Albino Rubim destaca a importância da discussão sobre cidades e culturas na agenda eleitoral

29/02/2012

Secretário de Cultura abriu, nesta terça-feira (28), o Fórum de Pensamento Crítico com a discussão sobre Cidades e Festas

A importância de debater temas relacionados às Cidades e Culturas, principalmente por conta do aumento expressivo da urbanização nos últimos anos - no Brasil, 84% da população moram em cidades - foi destacada pelo secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, durante a abertura do primeiro encontro do Fórum do Pensamento Crítico, realizado na noite desta terça-feira (28), no auditório do Conselho Estadual de Cultura, em Salvador. “Por ser ano de eleição municipal, torna-se ainda mais importante debater temas relacionados à cultura e cidades, para que eles integrem a agenda eleitoral de todos os partidos”, pontuou Rubim. Este primeiro encontro do Fórum, programado para ocorrer até o final deste ano, atraiu um grande público e teve como tema a relação entre Cidades e Festas, aproveitando a proximidade do último carnaval, a maior festa popular do estado. O Fórum é realizado pela Secretaria de Cultura (SecultBa) em parceira com a Secretaria de Planejamento (Seplan). O debate do dia foi estimulado pelos professores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Wlamyra Albuquerque, Paulo Costa Lima, Paulo Miguez e Ordep Serra.

A historiadora Wlamyra Albuquerque ressaltou que as festas são reflexos das cidades. “Olhar para a rua é olhar para os conflitos da sociedade, as festas mostram esses conflitos, por isso há muita política em uma rua em festa”, disse. Usando imagens de antigos carnavais para mostrar como a festa expressa as tensões sociais de cada época, a professora mostrou que o carnaval é um dos momentos em que a sociedade lida com as hierarquias, mas com a possibilidade de brincar com elas. O professor Paulo Costa Lima afirmou que “não há como se pensar o binômio cidades e festas sem pensar sobre a política” e, repensando o carnaval, defendeu a aplicação de “políticas do imaginário”, para que a festa seja pensada como patrimônio e não meramente como mercado. Já o professor Paulo Miguez pontuou que todas as cidades tem suas festas, sendo estas uma marca constante na imagem brasileira. Concordando com a visão das festas como arena de conflitos, Miguez advertiu: “Momo não irá resolver os problemas que cabem aos governantes”. Miguez acredita que os discursos dos candidatos sobre as festas são impregnados de senso comum e, pensando o carnaval, defendeu uma reestruturação dos foros de decisão, como o Conselho Municipal do Carnaval. Finalizando as exposições, o professor Ordep Serra disse que “Salvador passa por uma desregulamentação urbana e o carnaval naturaliza isso”. Como exemplo, Ordep usou os camarotes privados em espaço público. “As desigualdades sociais transbordam nas festas e, sem planejamento, caminhamos para a barbárie”, completou o professor.