17/03/2014
O festival aconteceu em 13/03 e a premiação em 14/03 durante as comemorações pelo aniversário do poeta
O teatro inspirado nos poemas de Castro Alves foi o que uniu, pela amizade e pela arte, Juliana Monique, 22 anos e Cláudio Nyack, 32. E esta paixão pelo poeta baiano, que nasceu quando ambos ainda eram crianças, rendeu o primeiro lugar para a dupla no 13ª edição do Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves, realizado em 13 de março, no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), localizado no município de Cabaceiras do Paraguaçu, no Recôncavo baiano, onde Castro Alves nasceu. Uma iniciativa da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC), o evento já é tradição na cidade e este ano bateu recorde de inscritos: 49, de todas as faixas etárias e de várias cidades da Bahia e de outros estados que prestam homenagem ao grande trovador baiano, autor de Espumas Flutuantes, Vozes D’África e O Navio Negreiro. A diretora da DIMUS, Ana Liberato, explicou que o festival foi criado para homenagear o Poeta Castro Alves e incentivar a juventude a usar a poesia para manifestar seus sentimentos. “Os poemas do grande poeta expressam o seu romantismo, o seu amor à pátria, além do intenso sentimento libertário”. Esta é uma das principais atividades socioeducativas que o PHCA realiza ao longo do ano para estimular a leitura e contribuir para o crescimento cultural da comunidade. O evento deu início às comemorações dos 167 anos de nascimento do poeta Castro Alves, comemorado em 14 de março com uma programação intensa na cidade e no PHCA. O evento teve início com a apresentação de grupo cultural Boi Janeiro, de Matarandiba (Ilha de Vera Cruz) e da filarmônica Lira Ceciliana, de Cachoeira. Depois houve uma sessão solene em homenagem ao poeta, a premiação dos vencedores do festival e, à tarde, o evento prosseguiu com a apresentação da Orquestra Museofônica, da maratona do poeta, do espaço para homenagens - leitura pública de poemas por Marcos Peralta (da Fundação Pedro Calmon) e se encerrou com a apresentação musical com a cantora Belpa. Vencedores - Juliana e Cláudio que declamaram “Saudação a Palmares”, conhecerem o poeta através da mãe e do professor, respectivamente. “Já participei outras vezes e sempre me emociono. Castro Alves relata o ocorrido de uma forma que parece que estamos vivendo, agora, aquilo que escreveu”, contou Cláudio. “Último abraço” foi o poema escolhido por Priscila Machado e Daniela Medeiros para o festival e a dupla acabou ficando em segundo lugar. Já conhecidas do público do evento, Priscila e Daniela também já foram vencedoras em outras edições. Para Priscila, além de ter nascido na mesma cidade de Castro Alves, “tenho orgulho e respeito pela poesia dele porque consigo sentir tudo o que ele escreveu”. O poeta e ator Jansen Flávio Nascimento, de Salvador, acredita que o festival é uma porta para que as pessoas mostrem seus trabalhos, especialmente a poesia. “Castro Alves merece ser relembrado sempre”, disse Jansen que declamou “O livro e a América” e ficou em terceiro lugar. Sua amiga, a atriz Luísa Cruz Marques dos Santos, participou pela terceira vez e, com o poema “Vozes D´África”, conquistou o quarto lugar. “Gosto de participar porque sinto que o festival ajuda meu trabalho evoluir”. Premiada com o quinto lugar, Daniela da Conceição Silva, que se apresentou com “Confidência”, disse que sempre se apresenta no festival e que foi no evento, inclusive, que tomou conhecimento por Castro Alves. “Depois do primeiro ano, comecei a pesquisar sobre ele. Gosto da intensidade que ele coloca em suas obras e apoio a iniciativa do festival que faz com que seus poemas estejam sempre vivos”. Menção honrosa - Elber da Conceição Passos e Maria Clara de Jesus Sales, de 10 anos, vieram vestidos à caráter e conquistaram os jurados e o público com a declamação de “A duas flores”. Elber é fã de Castro Alves porque nasceu na cidade dele e porque foi um grande poeta dos escravos. Sua parceira na declamação também gosta do poeta porque escreveu muitas poesias e é fonte de muita inspiração. Além deles, Pedro Brás também recebeu a homenagem por ter participado de todas as edições do festival. Neste ano, ele declamou “Onde estás”. Os moradores da cidade de Cabaceiras do Paraguaçu participaram ativamente do festival, mas o evento também contou com representantes de várias cidades do estado, como Alagoinhas, Catu, Pojuca, Salvador, Feira de Santana, Valença, Mangabeira, Nazaré das Farinhas, Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, além de São Paulo (capital) e São Luís do Maranhão. Os jurados analisaram os seguintes itens: originalidade (criatividade utilizada para a apresentação do poema), dicção (clareza das palavras pronunciadas na declamação), fluência verbal (correção e a pronúncia das palavras) e fidelidade ao texto (exatidão e o respeito a todos os versos e palavras do poema). Para Chicco Assis, gestor cultural e coordenador do Cine Teatro Solar Boa Vista (onde Castro Alves também morou), que formou o corpo de jurados, a cada ano cresce o nível dos concorrentes no festival e também a participação de outras cidades. “A Bahia mostra que tem um festival que está ganhando uma dimensão nacional”. No momento do anúncio dos vencedores, Chicco – em nome dos jurados – deu algumas dicas para os participantes. Entre elas, de que “menos é mais”, referindo-se a alguns exageros nas declamações e interpretações. Completaram o corpo de jurados: Vanina Cruz (psicóloga e escritora), Helder Mello (museólogo e criador do festival), Alexandre Gusmão Dutra (artista plástico, biólogo, especialista em Arte Educação e Linguagem Artísticas) e Jeane da Silva Cruz (formada em Letras com pós-graduação em Estudos Literários e estará representando a Secretaria de Educação da Prefeitura de Cabaceiras do Paraguaçu). SERVIÇO: Onde: Parque Histórico Castro Alves Endereço: Praça Castro Alves, nº 106, Centro, Cabaceiras do Paraguaçu/ BA Tel.: (75) 3681-1102 Realização: DIMUS/IPAC/ SECULT-BA Gratuito Sobre o parque: por conta do primeiro centenário da morte de Castro Alves, em março de 1971 foi inaugurado, no lugar onde ele nasceu, o museu biográfico Parque Histórico Castro Alves (PHCA), numa área de 52 mil metros quadrados. O acervo convida os visitantes a mergulharem no universo do porta-voz literário da Abolição da Escravatura no Brasil. São objetos que pertenceram a Castro Alves e seus familiares. O público pode ainda usufruir da biblioteca com cerca de 700 títulos. Os projetos “Sopa de Letras”, “Sopa de Letras Especial”, “Seguindo os Passos do Poeta”, “Parque dos Sonhos” e “Baú de Memórias” são destaques do programa de ações culturais e educativas do museu. Anualmente, o Parque também promove o Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves.Visitação: terça a sexta, das 9h às 12h e 14h às 17h. Fins de semana e feriados, das 9h às 14h. Entrada: grátis O poeta – Antônio de Castro Alves, mais conhecido como Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu na Bahia, dia 14 de março de 1847, na Fazenda Cabaceiras, comarca de Muritiba, hoje município de Cabaceiras do Paraguaçu. Famoso pelas fortes críticas à escravidão fez parte da Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época. Suas obras são: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D''África, O Navio Negreiro, entre outras. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. É dessa época a composição dos primeiros poemas abolicionistas: Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 1867, retorna para a Bahia e segue, no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, com incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis. Depois, em São Paulo, encontrou a mais brilhante das gerações, a exemplo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes, para citar alguns dos notáveis. Neste período, viveu seus dias de maior glória. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe na amputação do pé. Em seguida, contraiu tuberculose, obrigando-o a voltar à Bahia, onde morreu, em 1871.

