Festa de Santa Bárbara foi celebrada nesta terça no Pelourinho

05/12/2012

As cores vermelho e branco, em homenagem à santa, deram um colorido especial ao Centro Histórico

Fé e muita emoção marcaram a manhã de ontem (04/12), Dia de Santa Bárbara, no Centro Histórico. Milhares de fiéis lotaram o Largo do Pelourinho para acompanhar a celebração de uma missa campal e de lá seguiram em cortejo até o quartel dos Bombeiros, no bairro da Barroquinha. A Festa de Santa Bárbara já é uma tradição há mais de 300 anos, é promovida pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com o apoio do Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI, órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA. Os clarinetes anunciaram o início dos festejos da sacada do CCPI e ao som dos atabaques, o Grupo de Animação do Rosário dos Pretos entoou os cânticos de chegada da imagem de Santa para um altar montado no Largo do Pelourinho. Eram 8h50, início da celebração da Festa de Santa Bárbara. “Buscamos sempre fortalecer as mais diversas manifestações populares do Estado e com a Festa de Santa Bárbara não poderia ser diferente. É um dia de celebração e homenagens à mulher guerreira e lutadora que Bárbara representou e que serve de exemplo para grande parte das mulheres batalhadoras do nosso dia a dia, que acordam cedo e pegam pesado, no batente. Incrível é perceber como elas se identificam com a santa, que tem um apelo popular muito forte e intenso”, explica a coordenadora do CCPI, Arany Santana. Patrimônio imaterial desde 2008 por meio de decreto do governador do Estado, a Festa de Santa Bárbara é uma das maiores manifestações populares da Bahia. “Esta festa é feita pelo povo e para o povo”, conclui Arany. Padroeira dos Bombeiros e dos mercados, Santa Bárbara é lembrada também pelos adeptos do candomblé, representada na figura de Iansã ou Oyá, rainha dos raios e trovões. A diversidade cultural e religiosa deu o tom da celebração. “A Festa de Santa Bárbara é um evento católico e o que mais podemos perceber aqui é o respeito religioso e a tolerância, que pode ser percebida através do sincretismo religioso com o candomblé. Esta guerreira é lembrada por lutar em nome da fé e por conta dessa devoção é punida com a perda da vida terrena”, explica o Capelão da Igreja do Rosário dos Pretos, padre Gabriel dos Santos Filho. “Queremos todos juntos, emanando muita paz, para que possamos receber as bênçãos de Deus, independente de religião e credo. Precisamos de mais união e Santa Bárbara ou Iansã representa bem isso”, afirma Tia Marly, ‘sobrinha de Iansã’. “Fazemos essa recepção à santa com muita felicidade todos os anos aqui no 1º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM). Santa Bárbara nos dá a paz espiritual que precisamos para atuar no salvamento de pessoas e no enfrentamento dos riscos a que estamos expostos todos os dias. Temos uma identificação muito forte com ela. Este ano temos um motivo a mais para comemorar, pois os órgãos competentes já autorizaram a reforma do nosso prédio e a previsão é que em janeiro de 2013 tenhamos instalações mais modernas. Com isso teremos melhor estrutura e poderemos oferecer mais segurança para toda a área do Centro Histórico”, afirma o Tenente-Coronel Bressy, do 1º GBM.

Além da parte religiosa, houve também a parte gastronômica e a parte lúdica da festa. Nesta data, diversos carurus são servidos, como o tradicional caruru do Mercado Santa Bárbara e o caruru promovido pelo Mercado de São Miguel e pelos Filhos de Omolú. A parte lúdica, realizada no período da tarde contou com as apresentações do cantor Jorginho Comancheiro, grupo Samba 17 Raízes de Santo Amaro, dos cantores Neto Bala, Aloísio Menezes e da Orquestra R Xangô, comandada pelo Maestro Reginaldo. Também estavam presentes o grupo Anjo Bom, a cantora Malu Soares, o Cortejo Afro, os grupos Caxambu, Nosso Ritmo, Samba Mocidade, os Grupos Catadinho do Samba, Movimento, o cantor Roque Bentenquê, a cantora Claudya Cos’tta (Cortejo Afro) e o grupo Áudio Mania. Todas as atrações foram gratuitas, distribuídas nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista, Quincas Berro d’Água, Terreiro de Jesus e Largo do Pelourinho. Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) - órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) busca, através do Programa Pelourinho Cultural, além de dinamizar as ações culturais no Centro Histórico, incentivar também a produção local, por meio da promoção de eventos realizados pela comunidade. Toda a agenda de atrações do programa tem acesso gratuito ou a preços populares.