A seca e a Celebração das Culturas dos Sertões

06/05/2012

Estamos celebrando as Culturas dos Sertões em um momento dramático. A Bahia e o Nordeste vivem uma das maiores secas dos últimos 30 anos. Como nós sabemos, a seca destrói plantações, mata animais, fragiliza a sobrevivência, castiga e coloca em risco a própria vida das pessoas. A realização da Celebração das Culturas dos Sertões em tempos de seca, de imediato, impõe uma reflexão: faz sentido falar de cultura neste instante tão doloroso? A resposta exige não só reflexão, mas uma urgente tomada de posição. As culturas dos sertões estão umbilicalmente ligadas à população que habita estes territórios. Elas não são um mundo alheio à vida sertaneja, com suas alegrias e tristezas. As culturas dos sertões expressam modos de viver, trabalhar, sentir, imaginar, resistir e conviver com o clima semi-árido. Historicamente, as secas atingem o território e o povo dos sertões, mas em alguns anos, como o atual, elas se tornam mais rigorosas e perversas. As secas e culturas são dimensões persistentes da vida dos sertanejos. As secas, desde sempre, habitam os sertões e também suas culturas. As culturas dos sertões têm as secas como um de seus temas mais recorrentes. Nascidas na adversidade, elas, em viva atitude de superação, configuram um dos eixos vitais das culturas brasileira e baianas, e de nossas identidades. Sem a contribuição das culturas dos sertões não se pode conceber as culturas do Brasil e da Bahia. Como flagelo social e climático, as secas demandam do Estado e da sociedade políticas públicas. E de todos nós, uma necessária solidariedade, pois não podemos conceber em pleno século XXI que seres humanos possam estar submetidos a condições tão desumanas. Nesta perspectiva, afirmar hoje tais culturas não pode significar alienação ao que acontece em nossos sertões. Antes de tudo, a Celebração das Culturas dos Sertões chama atenção para a situação e o sofrimento dos sertanejos. Ela busca estimular as mais diversas modalidades de solidariedade ativa e efetiva e, em conjunto com todos os baianos, homenagear a força e sabedoria dos sertanejos que, mesmo na dificuldade, expressam e dão sentido à vida, produzindo culturas com tanta criatividade, vitalidade, sensibilidade e inteligência. Antonio Albino Canelas Rubim Secretário de Cultura do Eestado da Bahia