02/03/2014
“Há 37 anos que acompanho o Gandhy nesse cortejo de paz, de tradição e de ancestralidade”, falou Vivaldo Menezes (59) subindo apressado a Rua Chile para pegar os primeiros acordes do cordão branco da paz, desfile esperado por uma multidão formado por homens, mulheres e crianças. Muitas destas, os meninos, fantasiados a rigor junto aos seus pais, tios, avôs. “É uma tradição na família. Meu pai passou pra mim e eu passei pra Guilherme, que já sabe como funciona todo o esquema do Gandhy, já tem os colares e a alfazema, o kit completo”, disse orgulhoso Alexandro Cerqueira, apresentando seu filho.
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Para o vice presidente do primeiro afoxé do Brasil, Xiko Lima, os 65 anos do Gandhy simbolizam a responsabilidade que o bloco traz para a cultura da Bahia e do Brasil. “Do Cais do Porto para o mundo, o grupo de estivadores não imaginavam a dimensão que teria esse bloco. A maturidade que atingimos hoje significa o quanto nossa cultura, nossa espiritualidade tem de valoroso”, afirmou Lima ao som dos pedidos de paz, de respeito à mulher e à irmandade entre os povos. Do carro principal, eram jogados milho branco e pipoca e despejados jatos de alfazema, um tradicional ato simbolizando a paz e a união que o Afoxé pede no carnaval.
Há 14 anos como destaque dos Filhos de Gandhy, Francisco de Souza celebrava não somente os 65 anos do Afoxé, mas seu último ano na função ao longo do desfile. “Muita emoção representar nossos ancestrais. Que a liberdade do povo negro continue sendo bandeira do Afoxé na Bahia e no mundo, em especial, aos adeptos do Candomblé, que fazem este bloco ser o que é”, frisou Francisco, que é diretor de arte do bloco há 26 anos.
Milhares de homens seguiram a Carlos Gomes ao som do Ijexá. Estavam lá também os irmãos André, Adriano e Edson Reis que já saem há 14, quatro e seis anos no Afoxé. “Levamos a paz em nosso carnaval. Só saímos no Gandhy, sempre juntos, mantendo nossa tradição familiar”, enfatizou André. De São Paulo, o designer Rodrigo Garcia esbanjou emoção falando de seus seis anos de Gandhy. “Não perco, sempre venho com meus amigos, que são religiosos da Umbanda e do Candomblé, sempre me convidam e, pra mim, a espiritualidade que o Gandhy traz é o principal. Sou de Umbanda e vestir essa fantasia é um presente, um ato de respeito”, frisou.
Foto: Edson Ruiz
