11/09/2012
Apresentações de música e dança marcaram a inauguração nesta segunda-feira (10) da sede do Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura (Secult), que passa a ocupar o antigo prédio do Seminário São Dâmaso, tombado pelo IPHAN(sob o nº 125 do livro de Belas Artes, fls. 22) em 17 de junho de 1938 e localizado na na Rua do Bispo, no Pelourinho - Centro Histórico de Salvador.
Criado no ano passado, a partir da Reforma Administrativa do Poder Executivo Estadual, resultante da Lei nº 12.212 de 4 de maio de 2011, o Centro oferece 16 cursos de formação e qualificação nas áreas de dança, música, artes visuais, fotografia e cultura popular, alcançando mais de dois mil alunos, na capital e em cidades do interior.
No mesmo dia também foi iniciado o Programa de Qualificação em Música, composto de dois Núcleos, que vão atender 240 pessoas - Formação Musical com Enfoque na Música da Bahia, coordenado por Letieres Leite, e Núcleo Moderno de Música, coordenado por Bira Marques.
Para o estudante de percussão e regência Acaiah Osvaldo Griot, 21 anos, o espaço o ajuda a aperfeiçoar o conhecimento musical. “Aqui, abre mais possibilidades para o conhecimento da música da nossa terra e das questões culturais. Poucos jovens têm esta chance. É fantástico”.
De acordo com o secretário de Cultura, Albino Rubim, a instituição tem como objetivo a educação profissional, preparando os alunos para o mercado de trabalho na área artística. “Estamos tornando concreto o que começamos a desenvolver no ano passado, que é o CFA. Com isso, passamos a oferecer cursos em diversas áreas”. Anteriormente o Centro integrava unidade da Escola de Dança da Funceb.
Sobre o Programa de Qualificação em Música – O Programa de Qualificação em Músicaconsolida o projeto piloto de formação continuada em música, executado pelo CFA no segundo semestre de 2011, em que o maestro Letieres Leite, à frente do trabalho de dez outros professores, atendeu a 50 alunos oriundos de projetos sociais e ONGs de Salvador, para qualificá-los no seu fazer artístico enquanto músicos.
Agora, o Programa abriu 240 vagas, que já foram ocupadas com grande número de interessados em ter oportunidade de aperfeiçoamento em aulas gratuitas, com turmas estruturadas em dois Núcleos: Formação Musical com Enfoque na Música da Bahia, coordenado mais uma vez por Letieres Leite, e Núcleo Moderno de Música, coordenado por Bira Marques. Jovens músicos e profissionais da área vão poder enriquecer seus conhecimentos, aprimorar sua atuação profissional e obter melhores condições de inserção no mercado de trabalho e na sociedade. Um fator que consolida a importância desta demanda advém da Lei Federal 11.769, aprovada em 2011, que garante a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas públicas, o que amplia as oportunidades formais de emprego e renda para professores capacitados no setor.
No Núcleo de Formação Musical com Enfoque na Música da Bahia, o aprendizado é voltado para a prática e o pensamento em música, cujo conteúdo tem um forte recorte da música ancestral da Bahia em acordo com tecnologias contemporâneas. Jovens músicos, de 13 a 23 anos, vão compor turmas de Guitarra e Violão, Baixo, Saxofone, Flauta, Trombone, Trompete, Bateria, Percussão e Canto. Já no Núcleo Moderno de Música, técnicas musicais para composição, criação de arranjos musicais e orquestração para Música Erudita Popular são os módulos principais. Os cursos são direcionados para músicos instrumentistas, compositores e educadores da área musical, adultos de todas as idades, em turmas de Instrumentação, Orquestração e Arranjo, Harmonia e Curso Preparatório para o Vestibular de Música.
Sobre a Escola de Dança da FUNCEB – Fundada em 1984, a Escola de Dança da FUNCEB constituiu-se como a primeira escola pública do gênero no país, e agora integra o Centro de Formação em Artes. A instituição atende uma média anual de mais de mil alunos, entre crianças, jovens e adultos, em especial afrodescendentes, oriundos de escolas públicas e moradores de bairros populares. Atua na iniciação, formação técnica e qualificação em dança – assim, ocupa a vida de um público infanto-juvenil e também de adultos com os benefícios da prática artístico-cultural, apresenta à sociedade novos profissionais anualmente e aperfeiçoa o trabalho de artistas que já representam a produção contemporânea da dança baiana.
Além do alinhamento às políticas dos ministérios da Cultura e da Educação, a Escola de Dança da FUNCEB é também conveniada à Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Esta vinculação com o sistema educacional do Estado abre diversas possibilidades de ação e qualifica o trabalho da Escola, além de fortalecer o reconhecimento da educação através das artes na Bahia. Outro comprometimento é com a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas brasileiras. Para tanto, a Escola de Dança da FUNCEB garante a inclusão de disciplinas como Dança Afro, Danças Populares e Capoeira nos currículos de seus cursos e realiza eventos de valorização de conteúdos relacionados às matrizes culturais que também estruturam a dança feita na Bahia.
O trabalho contínuo da Escola de Dança da FUNCEB traz resultados sólidos para o cenário desta linguagem artística. Através de parcerias com grupos e projetos artísticos, mostras e circulação de produtos, alunos e ex-alunos da instituição vêm conquistando reconhecimento em todo o país, inclusive com premiações em festivais e editais de apoio à Cultura Bahia afora.
Sobre o Solar do Antigo Seminário São Dâmaso – O solar integra o sítio tombado pelo IPHAN (GP-1), que compreende áreas dos sub-distritos da Sé e Passo. Sua rua reunia as melhores residências de Salvador, no período colonial. Atualmente ainda conserva altos sobrados dos séculos XVIII e XIX.
Construído na segunda metade do século XVII, o solar de elevado valor monumental, está desenvolvido em três pavimentos. Possui portada formada por pilastras dóricas, com caneluras que suportam entablamento clássico terminado por coruchéus piramidais. Aduelas e alizares apresentam decoração em trança. Possui no seu pavimento nobre (2º andar) belos tetos apainelados em forma de gamela, e azulejos do século XVII, padrão camélia, revestindo dois armários embutidos e nos poiais de conversadeiras, provavelmente transladados de outros locais. Azulejos do mesmo tipo são encontrados na Catedral de Salvador, nos Conventos de São Francisco e Stª Teresa, e ainda na Igreja de Monte Serrat e capela do Engenho Velho de Paraguaçu.
Não se conhece bem a origem desta casa, que deve datar da 2ª metade do século XVII. Sabe-se que pertenceu a Diogo Álvares Campos que era casado com Maria Francisca da Câmara, e em seguida ao Cônego José Teles de Menezes;
