Ações do projeto Sensorium se iniciam nesta terça-feira (19/02) em Salvador

19/02/2013

Depois da capital, também a cidade de Cachoeira vai receber intervenções de arte e tecnologia em favor do meio ambiente

Durante três dias, desta terça-feira até quinta (19 a 21 de fevereiro), Salvador será apresentada ao Sensorium: do mar para o rio, projeto que promove uma interação entre o meio ambiente e a arte tecnológica a partir da criação de um dispositivo móvel sensorial. O aparelho, concretizado por artistas-programadores para medir dados relativos à qualidade da água e do ar, vai ser o ponto de partida de ações, oficinas e performances artísticas de interação com o espaço público e a comunidade, com presença de convidados ligados às pautas da iniciativa. Inserido no universo da cultura digital, o Sensorium busca contribuir para o desenvolvimento deste setor na Bahia e permitir que pessoas não ligadas à pesquisa científica possam experimentar estes conhecimentos. A programação se formata como uma oficina teórico-prática, com participação de representantes de áreas multidisciplinares, selecionados pelo interesse por arte, tecnologia e meio ambiente. Além de focar nos conteúdos do Sensorium, especialmente a água, seus usos, características e sensações, as ações vão tratar de questões ambientais como lixo e reciclagem, criação artística e intervenção urbana. No primeiro dia (terça, 19/2), o dispositivo será apresentado aos alunos, com explicitações de como foi feito e de como funciona, além de ter um bate-papo sobre tecnologia e intervenção urbana com Priscila Lolata. Também serão criadas vestimentas com objetos com LED (sigla de Light Emiting Diode, o diodo emissor de luz), que vão ser utilizadas pelos próprios participantes numa saída com o dispositivo pelo Pelourinho. No segundo dia (quarta, 20/2), haverá um bate-papo com o artista e catador de lixo Maverick, que também ministrará uma oficina para criação de obras artísticas com lixo eletrônico, e uma nova intervenção no Centro Histórico, com olhar centrado no tema lixo. Já no terceiro e último dia (quinta, 21/2), a performance percorre um percurso do Pelourinho ao Porto da Barra, interagindo com pessoas, com o ambiente e com as águas encontradas pelo caminho – ainda que escondidas por detrás de grandes construções. Estas atividades na capital acontecem sob curadoria de Jean Cardoso, coordenador de produção do Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia, local que vai servir de base das ações. Depois, o Sensorium faz uma viagem de barco, do mar para o rio, entre os dias 23 e 24 de fevereiro, rumo ao município de Cachoeira, com pernoite em Maragojipe. No Recôncavo, os trabalhos, sob curadoria de Fernando Rabelo, ocorrerão no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL/UFRB), entre 25 e 27 de fevereiro. No trajeto entre uma cidade e outra, o dispositivo sensorial vai coletar dados e criar o mapa de ligação das duas localidades. SOBRE O SENSORIUM

Criar um dispositivo móvel sensorial para interagir com o meio ambiente, com a arte tecnológica e, especialmente, com as pessoas. Este propósito do projeto Sensorium: do mar para o rio, à primeira vista, pode soar complicado, mas é justamente a capacidade de amplo acesso que fundamenta sua concepção. Enquanto artistas-programadores experimentavam maneiras de concretizar o aparelho, todas as descobertas foram compartilhadas com o público através do site www.ecoarte.info. Este diálogo e repartição de modos de fazer ciência são princípios fundamentais do desenvolvimento da cultura digital, universo em que a iniciativa se insere. O trabalho colaborativo de criação foi realizado na sede do Grupo Ecoarte (IHAC/UFBA), cuja equipe atuou sob curadoria de Toni Oliveira. Os envolvidos nessa etapa possuem larga experiência no desenvolvimento de dispositivos DIY (Do It Yourself, o emblemático preceito empreendedor do ‘faça você mesmo’ nascido com o movimento punk da década de 1970), bem como de programação computacional. Também houve profissionais fazendo consultoria de design de interface, imagem e audiovisual, design sonoro, programação, eletrônica, artes visuais e oceanografia física. Os princípios orientadores foram a priorização do uso de tecnologias (software e hardware) livres e a facilidade operacional do dispositivo e da leitura e interpretação dos conteúdos por ele gerados, a despeito de trabalhar com dados complexos como os ambientais. E onde a arte entra nesta história? Ela está em cada argumento, em cada passo. Primeiro, porque quem botou a mão na massa subverteu as práticas de engenharia e, de modo artesanal, fez isto como quem cria um objeto artístico. O dispositivo não é apenas técnico, mas também feito com esmero estético, sem que pareça um artefato científico, e sim algo que preza pela apresentação visual e pela mobilidade – e que possa ser recriado por outros que desejem trabalhar com inovação, percepção, conscientização, mobilização. Afinal, a arte advém destes elementos e se manifesta em tão diversificados meios, se valendo de criatividade e ideias, noções muito presentes no Sensorium. Segundo porque o dispositivo não será simplesmente colocado no ambiente para que alguém de longe possa consultar os números que ele vai indicar. Sim, ele será utilizado para medir, sentir e interpretar o meio ambiente, com sensores apresentando dados que serão captados e visualizados em tempo real. Ocorre que sua inserção será acompanhada pelas séries de ações nas cidades em que ele se instala: Salvador e Cachoeira. Em meio às intervenções urbanas, debates e reflexões, cidadãos vão experimentar o uso do dispositivo e ser estimulados a perceber o ambiente que os cerca. Depois disso, vem a fase de tradução dos resultados obtidos. Durante três meses, o trabalho de visualização e interpretação de dados será norteado pela busca de formas artísticas e populares de disponibilizar os seus saldos ao grande público. O que os números dirão e registros de todo o processo, em vídeos e documentações, além dos dispositivos expostos à curiosidade de visitantes, vão então ser reunidos numa mostra no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), em julho. Para completar, um DVD vai ser lançado com o intuito de reunir todo este conhecimento, numa tiragem de 500 unidades a ser distribuída para centros de pesquisa, acervos públicos, ONGs e espaços culturais relacionados à arte e à tecnologia.

Coordenado por Karla Brunet, Sensorium: do mar para o rio foi contemplado pelo edital Culturas Digitais 2012, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através de sua Assessoria Especial em Culturas Digitais e Juventude. O projeto é realizado no Grupo Ecoarte, do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (IHAC/UFBA), que, desde 2009, trabalha com arte e tecnologia, tendo o mar como objeto de estudo e a cartografia como inquietação artística. Agora com Sensorium, o mapeamento, o meio ambiente e a água permanecem, desta vez chegando às águas doces do rio. SENSORIUM: DO MAR PARA O RIO Ações e intervenções artísticas em Salvador Base das ações: Oi Kabum! (Pelourinho) Quando: 19 a 21 de fevereiro (terça a quinta), 13 às 21 horas Viagem de barco entre Salvador e Cachoeira Quando: 23 e 24 de fevereiro (sábado e domingo, pernoite em Maragojipe) Ações e intervenções artísticas em Cachoeira Base das ações: CAHL/UFRB Quando: 25 a 27 de fevereiro (segunda a quarta), horário a confirmar Site: www.ecoarte.info Realização: Karla Brunet/ Grupo Ecoarte Apoio: Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do edital Culturas Digitais 2012