02/03/2014
Em 1974 os jovens negros, Antonio Carlos dos Santos (Vovô) e Apolônio de Jesus tiveram a ideia de juntar mais amigos e fundar um bloco para resistir ao que estava posto no carnaval: brancos de um lado, negros do outro, oprimidos. Eles não imaginavam que 40 anos mais tarde essa idéia ganharia a Bahia, o Brasil e o mundo e se tornaria uma referência na vida de um povo. “O Ilê Aiyê mudou não só a minha vida e da nossa família, como a vida das famílias negras, da juventude, das mulheres e homens negros. O Ilê trouxe uma mudança cultural, de comportamento, educacional e musical para o mundo”, afirmou Vovô, presidente do mais belo dos belos.
Com o tradicional ritual da pomba da paz, a yalorixá Hildelice Benta dos Santos, atual líder religiosa do Ilê Axé Jitolu, onde nasceu o Ilê, deu início ao rufar dos tambores na noite de sábado, a mais esperada do carnaval por moradores, autoridades, artistas, turistas e centenas de pessoas que vão ao Curuzu subir a ladeira ao som da percussão do Ilê. Com o tema “Do Ilê Axé Jitolu para o mundo - Ah se não fosse o Ilê Ayiê...”, o primeiro bloco afro do Brasil celebrou suas quatro décadas, emocionando a todos. Presenciaram o momento, a ministra Luisa Bairros (Seppir), o governador da Bahia Jaques Wagner, a primeira dama, Fátima Mendonça, o secretário de Cultura, Albino Rubim, além de secretários, vereadores, deputados e dirigentes de estado.
Se não fosse o Ilê Aiyê não teríamos secretários e deputados negros e mulheres negras no mercado de trabalho. O Ilê Aiyê foi responsável pelo encorajamento do povo negro a buscar seu espaço no mundo. O Ilê contou nossa verdadeira história”, Arany Santana, atriz, educadora, diretora-fundadora do Ilê Aiyê e do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Bahia. Para o secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim, “Se não fosse o Ilê Aiyê, o Carnaval da Bahia não seria o que é: tão diverso. Tão diverso e único no mundo”, afirmou.
Comunidade - “Se não fosse o Ilê Aiyê o Curuzu não teria alma”, sentenciou a moradora Rosa Cruz, que não perde a saída do bloco há 20 anos. “Nasci e cresci aqui. Vivi e continuou vivendo o Ilê Aiyê todo ano. Eu já participei de festivais, tenho músicas para o Ilê e eu acompanho essa saída com muita emoção”, disse o alfaiate Francisco Claudio dos Santos.
Para a ministra Luisa Bairros, se não fosse o Ilê Aiyê o carnaval da Bahia não teria se não teria se africanizado. Os negros levariam mais tempo para descobrir o caminho para a sua autoestima”, Luiza Bairros, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República / SEPPIR.
“Ah, se não fosse o ilê, o que seria do povo negro? Da nossa autoestima enquanto mulher negra e nossa identidade enquanto povo?”, Cynthia Paixão, empresária e Deusa do Ébano 2014.
Fotos: Rosilda Cruz