Memória das religiões afro-brasileiras na Caixa Cultural Salvador

08/03/2012

Exposição “Pedra da Memória” propõe investigação estética entre a religião dos orixás e voduns cultivada no Brasil e no Benin

A CAIXA Cultural Salvador apresenta, a partir da próxima terça-feira (13), às 19h, a exposição fotográfica “Pedra da Memória”, de autoria da musicista e pesquisadora Renata Amaral, que promove um profundo diálogo entre a cultura do Brasil e do Benin, ao reunir representantes da Casa Fanti Ashanti (Maranhão) com comunidades de culto vodum do Benin. A mostra, que contém 70 painéis impressos em cores, fica em exposição até 13 de maio no local. O projeto conta com a realização de Roda de conversas com o Babalorixá Euclides Talabyan e o Prof Dr Brice Sogbossi, no dia 17 de março de 2012, às 15h. Na mesma data será exibido o videodocumentário, parte integrante do projeto. Para participar do bate-papo, interessados deverão se inscrever no local. O limite é de trinta vagas. A Casa Fanti Ashanti, fundada em 1958 pelo babalorixá Euclides Talabyan, é hoje um dos centros afro religiosos mais importantes em atividade no Maranhão, referência da influência jeje-nagô no Brasil, e tema de estudos, teses e artigos de inúmeros pesquisadores em todo o país. Lá são cultuados os voduns trazidos do Benin, além dos orixás nagôs e diversas entidades surgidas no Brasil. Essa comunidade convive com símbolos, objetos, cânticos e rituais plenos de africanidade, onde a cultura jeje-nagô resiste, com raro vigor. Tendo se tornado Ponto de Cultura, em 2006, o intenso calendário de atividades da Casa inclui tradições sagradas e profanas, como o Tambor de Mina, Candomblé, Pajelança, Baião de Princesas, Samba Angola, Mocambo, Tambor de Crioula, de Taboca,  Canjerê, Bumba meu Boi, Festa do Divino e outros. Pedra da Memória é fruto da memória de Euclides Talabyan, por intermédio da qual a história das religiões afro brasileiras no Maranhã pode ser reconstruída, além das transformações de suas brincadeiras populares e a geografia particular da ilha de São Luís, ao longo de sua ocupação. Essa memória não só o liga à presença milenar das entidades, que retornam em seu corpo-altar para fundamentar seu conhecimento e recriar sua religião em constante movimento, como se conecta em cadeia à memória de suas matriarcas, cujos relatos remontam ao século XIX.

Renata Amaral, a pesquisadora É coordenadora da Maracá Cultura Brasileira e do grupo a Barca, com quem realizou mais de 500 apresentações em dezenas de cidades brasileiras, além da América do Sul e Europa, nos projetos de circulação, registro e arte-educação. Desde 1991, viaja pelo Brasil formando um acervo de mais de 800 horas de registros audiovisuais e 15 mil fotos de tradições populares. Recebeu, em 2011, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Recebeu duas vezes o Prêmio Interações Estéticas da Funarte, realizando residências artísticas no Maranhão e no Benin, e frequentemente ministra cursos e oficinas com foco em Cultura Popular Tradicional nas escolas e universidades. Diálogos Brasil-Benin - roda de conversas com o Babalorixá Euclides Talabyan e o Prof. Dr. Brice Sogbossi - Babalorixá Euclides Talabyan: Nascido em 1937, foi iniciado aos 7 anos para o Vodun Lissá. Em 1958, fundou a Casa Fanti Ashanti, um dos centros afro religiosos mais importantes em atividade no Maranhão, referência da influência jeje-nagô no Brasil, que se tornou ponto de Cultura em 2006. É detentor de inúmeros prêmios, como a Ordem do Mérito Cultural (2001), a Ordem Timbira (1999) e o Prêmio Culturas Populares (2008-SID/do Ministério da Cultura). É autor de oito livros sobre cultura afro-brasileira: O Candomblé no Maranhão (1984), Orixás e Voduns em Cânticos Associados (1985), A Casa Fanti-Ashanti (1986), Tambor de Mina em Conserva (2001), Candomblé, a Lei Complexa (2002), Pajelança (2003), Álbum Fotográfico - Arquivo de um Babalorixá (2004), Jubileu de Ouro (2008) e Itan de Dois Terreiros Nagô (2010). Brice Sogbossi: Possui graduação em Língua e Literaturas Hispânicas - Universidad de La Habana (1992), doutorado em Ciências Filológicas pela mesma universidade (1996), em Cuba. Mestrado em antropologia Social - Fórum de Ciência e Cultura, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Museu Nacional Pr (1999), doutorado em Antropologia Social - Fórum de Ciência e Cultura, Universidade Federal do R.J. Museu Nacional Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (2004). Atualmente é professor adjunto IV do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe.