Reconhecimento oficial aos vaqueiros da Bahia

06/05/2012

Abertura da Celebração das Culturas dos Sertões é dedicada aos vaqueiros baianos com desfile, reconhecimento do ofício de vaqueiros pelo Governo do Estado e exposição de fotografia

O sol ainda nem havia raiado em Feira de Santana neste domingo (06.5) quando os primeiros vaqueiros vindos de diferentes localidades do sertão baiano chegaram ao Parque de Exposições da cidade que é o Portal do Sertão. Já acostumados com deslocamentos longos e com o despertar nas madrugadas frias da caatinga, dessa vez, vestir a indumentária própria feita de couro da perneira, do gibão, do chapéu, das luvas e das botas, teve um motivo ainda mais especial para esses homens: a abertura oficial do evento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia foi inteiramente dedicada a eles. “Ontem deitei para dormir, mas não consegui pregar os olhos. Estava ansioso por demais”, revelou o vaqueiro conhecido como Zé, do município de Pedrão. O motivo de tanta ansiedade era a realização nessa manhã do ato oficial de assinatura do Ofício dos Vaqueiros no Livro do Registro Especial dos Saberes e Modo de Fazer, precedido de um desfile pelas ruas da Princesinha do Sertão, como também é conhecida a cidade de Feira de Santana. Trabalhadores destemidos na luta com os animais, mais de 150 vaqueiros - após um reforçado café da manhã, cantorias, conversas e aboios - seguiram em cortejo pelas principais ruas e avenidas da cidade. Por onde passavam, eram saudados com festa e respeito. “Meu avó e meu pai foram vaqueiros. Meu pai me ensinou toda a condição e o respeito ao animal. Instrução que repasso ao meu filho, presente aqui hoje comigo nessa festa. Quero que ele valorize ainda mais o ofício que vou também repassar a ele”, disse o vaqueiro Manoel Silva.

Ofício de vaqueiros O Estado da Bahia foi o primeiro a oficializar um ofício cultural como patrimônio estadual – e, no caso, este ofício foi justamente o de vaqueiros. O secretário de Cultura, Albino Rubim, que assinou oficialmente em nome do Governo do Estado o Livro de Registro Especial de Saberes e Modo de Fazer, saudou os vaqueiros presentes à cerimônia e enfatizou a importância deles para a formação da cultura baiana e nacional. “Reconhecer o ofício dos vaqueiros como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia é um ato de justiça, pois eles são peças importantes para a constituição das culturas dos sertões. É preciso avançar, para que sejam reconhecidos como patrimônio nacional e que tenham a profissão regulamentada.” O antropólogo Washington Queiroz, assessor do Centro de Culturas Populares e Identitárias e curador da exposição “Imagens dos Vaqueiros da Bahia”, aberta para visitação neste mesmo dia, ressaltou o papel da SecultBA no reconhecimento dos vaqueiros. “É um momento especial para a cultura da Bahia, que marca o início de uma trajetória para reparar a injustiça cultural e social com os vaqueiros, que são os criadores das culturas dos sertões”, disse.

Também presente na cerimônia, o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Márcio Griô, acredita que o reconhecimento do ofício dos vaqueiros resulta da consonância entre a sociedade civil e o Estado. “O processo de construção de políticas públicas tem que estar relacionado com o povo, com nossas culturas. Vemos isso no reconhecimento do ofício dos vaqueiros”. Após a cerimônia, a homenagem aos vaqueiros continuou com a abertura da exposição “Imagens dos Vaqueiros da Bahia”, composta por fotografias de Bauer Sá, Elias Mascarenhas e Josué Ribeiro, acompanhados por depoimentos de vaqueiros de diversos municípios. A exposição emocionou os vaqueiros que desfilaram marcaram presença no evento. “É muito bom ver que estão valorizando a gente e a nossa tradição, nossa história”, disse o vaqueiro Augusto de Sabino.