04/02/2013
Blocos afro investem nas novas gerações e preparam líderes sociais
Jovens, animados, vestidos para pular o carnaval em um bloco no circuito Barra-Ondina. Esta poderia ser a descrição do folião de um bloco de axé, no carnaval de Salvador, mas este perfil também se aplica aos foliões dos blocos afro, que convivem com a tradição e o engajamento social das entidades. Os jovens e adolescentes que, ao longo do ano, participam das atividades de formação social, política e educativa, desenvolvidas pelas entidades e associações carnavalescas de matriz africana e indígena, nos dias da festa tomam a Avenida. É a renovação das lideranças e a manutenção da tradição e trabalho social dos grupos. O primeiro bloco afro da Bahia, o Ilê Aiyê, surgiu de forma pioneira em 1974, com o objetivo de exaltar, difundir e preservar a cultura afro-brasileira. O carnaval foi o grande abre-alas para o reconhecimento e afirmação das tradições de matriz africana, aliado a uma série de ações de elevação da autoestima, formação e empoderamento social e econômico do povo negro. Se no início esses blocos enfrentavam preconceito e discriminação, hoje graças a um trabalho de resistência, encantam, seduzem e atraem milhares de pessoas, formando, a cada dia, novas gerações de apaixonados e seguidores engajados. O Olodum, por exemplo, além de desfilar no tradicional circuito Campo Grande (Osmar), já ocupa o circuito Barra / Ondina (Dodô), trajeto antes reservado para o chamado axé music. Ouro Negro - Pela quinta vez, a parceria do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura / SecultBA e do Centro de Culturas Populares e Identitárias, vai garantir a saída de 130 grupos. Trata-se do programa de fomento Carnaval Ouro Negro, que contempla entidades como a Aspiral do Reggae, que todo ano aglutina cerca de 1.500 pessoas em seu desfile. “A gente realiza ações de conscientização e de afirmação da ancestralidade negra através do reggae e do RAP, envolvendo várias gerações e trabalhando questões como acesso à moradia e educação superior”, afirma o compositor Camafeu Tauá, cantor da banda e um dos fundadores da organização. O músico ressalta que no carnaval a prioridade do bloco é oportunizar que os grupos negros e de origem humilde, tenham acesso à festa, mas também está aberto a participação de qualquer pessoa. Ao todo serão investidos mais de R$ 6 milhões pela Secretaria de Cultura da Bahia para o apoio ao desfile de entidades de matriz africana e indígena, como blocos afro, de índio, de reggae, samba, percussão e afoxés.