Lia Robatto coordena ação na 3ª Bienal da Bahia

05/06/2014

Coreógrafa, professora e pesquisadora recebe artistas e convidados no evento Processo Compartilhado, da programação Alta Intensidade. Ação acontece no dia 7 de junho, sábado, às 9h, no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia

A coreógrafa, professora e pesquisadora Lia Robatto coordena a ação Processo Compartilhado no dia 7 de junho (sábado), a partir das 9h da manhã (e sem hora definida para terminar), no primeiro piso do casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM. O diretor Marcio Meirelles, bailarinos, músicos e poetas participam do evento, que vai aglutinar artistas visuais convidados pela organização da 3ª Bienal da Bahia, uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Processo Compatilhado não é uma oficina, diz Lia Robatto, “pois não tem caráter de formação. É uma proposta de um encontro entre artistas com obra madura de diversas linguagens, que terá duas etapas, a primeira acontece em um só dia”. Pinçando como inspiração o conceito de obra aberta de Humberto Eco, a ideia é provocar para que os artistas possam interagir. Metros e metros de panos de stretch moldável, elásticos e outros elementos serão disponibilizados para os participantes. A expectativa não é gerar necessariamente um produto final, mas, sim, tirar os autores do isolamento, abrindo para perspectivas diversas. A segunda etapa do Processo Compartilhado, em julho, será aberta à participação do público, especialmente jovens estudantes de artes, dança, teatro, música. “Nesta etapa vou fazer um trabalho mais regular, contínuo, com mais encontros”, define a coordenadora. As inscrições para este momento posterior à Copa serão abertas pelo sitehttp://bienaldabahia2014.com.br/wp/. Soma de expressões Lia Robatto compõe o grupo de artistas reunido para colaborar com a 3ª Bienal da Bahia, discutindo o processo de realização do evento, depois de 46 anos de lacuna, após censura militar à segunda edição do evento. “Acho o retorno da Bienal importantíssimo para a Bahia. Arte não se faz atrás da porta. É pra ser exposta. Enquanto não se troca com o expectador, não se tem o feedback, o artista precisa do retorno”, argumenta ela. E complementa, lembrando que cultura é soma de diversas expressões e que o universo simbólico individual é positivamente contaminado pelos universos dos outros. “Uma Bienal abre portas e janelas para outras perspectivas”. Já sobre a relação da dança com as artes plásticas contemporâneas, Lia considera que na época das primeiras Bienais isso era algo mais efetivo. “Já tinha Lygia Clark, Hélio Oiticica há 50 anos. E hoje o que existe é performance, não é artes plásticas. Naquela época não existia fronteiras”, compreende. Lia participou da 1ª Bienal da Bahia, em 1966. Ao invés de um trabalho de artes plásticas abordando o corpo, ela apareceu com um projeto que tinha o corpo abordando as artes plásticas. A ideia, incrementada por tecido, esteiras redondas e bastões, entrou para a história do evento. Debates Na fase pré-Bienal, Lia Robatto também participou de ações como o MAM Discute Bienal, que reuniu artistas, urbanistas, pesquisadores e professores em torno de debates sobre a realização da terceira edição. Ela também participou do MAM Flamboyant, iniciativa que registrou em audiovisual o pensamento de agentes culturais que participaram de alguma forma da primeira ou segunda Bienal da Bahia ou que tiveram relevância no cenário artístico-cultural da época. “Quando correu a notícia de que ia ser aberta a primeira Bienal da Bahia, foi um entusiasmo geral, todo mundo animadíssimo”, lembrou a paulista, que tinha no histórico o fato de ter frequentado todas as edições da Bienal de São Paulo realizadas até então. Formada em dança junto com as pioneiras da dança contemporânea no Brasil Yanka Rudzka e Maria Duschenes, Lia veio para a Bahia com 17 anos, na época da fundação da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, a primeira escola do gênero de nível universitário no Brasil. Em Salvador ela conheceu Sílvio Robatto, com quem se casou. Hoje, aos 66 anos, a criadora da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia e que atua como integrante do Conselho Estadual de Cultura da Bahia é uma cidadã soteropolitana, autora de livros sobre dança e produtora cultural. SERVIÇO: Processo compartilhado de Lia Robatto Quando: 7 de junho (sábado), a partir das 9h Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Solar do Unhão, Avenida Contorno, s/nº http://bienaldabahia2014.com.br/wp/ Facebook: /BienaldaBahia2014 Twitter: @BienaldaBahia Instagram: @bienaldabahia