09/10/2013
O conselheiro de Cultura Nelson Maca apresentará no III Seminário Cultura e Subalternidades, nesta quinta-feira, 10, o conceito de “Literatura Divergente”. O termo foi gerido a partir da observação da literatura periférica e não hegemônica. Desse modo, é desenvolvida uma espécie de literatura de enfrentamento, que polemiza com os modelos literários oficiais, experimenta novidades na linguagem e foge dos padrões impostos pelos cânones literários.
Poeta e professor de Literatura Brasileira da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), Maca explica que a produção literária nacional estabelece “cânones oficiais” que se tornam referência e excluem as pessoas que escrevem diferente ou têm outra maneira de usar a linguagem e as imagens.
O objetivo dele é cultivar uma literatura à margem da hegemonia, com base em autores que têm em comum o fato de não estarem no ciclo produtivo dos cânones e de buscarem uma literatura diferenciada.
“Divergência significa a potência de o escritor fazer algo diferente do modelo estabelecido, discordar daquilo que se estabelece como parâmetro. Ele vai divergir, ter outra opinião, outra maneira de fazer. A literatura homoerótica ou homoafetiva, por exemplo, ainda é pouco estudada e pouco falada, porque ela foge do cânone da heterossexualidade”, explica o conselheiro.
Maca espera com ansiedade e boas expectativas o encontro desta quinta-feira. O convite foi feito pela professora Denise Carrascosa, que trabalha com literatura no presídio feminino do estado. Denise atuou como orientadora de uma estudante cujo Trabalho de Conclusão de Curso, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), foi sobre o Sarau Bem Black, evento organizado pelo poeta.
“Tenho uma expectativa boa em relação ao seminário. Escrevi um manifesto chamado ’Manifestação da literatura divergente’ e Denise trabalha com esse manifesto como bibliografia nas aulas da graduação e pós-graduação. Nesse evento terei a chance de discutir com leitores desse manifesto. Vou trabalhar quais as possibilidades de literatura alternativas aos cânones”, explica.
Cultura e Subalternidades
O III Seminário Cultura e Subalternidades acontece desde a última segunda-feira, 7, e vai até dia 10 (quinta). Na programação estão a apresentação e discussão de temas como “Literatura, Performance e Prisão – Projeto Lemos de Brito” e “Saber e Poder na Construção das Subalternidades”.
O evento ocorre no auditório do Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF III), Ondina, das 17h às 19h. As inscrições podem ser feitas no local do evento, de acordo com o limite de lugares disponibilizados no auditório.
Quem organiza o encontro é o Grupo de Pesquisa em Cultura e Subalternidades, filiado ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC), ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT) e ao Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura/Ufba). No grupo, os estudantes de graduação, pós-graduação, professores da Ufba e de outras instituições desenvolvem reflexões voltadas para os mecanismos discursivos de construção e desconstrução da subalternidade em sociedades como a brasileira.
SERVIÇO:
O quê: III Seminário Cultura e Subalternidades
Quando: 7 a 10 de outubro
Onde: Auditório do Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF III), campus de Ondina da Ufba
Acesso: Gratuito mediante inscrição no local, sujeito a disponibilidade de lugares no auditório
