Samba-reggae termina shows no Pelô nesta segunda (4)

04/03/2014
Em meio à chuva que caia e pessoas que dançavam ritmados ao som de tambores, vozes continuavam a ecoar em coro com os grandes sucessos do samba-reggae. Essa era a platéia que presenciou, no final da noite desta segunda-feira (03) de carnaval, o encontro histórico de três grandes cantores da música baiana: Tonho Matéria, Dado Brazzawilly e Marquinhos Marques. A apresentação batizada de ‘Festival de Samba-Reggae’, aconteceu no Largo do Pelourinho. “O samba-reggae é um patrimônio baiano que contou com a contribuição de diversos músicos e compositores baianos. Estamos aqui para celebrá-los”, disse Marquinhos Marques, fundador da ala de canto do Cortejo Afro que integrou também o Olodum. O samba-reggae, resultante da junção do samba duro com o reggae jamaicano, deu origem a um movimento musical que transformou a realidade musical da Bahia. “Eu fui transformado pela música do Ilê, foi onde percebi a força e a beleza da cultura negra. É preciso que a Bahia cuide da sua música de raiz e o samba-reggae é um dos nossos legados para as próximas gerações”, declara o cantor Dado Brazzawilly, que integrou o Araketu e o Bamboxê. Durante a década de 1980, o samba-reggae encontrou grande expressão na música popular baiana a partir do repertório de grupos musicais como o Olodum, Muzenza e Malê Debalê. Da Bahia ele seguiu para o mundo, com a gravação do Olodum no disco Rhythm of The Saints de Paul Simon e o disco Samba-Reggae de Jimmy Cliff. A invenção do ritmo é atribuída ao mestre Neguinho do Samba, fundador da escola de percussão do Olodum e criador da banda Didá, que faleceu em 2009. Djalma Luz, compositor de “Coração Rastafari” - primeiro samba-reggae gravado por Lazzo em 1981 - conta sobre a presença da música jamaicana nessa fusão: “Foi com a ascensão de Bob Marley que o negro baiano percebeu que a música reggae também dizia respeito a sua identidade, que ela era um veículo de afirmação, daí que ela veio a se juntar com o samba”. A apresentação foi Marcelo Arouca, morador do bairro de Capelinha de São Caetano, de Salvador. “Samba-reggae representa a resistência da raça negra reivindicando seu espaço e dignidade”, finalizou. Foto: Lucia Correia Lima