20/01/2014
“Um projeto artístico-cultural, como o do Ilé Asìpá, realizado dentro do terreiro e aberto à comunidade baiana, é uma iniciativa ímpar e pioneira na política pública da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) através dos seus editais”. A afirmação é da diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana, sobre o projeto ‘Ilé Asìpá: Atabaque entre as Folhas’ que acontece até março deste ano (2014) no terreiro Ilé Asìpá, fundado pelo famoso Mestre Didi (1917-2013), representante das mais antigas tradições de culto aos ancestrais (egúngúns) na Bahia.
O projeto do Asìpá é vencedor do edital nº25/2012 da SecultBA na categoria de culturas identitárias, com execução do CCPI. Nele, são oferecidas 10 semanas de oficinas gratuitas para o ensino do toque de atabaques (tambores sagrados do candomblé), sempre nas manhãs de sábados, quatro horas por dia, no terreiro Asìpá, na Avenida Orlando Gomes. Os participantes aprendem ainda cânticos, mitos e tradições da cultura Kêtu.
ABERTURA – O lançamento do projeto aconteceu último dia 11 (janeiro/2014) com a presença do secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim, a diretora do CCPI, Arany Santana, o novo reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), José Bites, além de representantes da Fundação Palmares e dos principais terreiros baianos, alunos e interessados no tema. O alabá (cargo máximo) do Asìpá, Genaldo Novaes, realizou uma visita guiada ao terreiro, seguido depois por palestra e uma aula-pública dos alabês/ojés.
O CCPI foi criado na reforma administrativa realizada pelo governador Jaques Wagner, em 2011, através da Lei nº. 12.212 para atender à diversidade cultural, as manifestações populares e de identidade. A criação se alinha com a concepção contemporânea da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do Ministério da Cultura para as políticas públicas. A criação do CCPI atende a 2ª Conferência Estadual de Cultura, quando representantes de 26 territórios e 76% dos presentes indicaram a cultura popular como prioridade.
“A criação do CCPI é a prova do reconhecimento do Governo da Bahia quanto à riqueza cultural do nosso estado”, diz Arany Santana. O centro atende demandas das culturas étnico-raciais de matrizes africanas, indígenas, ciganas, sertanejas, além de políticas culturais para infância, juventude, grupos etários, mulheres/gênero e orientação sexual. O CCPI também é responsável pelo Carnaval do Pelourinho, o Ouro Negro e ações da SecultBA nas festas carnavalescas e do calendário fixo anual, como São João, Santa Bárbara, Natal, entre outras.
As oficinas no Ilé Asìpá são ministradas por mestres alabês e ojés, responsáveis pelos toques rituais e preservação dos instrumentos musicais sagrados em um terreiro. A iniciativa tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura e SecultBA/CCPI, e apoio acadêmico da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), via Núcleo de Cultura e Artes/Proex. O terreiro fica na Rua Assipá, nº 472, com entrada pela Avenida Orlando Gomes – entre a Orla e a Av. Paralela – em frente ao Cimatec/Senai. Informações no e-mail atabaquesentreasfolhas@gmail.com.
