10/11/2012
Estabelecer e reconhecer novas perspectivas da diáspora africana como elemento formador da configuração do mundo contemporâneo e ter na memória um meio importante para a construção da história das culturas afrodescendentes. Essa e outras importantes questões foram debatidas durante a Plenária Encontro de Estudos das Culturas Negras, realizada na manhã deste sábado (10), no Auditório da Faculdade de Medicina no Pelourinho.
A plenária contou com a presença da professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutora e estudiosa do racismo, Liv Sovik, da pesquisadora sobre População Afrobrasileira, Ana Claudia Lemos, do antropólogo, ator, escritor, professor universitário, Antônio Godi, da pesquisadora de história, cultura, memória, educação, Cecília Conceição Moreira, da pesquisadora do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba, Jamile Borges da Silva.
O antropólogo Antônio Godi, que mediou o debate, mencionou os pesquisadores estrangeiros que chegaram no Brasil e sequer abordaram os baianos e brasileiros negros dos quais eles tanto exploraram "Só estamos a discutir o negro porque alguém um dia nos viu como diferentes", disse. "É preciso ter memória", completou. A pesquisadora Jamile Borges destacou o fortalecimento dos acordos de cooperação e intercambio. "As políticas culturais são muito importante para resgatar a memória das culturas negras. Deve-se agradecer muito ao trabalho do Iphan, do Ministério e Secretarias de Cultura", pontuou.
Em sua fala, Liv Sovik abordou o preconceito. "Um dos impasses negros é o racismo", afirmou. Para ela é uma tarefa muito difícil para o branco não ser líder. "O não ser racista tem que ser inserido na sociedade em todo momento", acredita. Ana Claudia Pacheco disse que a produção de conhecimento negro tem que ser cada vez mais valorizada e ''guardada''.
Primeira mulher negra baiana a defender uma tese, Cecília Conceição Soares afirmou que historicamente os negros não são reconhecidos como seres que são intelectuais. "A academia ainda é eurocêntrica", disse. Ainda para ela, o século 19 não passou, dada a dificuldade de ser negra e negro nos dias de hoje. "Eu queria aprender a história eurocêntrica para depois desconstruí-la", disse.
Fotos por Julien Karl