, de acordo com a Secretaria de Cultura e Turismo de Maragojipe. Para a Secretaria, estes resultados são reflexos da aposta em um outro modelo de Carnaval, baseado na diversidade de público e de atrações. Um Carnaval mais democrático e cidadão, construído a partir de programas alicerçados em diretrizes e conceitos muito claros. “Pensamos em fazer um Carnaval onde a diversidade fosse reconhecida como um Valor. Implantamos essa diretriz, que foi traduzida em uma política cultural concretizada na programação do Carnaval do Pelourinho e do Carnaval Pipoca, já que os dois possuem a diversidade como principal característica”, explica o Albino. E esta diversidade se expressou nas noites temáticas do Pelourinho, que promoveu encontros e diálogos culturais de diferentes artistas e grupos musicais de gêneros diferenciados a cada dia; na grade diversificada de atrações que se apresentaram nos Largos do Pelô; e nos trios do Carnaval Pipoca, levando sempre ao folião uma programação variada, de diferentes ritmos, como uma alternativa ao Carnaval tradicional da cidade. “Nossa intenção foi trazer de volta para as ruas o Carnaval espontâneo, divertido, criativo, como ele era antes. Um Carnaval onde existia mais brincadeira, mais fantasia. Por isso, conseguimos atrair atrações e um público tão diverso, comprovando o sucesso deste conceito. O Carnaval da Diversidade, criado e promovido pela Secretaria de Cultura do Estado, está se tornando uma marca forte do Carnaval  da Bahia”, afirma Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias, unidade responsável pelas políticas para as festas populares, incluindo o Carnaval, dentro da Secretaria. Neste sentido, de investir em modelos alternativos de Carnaval, a aposta em Maragojipe foi uma ação pensada dentro da diretriz de aprofundamento das ações de territorialização da Secretaria da Cultura, e alinhada aos projetos de salvaguarda de bens imateriais. “A nossa intenção com a criação do Programa Outros Carnavais é apoiar a folia momesca para além da cidade de Salvador, baseado em critérios como a singularidade e o histórico destas festas”, conta o secretario Albino Rubim, que começou pelo Carnaval de Maragojipe  por seu reconhecimento como Bem Imaterial, registrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e cultural da Bahia em 2009. Para Albino, o papel do Estado, nestes casos, não é o de sustentar os bens tombados ou registrados, mas contribuir com a sua salvaguarda e preservação. “Apoiamos apenas as manifestações tradicionais do Carnaval de Maragojipe, como as orquestras, os blocos de mascarados, as charangas e fanfarras, dando maior visibilidade ao que existe de singular nesta festa”, ressalta o secretário. E para finalizar, o Ouro Negro, um programa que vem contribuindo para a sustentabilidade de blocos de samba, reggae, percussão, de matriz africana e indígena, e construindo uma estética e uma plasticidade visual singular do Carnaval da Bahia a partir da identidade cultural afro-baiana, deu novamente um show a parte neste Carnaval. Foram 126 entidades que desfilaram pelos três circuitos da festa. “Com o Ouro Negro, promovemos o resgate, a valorização a divulgação da riqueza da indumentária, da música percussiva, das danças e das tradições dos blocos de matrizes africanas e indígenas. E é aí que está o cerne deste programa: a preservação e difusão desta identidade”, finaliza Arany Santana.