19/04/2012
DVD traz composições, documentário e entrevistas exclusivas, transitando entre o som e o sentido de um dos mais importantes projetos para a música instrumental da Bahia.
Jogando com a experiência do acaso, em sintonia com o clima de improvisação musical das jam sessions semanais que acontecem no MAM Bahia, o videoartista Flávio Lopes e o cineasta Fábio Rocha assinam a direção do primeiro DVD da JAM no MAM, que será lançado nesse sábado (dia 21 de abril) durante a JAM, a partir das 18h. Nesta noite, haverá a exibição do documentário “Varanda”, parte integrante do DVD, que será vendido excepcionalmente a R$ 10,00 durante o lançamento. O DVD da JAM no MAM tem patrocínio da OI e do Governo da Bahia, através do Programa Estadual de Fomento a Cultura – Fazcultura, com Apoio Cultural do OI Futuro. A JAM no MAM passou a contar com o patrocínio da Oi e o apoio cultural do Oi Futuro a partir de 2011, quando completou 12 anos de existência. Essa parceria com a Oi, através do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados, permitiu desenvolver o formato inicial, ampliando o número de músicos da banda-base, o que culmina na gravação do primeiro DVD da JAM no MAM. “A JAM no MAM é um projeto alinhado com um dos maiores propósitos do Oi Futuro, que é a democratização do acesso à cultura. As jam sessions promovem o acesso facilitado do público a shows de qualidade de artistas locais e nacionais e o intercâmbio com músicos internacionais, gerando a troca de experiências e o amadurecimento profissional de novos artistas. É especial que agora tenhamos um registro físico desse espaço de grande interação musical”, declara Maria Arlete Gonçalves, diretora de Cultura do Oi Futuro. O material traz, ao todo, sete tópicos. Ele é aberto com “Varanda”, documentário de 26 minutos com histórias que subjazem na memória coletiva sobre a Gamboa de Baixo, o Solar do Unhão, a escravidão e a percussão, ressignificando a melodia do lugar. Em seguida são apresentadas três faixas gravadas durante as sessões da JAM: Donatiando, de Ivan Huol, Erê Alabê, de Ivan Bastos, e Jamnomam, de Paulinho Andrade. Essas canções voltam na sessão intitulada Partituras, dirigidas a músicos interessados em aprender a tocar as três composições. O DVD tem também uma sessão dedicada a solos, com performances de músicos que já passaram pelo evento. Traz ainda entrevistas exclusivas com o jornalista Marcos Pierry, o gestor cultural Daniel Rangel, os músicos Ivan Bastos, Ivan Huol, Joatan Nascimento, Letieres Leite, Mou Brasil e Paulinho Andrade e com o agitador cultural Lázaro, um extenso arquivo de fotos assinadas por Márcio Lima e um Vídeo Memória, com cenas registradas na JAM bem no seu início, ainda na década de 1990. “O que fizemos foi, de modo bem impreciso, organizar esses encontros da JAM”, comenta Fábio Rocha, reforçando a ideia de que o DVD foi criado tendo em mente o espírito livre do evento. O resultado, então, é um “mapa de instantes” que tenta representar uma primeira aproximação documental deste que é um dos projetos culturais mais longevos e assíduos da Bahia. "A inspiração é o improviso; as coisas, as palavras chegaram até nós, não fomos atrás de nada”, afirma. Para Flávio Lopes, a importância do DVD está também no registro de parte da história da música baiana, que acaba sendo representada para a maioria da população apenas pelo que é produzido pelo star system. “Precisamos reverter essa prática de não nos responsabilizarmos pela escrita de nossa história”, lembra Flávio. “As entrevistas do DVD vão do afeto pessoal de cada músico a temas que atravessam a situação política da cidade e aquilo que propriamente interessa: a música instrumental na Bahia”. Sobre a JAM no MAM Projeto da Huol Criações, tem direção artística do músico Ivan Huol e é realizada todos os sábados no MAM – Museu de Arte Moderna da Bahia, a partir das 18h. É uma continuação das jam sessions que eram promovidas entre 1993 e 2001 em Salvador. Chamadas de Jazz MAM, aconteciam em frente à igreja do Solar do Unhão. Em 25 de agosto de 2007, o projeto retornou num local mais amplo, em frente à Baía de Todos os Santos, e assumiu o apelido pelo qual já era conhecido pelos seus frequentadores. Em todos esses anos, a JAM no MAM construiu algumas peculiaridades musicais que a diferenciam de outras jam sessions, espalhadas pelo mundo. Graças à forte tradição percussiva da música baiana e à riqueza de ritmos da cultural popular local, as performances oferecem um mix de baião, samba, frevo, salsa, blues e swing, trazidos para um universo que tem como tônica a improvisação. Em 2012, a JAM no MAM atingiu a marca de 300 mil espectadores.

