23/02/2012
Neste último dia do Carnaval, terça-feira, 21 de fevereiro, a folia maragojipana foi celebrada pela população residente e turistas, que, como todo ano, fizeram do Carnaval da cidade um evento de características excepcionais, com foliões e artistas dando vida a uma festa de máscaras, caretas, fantasias, marchinhas, charangas, orquestras e diversas manifestações espontâneas da população. O saldo do Carnaval de Maragojipe 2012, segundo o que se viu nas ruas e o depoimento de participantes, é bastante positivo.
O historiador e músico René Nobre, de 36 anos, maragojipano residente em Salvador, participa da festa todo ano: "Para mim, é motivo de orgulho ver o Carnaval daqui ser repercutido Bahia afora. As pessoas continuam fazendo o Carnaval de Maragojipe acontecer, mas agora o poder público também está cuidando disso. A organização está mais profissional e isso é muito bom", afirmou.
Tombado como Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia desde 2009, o Carnaval de Maragojipe, este ano, tem apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do programa Outros Carnavais, investindo R$ 270 mil no evento. Albino Rubim, secretário de Cultura do Estado, visitou a cidade nesta terça-feira, e conferiu a segunda tarde de desfiles do "Concurso de Mascarados e Fantasias", cujos 26 premiados em 10 categorias foram anunciados em momento festivo no Palco Principal da festa, à noite, distribuindo mais de R$ 18 mil em prêmios.
"Parece incrível, mas isso aqui não é Carnaval. Isso é magia, e magia não se explica!", falou com orgulho o marceneiro maragojipano Carlos Sabino, de 51 anos. "Não posso nem dizer que participo do Carnaval de Maragojipe, porque, na verdade, o que faço é viver isso", completou, enquanto exibia sua fantasia de rei.
Segundo estimativa da Secretaria de Cultura e Turismo de Maragojipe, o Carnaval de Maragojipe 2012 atraiu à cidade um público 30% maior do que no ano passado, quando entre 17 mil e 20 mil pessoas curtiram a festa a cada dia – o que significa que, este ano, cerca de 22 mil a 26 mil foliões ocuparam os espaços públicos diariamente. Mbeni Waré, 27 anos, estudante de Cinema de Salvador, é uma das estreantes na festa, chegou a Maragojipe no sábado e está hospedada em uma das pousadas locais. "É minha primeira vez e estou achando lindo, uma delícia! A gente pode brincar de boa e admirar esta cultura das fantasias e máscaras, que é muito bonita. O Carnaval de Maragojipe é original, verdadeiro, democrático", opinou Mbeni.
O comerciante Emanuel de Souza, 31 anos, é de família proprietária de um dos bares da cidade. "A gente se reveza nas tarefas para todo mundo da família poder conciliar trabalho e diversão. Ontem, eu fui para a rua vestido de Shrek; hoje, minha mãe é quem está por aí fantasiada", explicou. "Este ano, a gestão pública investiu mais em estrutura e na diversificação de atrações, e isso se reflete nas vendas. Tivemos um bom Carnaval", completou Emanuel.
A programação deste dia de despedida ofereceu 15 shows musicais em três diferentes palcos e trios, além de apresentações culturais. Na lista de shows, entre orquestras, banda Suinga, Reality Roots e Águia do Samba, a Retrofolia dos Retrofoguetes agradou em cheio o público, que, com suas fantasias e interpretações, dançou ao som do repertório de músicas de velhos carnavais.
Morotó Slim, guitarrista dos Retrofoguetes – ou melhor, GBzista, termo utilizado para os tocadores de Guitarra Baiana –, adorou a experiência: "Isso é inacreditável. Me sentia em Veneza, com esta gente enfeitando a plateia. É um estranhamento bom lidar com um público de fantasiados, pessoas vestidas e cobertas de adereços até a cabeça. É bonito como a população leva a sério este hábito, e se diverte com ele. Pretendo voltar ano que vem!", disse Morotó, instrumentista de referência na música baiana, mestre na guitarrinha (como os veteranos chamam a Guitarra Baiana) e no guitarrão (nome dado para a guitarra comum).
