22/05/2012
Na noite da última sexta-feira, 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, o Fórum de Pensamento Crítico reuniu 130 pessoas no Palácio da Aclamação. Na quarta edição do evento, realizado pela Secretaria de Cultura do Estado em parceria com a Secretaria de Planejamento, o professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, Ulpiano Bezerra de Meneses, o professor da Faculdade de Arquitetura da UFBA, Eugênio Lins, e o professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Mário Chagas, discutiram o tema “Museus, Cidades e Memórias”.
“Nós pensamos a cultura de um modo bastante amplo, e, nesse sentido, este fórum tem o importante papel de estimular debates críticos sobre temáticas contemporâneas”, explicou o secretário de Cultura, Albino Rubim, durante a abertura do evento. A “redução semântica da cidade” e o atual predomínio de experiências mediadas foram questões abordadas pelo professor Ulpiano. “O homem está deixando de praticar o espaço, que se torna um obstáculo a ser transposto. Assim, por exemplo, há uma perda do sentido coletivo dos monumentos públicos, já que as narrativas que dão vozes a eles desaparecem”, constatou.
Mas, qual o papel dos museus das cidades neste contexto? Para o professor da USP, os museus são instituições que trabalham com a memória dos diversos grupos que formam uma sociedade, e, por isso, devem mobilizar a cidade na condição de organismo empírico. “A cidade tem que funcionar como um acervo operacional que ultrapassa os muros dos museus”, completou. Eugênio Lins discutiu a complexidade dos conceitos envolvidos nesta relação entre museus, cidades e memórias e enfatizou que é necessário “sentir a diversidade de suas perspectivas e razões, pois este tema tem sido alvo de abordagens geralmente repetitivas”.
O museólogo Mario Chagas falou sobre os 40 anos da Mesa Redonda de Santiago do Chile e destacou que a grande novidade do evento foi o convite feito a especialistas de outras áreas. “Eles produziram uma crítica contundente aos museus, que foi aceita pelos profissionais da área. Os museus precisavam se abrir”, pontuou. Provocativo, Chagas também quis despertar no público uma “potência de indignação museal”: “Temos que discutir e não somente comemorar. Queremos enclausurar o debate que foi construído na mesa redonda de Santiago ou potencializá-lo a partir de uma reflexão sobre questões contemporâneas? Na Rio + 20, por exemplo, os museus serão apenas mostruários ou potência transformadora?”. Entusiasmada, a plateia debateu com os palestrantes durante cerca de 40 minutos. O evento foi encerrado com coquetel e apresentação de forró com Cello Costa e Maviael Melo, que fizeram um tributo a Luiz Gonzaga.