Ókánbí faz homenagem a Fela Kuti, Muzenza e Aspiral saúdam o reggae

23/02/2012
Ellen OlériaGOGNelson Maca. A cantora brasilense, talento da música negra; o rapper de rimas contundentes; e o poeta de versos fortes. Figuras reconhecidas nacionalmente pelo enfrentamento ao racismo e às diversas formas de preconceito através da arte. E não por acaso, foram os convidados especiais dobloco afro Ókánbí, no desfile pelo circuito Batatinha. Este ano, a entidade levou pra avenida o tema "África 70. Um tributo a Fela Kuti: a arma é a música". O cantor nigeriano foi o criador do movimento Afrobeat na década de 1970 e hoje é mundialmente reconhecido por ter usado a música para protestar contra a opressão do povo africano A ideia foi do poeta Nelson Maca. "Desde que eu apresentei a proposta ao bloco, em nenhum momento eles criaram resistência. Pelo contrário, abraçaram a ideia na hora. Fela Kuti é o artista africano mais revolucionário da África contemporânea",comemora. "O Ókánbí mostra coragem, inovação e resistência ao escolher esse tema. Fela Kuti faz protesto através da música; e a música é uma forma de protesto. Não há transformação social sem música",afirma GOG, que soltava seus versos em meio à percussão comandada por Jorjão Bafafé, em sua primeira passagem pelo Carnaval de Salvador. Já a cantora Ellen Oléria se apresenta pela segunda vez na festa momesca, algo que considera muito especial. "Quando o avião está posando em Salvador, eu sinto uma energia intensa. Tenho uma sensação de que estou voltado pra casa. Na avenida isso é ainda mais forte. É um privilégio pra mim, poder compartilhar esse momento com pessoas maravilhosas", derrete-se em elogios. Entre as alas, referências ao homenageado. O país de origem estava representado e os integrantes do bloco usavam desenhos no rosto, feito com tinta branca. "Fela Kuti pintava o rosto com algo que ele chamava de ''pó espiritual'' para se apresentar. Costumava fazer o mesmo com suas esposas e filhos, como forma de afastar o mal. Então fizemos esta forma de tributo", explica a diretora do bloco, Zezé Barbosa. Sentindo o Reggae – Elementos de origem africana também estiveram representados no Muzenza, que desfilou como tema"Tribo Jamaica", homenagem ao país da diáspora afro-caribenha, responsável por popularizar a música reggae. Tradicional, o bloco é símbolo de resistência do carnaval baiano. O que é motivo de orgulho para os seus associados. "O racismo nos exclui. Dizem que somos perigosos, que somos marginais, não nos dão o devido valor. Então, nós saímos na paz, sem brigas, nos divertimos muito e mostramos que não somos nada disso", orgulha-se o aposentado Edvaldo Pereira, associado do Muzenza. O cantor e compositor Kamaphew Tawá levou a música reggae pra o Circuito Batatinha. Makone Tafari e Jô Colado fizeram participação especial. O bloco sem cordas do Aspiral do Reggae trouxe o tema "Reggae não é para se ouvir, é para sentir. Quem não sente não conhece". Os foliões levavam cartazes com foto de artistas famosos do ritmo jamaicano, como Bob Marley e Jimmy Cliff. "O carnaval é um espaço de diversidade, por isso não pode faltar a música reggae, que é um ritmo que só eleva a paz", disse a diretora, Jussara Santana. Estas entidades integram o Carnaval Ouro Negro, programa de apoio ao desfile de blocos de matriz africana, criado em 2009, pela Secretaria de Cultura da Bahia. Em 2012, o programa contempla 126 entidades, entre afoxés, blocos afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão, com um investimento de R$ 5,305 milhões.