Encontro plural e “apimentado”: participantes destacam a qualidade dos debates e trabalhos apresentados no I Encontro de Estudos

08/05/2012

“Hoje foi um dia ‘arretado’ de bom”, brincou a universitária, Bernadete Ferreira, ao se referir, principalmente, às sessões do I Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões, encerradas nesta tarde com saldo positivo de coordenadores e pesquisadores. “Um dos aspectos mais interessantes desse encontro foi o aspecto plural. É um Encontro das Culturas dos Sertões, porque não existe um só sertão e não existe uma só cultura sertaneja. Sertão é um entrançado trançado de manifestações sociais, políticas, estéticas e tudo mais. Encontros deste tipo criam à possibilidade de fazer com que pessoas que tenham trabalhos importantes possam compartilhar o saber, o viver, curiosidade de um povo”, avaliou o escritor Bráulio Tavares, que participou da mesa de abertura do Encontro e marcou presença também na Sessão de Autógrafos e Lançamento de Livros, CDs e DVDs da Celebração das Culturas dos Sertões. “A qualidade dos trabalhos apresentados superou as expectativas. Foram dois dias de muito desenvolvimento e conhecimento sobre o sertão. Foi unânime a opinião de que o Encontro se repita e possa servir de conteúdo para a formulação de uma política pública para o sertão”, pontuou o coordenador do Encontro, professor da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Roberto Dantas. A programação do dia foi aberta às 9h com duas sessões do Encontro, “Identidades e Modos de Vida do Sertão” e “Conversando sobre Canudos”. Na primeira, os convidados expuseram as ‘sabenças’ dos povos dos sertões, os hábitos alimentares e a identidade sertaneja. “Os símbolos do povo do sertão, como o artesanato e o cordel, traduzem o dinamismo, o vigor das manifestações das tradições culturais, norteiam os modos de estar no mundo e fortalecem o espírito de resistência e de labuta”, disse o pesquisador Miguel Almir Araújo, ao destacar também a solidariedade do sertanejo. “Apesar das desolações, os sertanejos desafiam suas sagas imbuídos de uma sabedoria impressionante”, complementou. Já na sessão sobre Canudos, Raimundo Nonato fez uma exposição sobre as analogias e contradições da obra de Euclides da Cunha, os Sertões, com a obra de Victor Hugo sobre a revolta dos camponeses de Vendéia, enquanto que o documentarista Antônio Olavo mostrou e interpretou as primeiras imagens da Canudos feitas pelo fotografo Flávio de Barros. O escritor e poeta, Eldon Canário, nascido na segunda Canudos, falou da criação do açude de Cocorobó e suas consequências, como o sepultamento da cidade histórica de Canudos. “Este encontro foi de um valor gigantesco para o desenvolvimento de minhas pesquisas sobre o sertão. Aproveitei cada depoimento, cada opinião acerca deste universo. Gostei muito das colocações da neta de Lampião, Vera Ferreira”, disse a professora de história Francisca Brandão. No período da tarde, aconteceram as duas últimas sessões, “Arte Sertaneja: “Múltiplas Linguagens” e “Sertão pelas Letras”. Na Arte Sertaneja, Antônio Barreto, “cordelizando” as palavras, falou sobre a literatura de cordel e a importância de se introduzir em sala de aula este tipo de aprendizado. O pesquisador Trípoli Gaudenzi falou sobre as artes plásticas e narrou a história da guerra de Canudos através de telas.