Segundo dia da Caravana foi de visitas aos municípios de Ribeira do Pombal e Banzaê

27/05/2014

O segundo dia da IV Caravana Cultura da SecultBA Sertão Baiano começou em Ribeira do Pombal com uma visita à velha Igreja Matriz de Santa Tereza. A igreja, construída em 1667, foi restaurada em 2001 por iniciativa da comunidade civil que se mobilizou e, com acompanhamento do IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), reergueu o marco zero tão importante para a história de Ribeira do Pombal. Acompanhe as notícias da Caravana pelo nosso blog
No bairro rural Alto Santo Antônio, visitamos o Terreiro de Oxóssi Viva Deus Filho, comandado há mais de 40 anos por Mãe Marina. O colorido e bem cuidado terreiro está localizado numa área espaçosa e arborizada, vivendo harmoniosamente ao lado de uma igreja católica “Nós nos damos muito bem, todos somos amigos, respeitamos um ao outro” coloca Mãe Marina. Do terreiro, a Caravana seguiu para a Mostra Cultural de Ribeira do Pombal, que mostrou que o município está afiado tanto com a tradicional cultura do sertão quanto com a cultura contemporânea nacional com apresentações da Filarmônica 15 de outubro e do Grupo Cangaço, associado à Quadrilha Pé no Chão, que retratou o sertão de Lampião e Maria Bonita numa apresentação que reuniu teatro, dança e canto. Para fechar a manhã em Ribeira do Pombal, a conversa entre o Secretário de Cultura da Bahia Albino Rubim e a equipe da Secretaria de Cultura da Bahia com representantes culturais e a comunidade civil de Ribeira do Pombal focou na importância da descentralização da Secretaria e o esforço da mesma para desenvolver programas de inserção dos municípios do interior. Foi colocado por Albino Rubim que há na SecultBA uma preocupação constante em reconhecer a potência cultural do Estado e suas diversas manifestações culturais. Hoje, um dos focos da Secretaria é desenvolver a territorialização da cultura, e a Caravana Cultural é uma destas ações. “Ficamos felizes quando chegamos ao território e vemos que os nossos programas chegaram lá. Nesta região, muitos projetos foram contemplados pelo Fundo de Cultura e Calendário das Artes, por exemplo”, conta Albino Rubim. Pela tarde, a Caravana seguiu para Banzaê,  município com forte presença da cultura indígena. Chegando ao povoado de Mirandela, que em 1995 foi ocupado pela tribo Kiriri, a equipe da SecultBA foi recebida com festa e fogos de artifício. A recepção tão bonita e calorosa mostrou a hospitalidade e acolhimento do povo Kiriri e o discurso emocionado do Cacique Lázaro em frente à Igreja Senhor da Ascensão foi o ponto alto do encontro. A restauração e tombamento da igreja, que foi construída no século 17 por jesuítas, foi um dos principais assuntos em pauta na conversa com o Secretário de Cultura Albino Rubim. A Caravana seguiu, então, para a Rádio Kiriri, que faz parte de um projeto que estrutura uma rede de rádios indígenas comunitárias na região. Sérgio Melo, um de seus idealizadores, conta que tudo começou como um projeto de inclusão digital na região em 2010 e que, com a ajuda de editais para a compra de instrumentos de trabalho e cursos de capacitação, se formou a Rádio Kiriri, que toca músicas indígenas, divulga as ações da tribo, promove entrevistas com membros antigos da aldeia, entre outros assuntos ligados à comunidade. De Mirandela, o próximo destino foi a Aldeia Cajazeira da tribo Kiriri, onde a Caravana foi recebida também com muita hospitalidade na Escola Indígena. Depois da apresentação com danças e músicas típicas, foram reunidos conselheiros e representantes da tribo e do povoado para conversa com o Secretário de Cultura, onde foi reafirmada a importância de preservar a cultura indígena, uma das matrizes mais importantes da identidade brasileira. A SecultBA ainda passou pela fábrica de biscoitos e beijus no povoado de Marcação, também idealizada pelos índios Kiriri, que há dois anos funciona pela Associação Comunitária Santo André fabricando guloseimas com o uso da mandioca, além da visita ao Instituto Mauá, que reúne artesanato típico indígena feito também pelos membros da tribo Kiriri moradores da região. Já à noite, na Mostra Cultural em Bazaê, a palavra-chave foi diversidade. Suas manifestações englobaram variadas culturas e diversos segmentos artísticos. Dentre os grupos que se apresentaram estão o Cajucultura com o desfile da Rainha do Caju; o grupo Tamburil apresentando música e dança; o grupo de teatro T’Art; o Samba de Crioula, grupo quilombola, com performance em homenagem a São Benedito; a Quadrilha Arrasta Pé no Campo, com mais de 28 anos de história; a Natali, mostrando a cultura da música evangélica e a representação da Missa dos Vaqueiros. Mais tarde, fechando o dia, aconteceu o debate entre o Secretário de Cultura da Bahia Albino Rubim e os representantes culturais e comunidade civil de Banzaê, onde voltou à pauta a “transversalidade da cultura”: a Secretaria busca, cada vez mais, desenvolver atividades que relacionam cultura e educação, turismo, saúde e diversas outras áreas, muitas vezes não tão óbvias, na formação de projetos e elaboração de ações que fomentem a cultura do Estado. Também foi discutido o propósito da Caravana Cultural e sua importância na aproximação da Secretaria com a comunidade cultural do interior baiano. “Queremos que a caravana não seja uma mera passagem, mas sim que crie determinados vínculos entre o poder público municipal, a comunidade cultural e a Secretaria”, explica Albino Rubim.