Gerônimo se veste de senador e decreta a alegria e a diversidade na Avenida

23/02/2012
Gerônimo se vestiu de senador e, de paletó e gravata, decretou para todo o Campo Grande: "seremos um País de festa, amor e alegria". Recitou, em seguida, o poema "O País do Carnaval", de Jorge Amado. Depois de pedir as bençãos do escritor, cantou "Da Calçada pro Lobato", música que gravou com a banda Baiana System, a mesma que dividia o trio Pipoca Doce com ele eMárcia Castro. A chuva prometia desabar a qualquer momento no Carnaval Pipoca, mas o cantor conseguiu comover os orixás ao som de "É D''oxum". Desta forma, garantiu uma entrada bela e seca na madrugada entre o sábado e o domingo. No bloco apoiado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT-BA) coube de tudo: samba, samba-reggae, rock, e até uma versão de "Fogo e Paixão", de Wando, em ritmo de arrocha. Márcia Castro cantou para os foliões do Circuito Osmar sucessos dos Novos Baianos (Preta, Pretinha), Clara Nunes (Lamento de Dor), Jorge Ben Jor (Menina Mulher da Pele Preta). "O importante para nós foi trazer clássicos, improvisos. Eu vim de senador corno, que bem poderia ser um personagem de Jorge Amado. Márcia veio de minha esposa. A ideia é gozar o momento, na esculhambação. Usar o poder que a música tem de unir as pessoas", explicou Gerônimo. Robertinho Barreto, guitarrista da da Baiana System, foi para misturar estilos. "Não temos estilos tão parecidos, mas existem muitas afinidades entre nosso som, o de Gerônimo e o de Márcia. Queríamos fazer este encontro e o melhor é que foi num trio onde todo mundo pode pular", explicou. Para Márcia Castro, o bloco sem cordas é uma tendência do Carnaval baiano. "Eu só toco há dois anos na folia, mas percebi que o Carnaval deste ano está bem diferente do ano passado. As pessoas acordaram para o fato de que o modelo das cordas não dá certo e que, sem diversidade, as ruas ficam vazias", revelou. Maratona - Dançando como se não houvesse amanhã, Viviane Abreu, 24 anos, acompanhava os cantores na rua às 3h da manhã. Ela já tinha vindo do Curuzu, onde acompanhou a saída do Ilê Aiyê. "E acordo cedo ainda hoje porque vou viajar para a Chapada Diamantina. Mas gosto muito de "Pecadinho", de Márcia Castro, não quis perder. Esse Carnaval sem axé é essencial. O Carnaval é plural e precisa de alternativas para construir sua identidade", contou. Larissa Oliveira, 25 anos, gostou do clima de Carnaval de rua que sentiu na Avenida. "Gosto muito de Gerônimo, de Márcia e da Baiana System. Um trio como esse, sem cordas, afirma para todo mundo que o Carnaval acontece mesmo é na rua", afirmou.