Celebração das Culturas dos Sertões atrai público de nove mil pessoas

09/05/2012

Com público de nove mil pessoas, a Celebração das Culturas dos Sertões abriu espaço para o desenvolvimento de uma política pública voltada para a promoção do sertão e arrecadou mais de três toneladas de alimentos para o combate a seca

As culturas dos sertões entraram oficialmente para o calendário de grandes eventos da Bahia. Mas muito mais do que isso, passaram a ser foco de discussões e de atenção governamental, com vistas à elaboração de uma política pública voltada para o desenvolvimento, valorização e promoção das culturas do sertão. Este foi um dos principais resultados da Celebração das Culturas dos Sertões, evento promovido de 05 a 09 de maio pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, reunindo um público de cerca de nove mil pessoas, que participaram de 11 diferentes programações, entre espetáculos musicais, debates, exposições, oficinas, feiras de artesanato, lançamento de filmes, livros, CDs, entre outros, totalizando mais de 30 atividades artístico-culturais em cinco dias de evento, em Salvador e Feira de Santana. Ao todo, a Celebração conseguiu ainda mobilizar a sociedade baiana, com a arrecadação de mais de três toneladas de alimentos, que serão distribuídos para populações que sofrem com a seca que atinge o sertão. O calendário oficial do nosso estado está repleto de datas comemorativas, afinal, as memórias e os muitos princípios que orientam uma sociedade são ritualizados com datas e manifestações. No entanto, até o início do mês de maio deste ano, o calendário baiano não tinha sido marcado por um grande evento que representasse, de forma tão grandiosa e abrangente, importantes aspectos constitutivos da identidade cultural da Bahia, como as tradições que compõem o universo cultural dos sertões. Para o Secretário de Cultura, Albino Rubim, as culturas dos sertões têm peso fundamental na constituição da cultura da Bahia e na constituição da cultura da Brasil. “Não estamos promovendo apenas um evento. Nossa intenção com a celebração foi convocar as pessoas, dar visibilidade e valorizar as culturas dos sertões, iniciando a partir daí a construção de políticas públicas voltadas para o seu desenvolvimento”, explica Rubim, que acompanhou diversas atividades da Celebração e comemorou o sucesso do evento, ao anunciar a segunda edição em 2013. “Demos um pontapé inicial”, afirmou. Para a Secretaria, os resultados positivos da Celebração é um passo importante para o entendimento da diversidade cultural da Bahia. “A gente conseguiu superar a maioria das dificuldades. Agora, é aproveitar essa edição da Celebração para estabelecermos marcos legais e os elementos capazes de realmente viabilizar esta prioridade que a gente tem divulgado acerca da cultura do sertão para Bahia. Iniciamos o jogo”, ponderou um dos coordenadores do evento, o assessor do Centro de Culturas Identitárias e Populares (CCPI), Washington Queiroz. Sem fechar os olhos para a problemática da estiagem prolongada em mais de 50% do território baiano, arrecadou mais de três toneladas de alimentos não perecíveis na troca por ingressos para as atividades culturais da programação, principalmente, através do Espetáculo Musical Baião de Nóis, que aconteceu em duas apresentações, no Teatro Castro Alves, em Salvador, e no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, e através da participação do público nos eventos realizados em Feira, como o lançamento do filme Ritos de Passagem, de Chico Liberato, das apresentações musicais de Quininho de Valente, Maviael Melo e Sertanília e das trocas de livros doados pelos autores, após a sessão de autógrafos.