14/02/2014
Última edição do evento, que aconteceu em 1968, teve obras confiscadas por serem consideradas subversivas
Foi em 1968 que Salvador realizou a segunda edição da Bienal Nacional de Artes Plásticas, conhecida como Bienal da Bahia. Agora, 46 anos após o evento ser fechado pelo Regime Militar e ter 10 obras confiscadas, a Bahia – maior estado da região Nordeste do Brasil – sedia a 3ª Bienal da Bahia, que acontece de 29 de maio a 7 de setembro, em mais de 50 espaços expositivos da capital e interior do estado. O evento vai reunir obras de aproximadamente 200 artistas, como Frans Krajcberg. O manifesto do Naturalismo Integral (ou Rio Negro) – produzido pelo artista e Pierre Restany a partir de uma viagem pelo Brasil, que também resultou em um filme – tornou-se um dos alicerces para a criação do projeto curatorial da Bienal. Também estão confirmados o italiano Piero Gilardi; o cineasta, poeta e escritor chileno Alejandro Jodorowsky; o ilustrador e designer brasileiro Guto Lacaz e o artista sul-africano Ian Wilson, entre outros nomes que serão divulgados ainda no mês de fevereiro. Além dos artistas, a 3ª Bienal da Bahia reúne um seleto grupo de curadores com experiência em grandes eventos nacionais e internacionais, a começar pelo diretor geral do evento, o escritor e crítico de arte Marcelo Rezende, que integrou a 28ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo. Entre seus projetos curatoriais, destacam-se À La Chinoise(Hong Kong, 2007), Comunismo da Forma (São Paulo, 2007; Toronto, 2009) e Ver o Tibet (Rio de Janeiro e Nova York, 2010). Atualmente, Marcelo é também o diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Atuam como curadores-chefes o artista visual Ayrson Heráclito – curador das mostras Cosmogonia Cravo (2007), no Palacete das Artes Rodin Bahia, e A Grande Arca do artista Edgard Oliva (2011-2012), exposta em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo – e a gestora cultural Ana Pato, ex-diretora executiva da Associação Cultural Videobrasil e das exposições dos artistas Sophie Calle (2009), Joseph Beuys (2010), Olafur Eliasson(2011) e Isaac Julien, além de quatro edições do Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil (2001, 2005, 2007 e 2011). Já o curador-adjunto Márcio Harum também possui vasta experiência na área. Em 2013, juntamente com Paola Santoscoy, foi diretor do SITAC XI (Simpósio Internacional sobre Arte Contemporânea), na Cidade do México. Realizou a mostra de filmes-performance (DISTRUKTUR) no Paço das Artes e é membro do comitê curatorial de Solo Projects na ARCOmadrid 2014. Integram ainda a curadoria da Bienal a arquiteta e doutora em Urbanismo Alejandra Muñoz; o curador, pesquisador e docente Fernando Oliva; a crítica de arte e pesquisadora Júlia Rebouças e o curador independente e crítico de arte Orlando Maneschy. Produção local e universal – É tudo Nordeste? é a indagação que move o projeto curatorial do evento e percorre toda a programação cultural durante 100 dias, incluindo exibições, projetos, ações educativas e encontros com artistas. De acordo com Marcelo Rezende, a questão impõe um ato de aproximação da produção cultural e artística da região, em suas mais diversas perspectivas: a região Nordeste do Brasil como condição geográfica, construção histórica e ainda como potente peça do imaginário. As mostras e ações educativas serão distribuídas pelos museus de Salvador e centros culturais do estado, além de locais como a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, universidades e outros espaços expositivos menos convencionais. O secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim, destaca a importância de o evento ser realizado durante o período da Copa do Mundo FIFA 2014. “Esta não será apenas uma bienal de artes visuais, pois vamos ter um grande diálogo com a cultura da Bahia, do Brasil e do mundo. A ideia é que cada vez mais esta cultura seja reconhecida. Além disto, queremos fazer um evento que resgate a história das edições passadas, realizadas em 1966 e 1968”, ressalta. História das bienais – Promovida pelos artistas Juarez Paraíso, Chico Liberato e Riolan Coutinho, com o apoio do governo do Estado da Bahia, a 1ª edição do evento – denominada 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas – foi realizada em 1966. A proposta era descentralizar a produção de arte no Brasil, ao mesmo tempo em que afirmava o diálogo do cenário baiano e nordestino com as obras e os artistas nacionais. Com a 1ª Bienal, Salvador se torna, então, um centro regional para discussão da arte, após um rico contexto cultural delineado desde a década de 1930. