02/04/2014
Há exatos 50 anos, o presidente João Goulart foi deposto e deu-se início a um longo período de governo militar no Brasil, que cerceou liberdades, violou direitos humanos e perseguiu quem se colocou contrário ao arbítrio. Muitos dos que sofreram na pele os anos amargos do Regime, por lutar pela liberdade e pela democracia, estiveram reunidos na manhã de hoje, 1º/04, para o ato “Viva Liberdade. Contra a Repressão Política e a Violação aos Direitos Humanos”, uma iniciativa do Comitê Baiano Pela Verdade, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da Fundação Pedro Calmon.
O ato ocorreu no Forte do Barbalho, um dos principais centros de tortura do Regime Militar, onde foram torturados ativistas como o atual deputado federal, Emiliano José, o superintendente da Secretaria de Educação do Estado, Paulo Pontes, o advogado e escritor, Rui Patterson, o assessor da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), José Carlos Zanetti, entre outros, que hoje relembraram as atrocidades que vivenciaram. “O terror, a barbárie não são algo que sentimos de longe. Sentimos na pele, no corpo e na alma”, revelou Emiliano José, autor de obras como “Galeria F – Lembranças do mar cinzento”, que relata os horrores da tortura. Bastante emocionado, Paulo Pontes homenageou a todos que resistiram às torturas e aos “que não resistiram ao horror e morreram sem abrir mão da defesa da liberdade”.
Entre os homenageados, foram lembrados os advogados que defenderam os presos políticos, e que acabaram se tornando alvos do Regime Militar. Nas palavras de Carlos Marighela Filho, foram citados nomes como Pedro Milton de Brito, Augusto de Paula, Jaime Guimarães, Ronilda Noblat, entre outros. Um dos momentos mais emocionantes do ato foi a inauguração do Memorial de Resistência do Povo da Bahia, em uma das antigas celas do local. Além da lista dos nomes de todos os presos no Forte do Barbalho, a cela traz réplica de instrumentos de tortura, como o pau de arara, cadeira elétrica e outros aparelhos da barbárie.
“É um dever do Governo democrático que vivemos a busca por nossa história e pela verdade. Para que essas violências não sejam aceitas nem no passado, nem no presente, nem no futuro. É um compromisso do Governo do Estado o apoio a todas as iniciativas de busca pela verdade, pela revelação desses crimes contra a humanidade”, afirmou o secretário de Cultura, Albino Rubim.
Complexo Cultural dos Barris - A Secretaria de Educação do Estado e a Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria de Cultura da Bahia, vão promover exposições, oficinas, apresentações de trabalhos acadêmicos e lançamentos de revistas, de 02 a 04 de abril, no Complexo Cultural dos Barris (Barris). A exposição fotográfica Imagens de uma Bahia militarizada (1964-1985), organizada pelo Centro de Memória da Bahia, ficará exposta no foyer da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris). A abertura das atividades será no dia 02 de abril, a partir das 19h, com projeções de imagens na fachada da Biblioteca, performance de estudantes do Colégio Estadual Carlos Marighela e show do cantor e professor de História, Carlos Barros. Entre as oficinas que serão ministradas, estão: grafitti, escrita criativa, futebol e ditadura e a música e a censura. Programação completa gratuita: www.fpc.ba.gov.br
