Olodum coloca Barra para tremer e provoca arrepio nos foliões

02/03/2014
O sol escaldante e o mar verde da Barra formaram o cenário ideal para o desfile do Olodum na tarde deste domingo (2/03). Não teve quem resistisse à beleza dos figurinos e percussão inigualáveis do bloco, que, comemorando 35 anos de história, arrastou mais de quatro mil associados e colocou centenas de foliões, na pipoca e nos camarotes, para cair no samba reggae ao som de sucessos autorais como “Jeito Faceiro”, “Mel Mulher” e “Olodum pra balançar”. Além de clássicos da música nacional que ganharam um novo ritmo na voz de Lazinho, Narcizinho, Mateus Vidal, Nadjane Souza e Satyra Carvalho.
O desfile nem havia começado e a estudante Mari Carvalho, estreando o seu abadá, sentia arrepios ao lado do trio elétrico. “Ah, acho que é o batuque, que aflora a emoção de ser baiana, porque o Olodum é tudo, é a alegria de viver aqui. E com essa brisa é bom demais apesar de que sendo Olodum, pode ser na Barra, no Campo Grande, no Pelô, tudo vale”.
Embalado por “Bailes da Vida”, de Milton Nascimento, o coach Fábio Procópio, turista de Ribeirão Preto – SP, curtia aos pulos a festa na pipoca. Vestido com uniforme do Camaleão, o próximo bloco da fila, o jovem definiu: “o Olodum é a base do carnaval da Bahia, só de ouvir esses tambores eu fico arrepiado. Estou aqui aproveitando com minha amiga argentina e ela está impressionada”.
A amiga de Fábio, Maria Luisa Queija, abriu mão até de camarote e não parava de dançar ao lado rapaz.  Fã da banda, Luisa sentia, pela primeira vez de bem perto, o poder da batida do Olodum. “Representa a vibração de todo o povo baiano e as suas raízes afro em cada som e a cada instrumento sinto vibrar a força do espírito da gente negra”.
De turbante vermelho, a rainha do Muzenza, Cláudia Matos, apesar de já ter sambado muito neste carnaval, fez questão de curtir tudo dentro das cordas. “Eu tirei o domingo para desfilar com o Olodum e para mim é um prazer, porque são nossos amigos, nossos irmãos. É um dos mais antigos blocos afro e tem uma energia muito positiva, fala das nossas raízes. Eu me identifico muito, especialmente neste ano que está homenageando as mulheres, a Rainha Ashanti”.
Como em todos os anos, o desfile do Olodum, com seus 150 músicos sob o comando do mestre Memeu e a ala de dança formada por 50 dançarinos, interpreta um tema. Ashanti – O Trono Dourado e a Rainha Yaa Asentweaa’ é a inspiração do bloco em 2014. “A história do povo Ashanti, de Gana – país da África Oriental -  é uma história de lutas e conquistas, por isso a escolhemos para celebrar nossos 35 anos”, explicou o vice-presidente do Olodum, Marcelo Gentil.
Foto: Rosilda Cruz