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Rubem Valentim e Rubens Gerchman foram os premiados da primeira edição, que teve ainda a participação de Calasans Neto, Emanoel Araújo e Mario Cravo Neto. A 2ª Bienal de Arte da Bahia, realizada em 1968, foi fechada dois dias após a abertura. Após um mês, reabriu com dez obras a menos, que haviam sido consideradas subversivas pelo Regime Militar. Desde então, as Bienais Nacionais de Artes Plásticas da Bahia, ou apenas Bienais da Bahia, não ocorreram mais. O MAM-BA – O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) é o responsável pela realização da 3ª Bienal da Bahia. Desde março de 2013, a instituição tem promovido uma série de encontros, palestras e atividades que proporcionam o debate sobre os modelos de Bienais existentes no Brasil e no mundo, ampliando a discussão sobre o formato mais propício para o cenário baiano atual. Com a proposta de fornecer um espaço para a discussão de plataformas e iniciativas que contribuam para a solidificação da 3ª Bienal Bahia, as ações reuniram diferentes públicos, que puderam compartilhar opiniões e conhecer um pouco mais sobre a história da arte mundial. Localizado no conjunto arquitetônico Solar do Unhão, em Salvador, o MAM-BA é o principal espaço de arte contemporânea da Bahia e um dos mais importantes do Brasil, por onde passa um público estimado em 200 mil pessoas por ano. O museu conta ainda com o Parque das Esculturas, que funciona como uma galeria ao ar livre, e uma sala de cinema. Sedia também eventos artísticos culturais de diferentes linguagens e possui um programa permanente de ações educativas. Atualmente, o MAM-BA passa por uma reforma arquitetônica em suas dependências, para possibilitar o acesso do público a um centro cultural dinâmico e atraente para crianças e adultos, oferecendo mais conforto e tecnologia de ponta. A reforma inclui a criação de uma nova reserva técnica – que abrigará o acervo com cerca de 1.200 obras de diferentes gerações de artistas, principalmente do Modernismo baiano e brasileiro – e a ampliação do Núcleo de Arte e Educação (NAE), além da instalação de novos sistemas de iluminação e ar condicionado, espaços expositivos mais equipados, novas salas para as oficinas de arte e a construção de um apartamento para artistas, que facilitará a realização de programas de intercâmbio e residências artísticas. As novidades também farão parte da 3ª Bienal da Bahia, já que o museu é a sede do evento. 3ª Bienal da Bahia Quando: de 29 de maio a 7 de setembro de 2014 Onde: em mais de 30 espaços expositivos de Salvador e cidades do interior do estado Informações: www.bienaldabahia.com | 55 71 3116-8007 / 3117-6137 Gratuito Informações adicionais - Saiba mais sobre a Bahia A 3ª Bienal da Bahia vai apresentar inúmeros trabalhos artísticos, mas os visitantes dos locais expositivos também terão acesso a diversas opções de turismo que o estado oferece. A diversidade de segmentos engloba o turismo ecológico, religioso, de aventura, cultural, histórico e de lazer, incluindo as belezas naturais e a aclamada hospitalidade dos baianos. Com clima tropical e o maior litoral do Brasil – são 1.183 quilômetros de praias, de norte a sul do território –, a Bahia oferece inúmeras atrações em diferentes localidades, entre eles os municípios que compõem a Chapada Diamantina, o Vale do São Francisco, o Recôncavo Baiano, a Costa do Dendê e a Costa dos Coqueiros, onde estão destinos como a Praia do Forte e Costa do Sauípe. A região conhecida como Recôncavo Baiano – localizada no entorno da Baía de Todos-os-Santos, que é considerada a maior do País – engloba municípios de grande representatividade histórica e econômica. As cidades do Recôncavo Baiano e das outras regiões turísticas da Bahia também receberão atividades e obras integrantes da 3ª Bienal da Bahia. Desta forma, será possível aliar futebol, arte e história na mesma visita ao estado.

