Morro do Chapéu, na Bahia, pode ganhar o título de Geoparque pela UNESCO

26/07/2013

A região de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, localizada a cerca de 400 km de Salvador, no centro da Bahia, pode se tornar um Geoparque pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (UNESCO). A notícia foi dada ontem (25, julho/2013), na cidade de Morro do Chapéu, durante a abertura da 2ª etapa do ‘Projeto Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina’, sob iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-Ba), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC). “Só existem 88 localidades no mundo que usam esse título. Não se pode deixar passar essa oportunidade para a Bahia e o Brasil, titulando também um Geoparque em Morro que passaria a pertencer a esse seleto clube,” disse o doutor em Geologia, Antônio Dourado, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), do Ministério de Minas e Energia, um dos palestrantes do evento. Segundo o especialista, no Brasil, apenas o Ceará possui um Geoparque, o do Cariri. “Mas o de Morro é importante por se tratar de área com sistemas deposicionais Precambrianos, nas localidades de Tombador, Caboclo e Morro do Chapéu, da Era do Proterozóico Médio, e as de Bebedouro e Salitre, essas da Era Proterozóico Superior”, informa Dourado. Na escala de tempo geológico, o Proterozóico (do grego proteros = anterior + zoikos = de animais) compreende o período entre 2,5 bilhões e 542 milhões de anos, abrangendo quase metade do tempo de existência da Terra. Para se tornar um Geoparque será necessário que gestores públicos e comunidade se mobilizem para regularizar muitos documentos e procedimentos jurídicos. (VEJA BOX) Dourado disse que já foram registrados 24 geossitios, dos quais 15 são de interesse regional, seis nacional e três de interesse internacional. Na maioria dos casos os afloramentos possuem grandes dimensões, apresentam pouco intemperismo, além de boas condições de conservação e facilidade de acesso, possibilitando atividades científicas, pedagógicas e geoturísticas. ROTEIROS TURÍSTICOS De acordo com o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça o ‘Projeto Circuitos Arqueológicos’ propõe unir todos os atributos dessa região da Bahia para criar roteiros de visitação. A iniciativa procura unir poderes públicos, empresariado e comunidades locais nas atividades de conservação desses bens naturais, arqueológicos e culturais, e na recepção aos turistas. Esse novo cenário traria incrementos, propiciando o desenvolvimento socioeconômico sustentável para toda a região. O projeto ‘Circuitos Arqueológicos’ começou em 2010, via convênio com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia. “Além dos bens paisagísticos e naturais, a Chapada detém importante acervo arquitetônico-urbanístico dos séculos XVIII, XIX e XX”, afirma Mendonça. Nesta 2ª etapa de 2013, os ‘Circuitos’ já agregam 12 municípios. Participam Andaraí, Boninal, Ibicoara, Mucugê, Piatã, Utinga, Morro do Chapéu, Iraquara, Lençóis, Palmeiras, Seabra e Wagner. Nesta etapa também estão integradas as secretarias estaduais do Meio Ambiente, Educação e Turismo. Para a prefeita de Lençóis, Moema Maciel, presente no evento, a iniciativa da Secult-BA/IPAC/Ufba é bem-vinda pelas administrações municipais e contribuirá para o desenvolvimento. Representantes das outras prefeituras destacaram que o projeto valoriza população, cultura local e provocará melhoria de vida. “Hoje não pensamos somente em municípios, mas uma nova identidade que é a Chapada, que é de todos nós”, comemorou o vice-prefeito de Palmeiras, Gildam Almeida. Em quatro anos o projeto ‘Circuitos’ sensibilizou 1,8 mil pessoas, treinou 450 multiplicadores, mapeou 67 sítios de pinturas rupestres, promoveu 43 oficinas, resultando em nove roteiros de visitação e nove exposições na região. Outros dados sobre o ‘Circuitos’ são fornecidos na Coordenação de Articulação e Difusão (COAD) do IPAC via telefone (71) 3116-6945 ou endereço eletrônicocoad.ipac@ipac.ba.gov.br. Informe-se via site www.ipac.ba.gov.br, Facebook Ipacba Patrimônio e Twitter @ipac_ba.