23/02/2012
Travestidos, os integrantes do bloco As Sapatonas tranformaram o Circuito Batatinha num grande cenário de brincadeiras. Além da saia e blusa ''costa-nua'', alguns usavam adereços no cabelo, batom, sombra e até blush. Outros levaram a coisa mais a sério, como o estudante Henrique Souza. Ele colocou unhas postiças e calçou salto alto. Questionado sobre a produção, ele brinca: "Pra ficar bonita na Avenida vale tudo".
"Hoje meu nome de guerra é Ana Carla", logo avisa o segurança Carlos Vilas Boas, de 51 anos. Foi um dos primeiros associados do bloco. Começou a desfilar com 26 anos. A paixão é tanta que tatuou o nome do bloco no braço direito. Mas ele explica a fidelidade. "Nós todos temos os dois sexos, o masculino e o feminino. O ano todo somos homens, maridos e pais de família. No caranaval, nesses dois dias de ''Sapatonas'', liberamos nosso lado feminino", faz graça.
Este ano, a entidade carnavalesca faz 25 anos de existência e como forma de comemorar o aniversário, liberou a participação das mulheres dentro da corda. Elas gostaram da novidade. "É bom porque os homens podem trazer as namoradas e as esposas. Estou adorando participar", disse a professora Ivaneide da Conceição. Mas para quem ficou muito animada com a notícia, o diretor do bloco, Dé Bosco, dispara: "Foi só esse ano, não sei se vai continuar. Não sei se vai se tornar uma nova tradição".
Afoxés e homenagens – O bloco Templo dos Orixás coloriu a Rua Chile com oito alas de dança, baianas, roda de capoeira e banda de percussão. A festa que fizeram foi em homenagem à tevê Educativa da Bahia (TVE). Os integrantes consideram que a emissora é um espaço onde a cultura é comunicada com liberdade.
Com todos os associados vestidos de vermelho e branco, o bloco Filhos do Korin Efan fizeram uma reverência a Xangô, deus da Justiça para as religiões de matrizes africanas. A tradicional ala das Baianas desfilou empunhando o machado, ferramenta atribuida ao Orixá. Outro orixá homenageado no circuito Batatinha foi Exu. O afoxé Laroiê Arriba desfilou com o forte vermelho nas fantasias e o tridente nas mãos de alguns dos associados, em referência ao orixá dos caminhos, "o mensageiro". O ijexá domina no desfile dos afoxés pelo circuito Batatinha.