Terceiro dia da Caravana é de visitas aos municípios de Tucano e Euclides da Cunha

28/05/2014

Foto por Ricardo Prado

No terceiro dia da IV Caravana Cultural, a SecultBA entra no Território do Sisal, palco do messianismo e do cangaço, fenômenos históricos e sociais emblemáticos do nordeste brasileiro. Leia mais sobre a Caravana no nosso blog Município: Tucano Foi no Povoado de Tracupá, no município de Tucano, que a Caravana conheceu a Coopact, uma cooperativa dos produtores de artefatos de couro da comunidade de Tracupá, que possui 21 trabalhadores 2 anos de atuação; além da casa de Seu Joel, antigo fabricante de celas de couro que não mais fabrica celas tão frequentemente, porém ainda mantém a sua área de trabalho, repleta de valor histórico e cultural. Após visita ao Povoado de Tracupá, a Caravana assistiu Mostra Cultural de Tucano, que apresentou as diversas manifestações artísticas existentes no Território do Sisal. A abertura foi realizada com uma apresentação do Trio Sabiá, banda de pífano local que interpretou músicas tradicionais do sertão nordestino. A apresentação seguiu com Zé do Cavaquinho, que impressionou a todos tocando o Hino Nacional com o dente. O teatro também esteve presente representado por Jonas Terra, um dos fundadores do Grupo de Teatro de Tucano, com sua versão de Comício em Beco Estreito, de Jessier Quirino. Continuando as apresentações, Jeane da Viola animou ao público com sua música e, em seguida, a Associação Guerreiros do Axé, fundada em 1998, demonstrou a capoeira com crianças participantes de seu projeto social. A poesia não ficou de fora, e as apresentações foram encerradas com um recital feito por Iuri Edson e Emerson, ambos do grupo COAJ. Em Tucano, a conversa dos representantes locais com o Secretário de Cultura e equipe discutiu a importância do investimento na comunidade cultural das cidades do interior baiano para a qualificação em elaboração de projetos, assim tornando a concorrência mais justa na seleção dos contemplados. Foi colocado que o crescimento dos projetos apoiados no interior tem sido constante, o que torna a distribuição de recursos para o incentivo cultural cada vez menos centralizada. Município: Euclides da Cunha Pela tarde, a SecultBA seguiu para o município de Euclides da Cunha, onde visitou a praça do CEUs das Artes, iniciativa da gestão da Ministra da Cultura Marta Suplicy. O espaço abrigará um centro de artes e esportes completo com biblioteca, teatro, quadra, pista de skate e toda a estrutura de lazer e educação para os alunos de bairros populares. Com inauguração prevista para junho, o projeto também concentra os atendimentos sociais da cidade; no caso de Euclides da Cunha, o CRAS (Centro de Referência e Assistência Social). Em Euclides da Cunha foi visitada também a ACACEC (Associação da Criança e do Adolescente da Comarca de Euclides da Cunha), que abriga um Ponto de Leitura criado com o apoio da Fundação Pedro Calmon, em 2010. A Associação é um projeto social que trabalha com crianças de risco provenientes da área rural. Mais de 1000 pessoas são contempladas na ACACEC, que visa cuidar, educar e preparar jovens e crianças carentes da região. Ao final da visita, foi apresentado à IV Caravana Cultural o hino de Euclides da Cunha em Libras, a linguagem dos sinais, interpretado por alunos especiais da instituição. A Mostra Cultural em Euclides da Cunha começou com uma apresentação do Centro de Umbanda Ilê Axé Oxóssi Mutalambô, comandado há quase 40 anos pelo Pai de Santo João Rodrigues. O Centro, que além do trabalho religioso possui o Grupo de Capoeira Esquiva e um grupo de samba de roda, hoje luta para transformar-se em Associação para que, assim, possa dedicar-se à elaboração de projetos sociais e culturais para concorrer a editais. A última apresentação ficou por conta da animada Quadrilha Raízes do Sertão, que fez uma performance de tema Prontas Para Casar e o Bilhete Premiado. O ponto alto do debate que fechou o terceiro dia de Caravana foi a questão das políticas raciais. "A criação do Centro de Culturas Populares e Identitárias fortalece a intervenção da Secretaria nesta área. A cultura negra é uma das culturas mais importantes e forma aquilo que nós somos enquanto baianos. Sem a presença negra não existiria a cultura baiana como ela é", coloca o Secretário de Cultura Albino Rubim. Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias também falou sobre a importância da educação na conscientização racial. "Quando falamos do combate na questão racial, nos reportamos imediatamente à sala de aula. Apesar de ver o esforço que a Secretaria faz em suas políticas e programas antirracismo, sei que devemos tratar a questão desde cedo e é difícil a introdução desta questão racial na escola, é um câncer que nossa sociedade carrega e devemos entender que esta é uma bandeira de todos nós".