23/02/2012
Uma grande bandeira com a palavra "Invisibilidade", traduzida em oito idiomas, abriu o desfile do Cortejo Afro no Circuito Dodô (Barra-Ondina) no domingo (19/02).
Com o tema "Outras Palavras", o bloco homenageou o cantor e compositor Caetano Veloso. "É uma justa homenagem a Caetano, por outro lado, é uma metáfora para falar de arte, preconceito, racismo e visibilidade", diz Alberto Pitta, diretor e criador do Cortejo Afro.
O primeiro carro foi inspirado no terreiro de Mãe Santinha, 86 anos, mãe de Pitta, que desfilou sentada em posição de destaque no carro, como se estivesse em seu próprio terreiro.
Logo após, senhoras desfilaram vestidas de Oxum, seguidas por uma ala de baianas, composta por mulheres de diversas gerações. Dona Ana Souza, de 67 anos é uma delas. Acompanhada de suas filhas e netas, disse: "É uma paixão muito grande pelo cortejo, eu estou junto com a minha família há três anos nos desfiles".
As vestimentas dos bailarinos e percussionistas chamaram atenção. Segundo o coreógrafo Silva Tavas, as roupas foram inspiradas nas burcas, trajes mulçumanos das mulheres que cobrem todo o corpo, até o rosto e os olhos. "Essa foi a forma que o bloco usou para protestar contra a invisibilidade que a grande mídia televisiva dá ao Cortejo Afro", afirma.
Jayme Figura, irreverente artista plástico, que desafia a invisibilidade no cotidiano de Salvador, foi um dos destaques do majestoso cortejo.
O Cortejo Afro faz parte do Carnaval Ouro Negro da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT-BA), e ainda se apresentou na segunda-feira (20/02), no Circuito Dodô.