10/11/2012
A mesa de discussão Carnavais Negros nas Américas deu continuidade na tarde de hoje (09/11) ao intercâmbio e diálogo intercultural promovido pelo I Encontro das Culturas Negras. Realizado na Faculdade de Medicina da Bahia -Pelourinho, o debate reuniu na tarde de hoje pesquisadores de diversos países para falar das influências afrodescendentes nos carnavais dos países das Américas.
"Houve um extremo massacre das expressões negras no carnaval. As expressões de origem afrodescentedente são muito pouco conhecidas por nós", destacou Fred Góes, professor da UFRJ e pesquisador da Cultura Popular, ressaltando a importância do resgate histórico das expressões culturais negras .
Eduardo da Luz , pesquisador da música tradicional uruguaia e do candombe, ritmo musical uruguaio de origem afrodescentende, também esteve presente no debate e trouxe a experiência do mais longo carnaval do mundo, o carnaval do Uruguai, que tem 40 dias de festa, ocorrendo de janeiro a março. O carnaval uruguaio tem influências afrodescendentes muito importantes, mantendo elementos das culturas bantu e também Angola Benguela, herdados dos escravos nos tempos coloniais. Para Eduardo "as manifestações negras ainda presentes no carnaval uruguaio foram formas de resistência, nas quais os negros tentavam recriar sua africanidade através de personagens típicos".
Os pesquisadores Danny González , professor da Universidade de Barranquilla (Colômbia), Gerada Holder, chefe do Arquivo da Biblioteca Nacional de Trinidad and Tobago, Hortênsia Calvo, diretora da Biblioteca Latino-americana da Universidade Tulane, em New Orleans, Estados Unidos e Paulo Miguez, doutor em Comunicação e Culturas Contemporâneas e professor da UFBA também estiveram presentes na mesa.
O I Encontro das Culturas Continua amanhã (10/11) trazendo na parte a manhã a plenária Encontro de Estudos das Culturas Negras, que pretende discutir sobre a criação de uma rede de estudos entre os diversos grupos de estudos já existentes no país e no exterior. Já na parte da tarde acontece a plenária Redes de Intercâmbio e Cooperação das Culturas Negras, que irá debater sobre a criação uma plataforma de intercâmbio e cooperação regional, nacional e internacional.
foto por Julien Karl
