09/05/2012
Novo longa de Chico Liberato, que estreou durante a Celebração das Culturas dos Sertões, traz elementos da cultura nordestina para a telona
O ilustrador e cineasta Chico Liberato estreou o longa-metragem de animação “Ritos de Passagem” na última terça-feira (8), no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana. A exibição do longa fez parte da programação da Celebração das Culturas dos Sertões. Segundo o diretor, a proposta do filme é ter, a partir da técnica de animação, uma história espelhada na cultura nacional, com referências à literatura de cordel e narrativas dos sertões brasileiros. “No Brasil, sofremos a influência das grandes produtoras do cinema. Aprendemos a associar cinema de animação apenas ao que é produzido no estilo da Disney. O que eu busco é mostrar uma outra linguagem, usando referências da nossa cultura”, disse Chico. No filme, o cineasta narra, através de uma animação em 2D, o encontro do líder espiritual Antonio Conselheiro com o cangaceiro Lampião, rebatizados, respectivamente, como o Santo e o Guerreiro. Tanto adultos como crianças foram ao Centro de Cultura prestigiar o lançamento do filme. A espectadora Suzana Souza acredita que o filme valoriza a cultura nacional. “O que vemos na tela tem muito a ver com as nossas histórias. Achei muito interessante as cores, a história, e trouxe também meu sobrinho para aprender um pouco sobre isso”, disse. O professor universitário Elder Maia se surpreendeu com o longa. “Nunca tinha visto algo assim, a animação tem muitos elementos gráficos que remetem à cultura nordestina, é uma história marcada pela referência ao cordel”, disse. Também presentes na estreia estavam as pesquisadoras Germana Gonçalves e Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita. Para elas, não há dúvida sobre a qualidade estética do filme, mas a história traz uma polêmica. “O personagem que faz referência à Lampião tem um lado irracional marcado pela sua transfiguração em animal, que marca a dicotomia entre o racional e o irracional, permitindo uma interpretação perigosa quanto à história dele, principalmente em um país pouco educado para a linguagem audiovisual”, comentou Germana. “Ritos de Passagem” foi realizado com apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através do Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais de Longa-Metragem (2008), do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), Secretaria de Cultura (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz). O longa conta com a participação de artistas como Jackson Costa, Ingra Liberato, entre outros que emprestaram suas vozes aos personagens, além da participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) na trilha sonora com duas peças sinfônicas: “Veredas” e “Ritos”. No longa o maestro Eduardo Torres é responsável pela regência da Orquestra na peça “Veredas”, que teve solo de violão do compositor João Omar. Já na peça “Ritos”, o próprio compositor, João Omar, assumiu a regência da Orquestra.